21/01/2017 às 20h51min - Atualizada em 21/01/2017 às 20h51min

Moradores com deficiência pedem mais acessibilidade no Jardim Copacabana

Duas coisas vêm tirando o sono dos moradores do bairro Jardim Copacabana: a falta de um posto policial e a transferência do posto de saúde para o Parque dos Girassóis 3. Isso vem deixando os moradores bastante preocupados, principalmente os portadores de deficiência, por conta do aumento da distância do posto de saúde e a violência que assombra o bairro.

O Uberaba Popular conversou com dois moradores portadores de deficiência. David Conceição Braga Silva, de 26 anos, é deficiente visual. Morador do Copacabana há cinco anos, ele está inconformado com a mudança do posto de saúde. “Vai ficar uma situação complicada pra gente, vamos andar mais e para nós (deficientes) é difícil andar nas ruas, já que não tem sinalização para nós cegos. Falta as lombadas para nos orientar, indo para o Girassóis 3, será uma verdadeira aventura chegar lá”, declara.

Túlio Gonçalves Martins, de 24 anos, cadeirante, morador do Copacabana também há cincos anos, ressalta a falta do posto policial no bairro. “Precisa urgentemente de um posto policial, é muito raro vermos um carro de polícia aqui no bairro. A violência vem atingindo a cidade toda e aqui não é diferente. Às vezes fico constrangido em ir com minha mãe a um determinado estabelecimento aqui no bairro, sempre tem pessoas mal encaradas, sem camisa na porta, que nos intimida somente com o jeito de olhar. É muito ruim essa situação”, relata Túlio.

Os quesitos da segurança e saúde não são os únicos que estão incomodando atualmente os portadores de deficiência. A acessibilidade não está totalmente em funcionamento. “Há algumas semanas, caí em um uma tampa de bueira aberta na outra rua. Nem sequer um pedaço de pau colocaram para sinalizar. Mas isso é recorrente. Outra coisa que me deixa incomodado são as caçambas que alugam e não deixam nada de sinalização, as árvores que o pessoal não poda e alguns passeios totalmente desnivelados”, comenta David.

Por usar a cadeira de rodas para se locomover, Túlio tem a mesma linha de raciocínio de David e reclama também da instalação do posto de saúde do bairro. “Até que aqui tem rampas, mas os passeios são desnivelados ou estão ocupados com lixo ou materiais de construção, daí preciso andar na rua, podendo algum carro ou ônibus me atropelar. O postinho de saúde é muito apertado, eu tenho muita dificuldade em andar lá dentro com a cadeira. Por que não fazer um posto maior pra nós? Área aqui no bairro tem, é só querer”, desabafa.

Mais acessibilidade. A estudante Loriene Rezende de Morais, 18 anos, também tem deficiência visual. Mora com a avó, Lázara Resende, no Jardim Copacabana, e estuda na Escola Municipal Professora Terezinha Hueb de Menezes, no 8º ano. Lázara é daquelas vós protetoras, e com a situação de Loriene, ela se desdobra mais ainda.

“A Loriene tem uma vida independente, faz tudo sozinha dentro de casa. Mas na rua, não deixo ela andar sozinha. Para ir para a escola, o Vitor Hugo sempre acompanha na ida e na volta”, relata dona Lázara.

Sem o posto policial no bairro, a avó não sente muito segurança em deixar Loriene sozinha para a escola, que fica a duas quadras de casa. “Às vezes penso que estou prendendo demais a Loriene, mas tenho medo em deixar ela ir sozinha para a escola. Não sabemos o que pode acontecer nesse rápido intervalo de casa até a escola. Talvez com uma segurança maior, quem sabe perderia um pouco o medo”, diz.

Loriene fala do que o bairro precisa para melhorar a acessibilidade para os deficientes visuais. “Os passeios precisam ser mais regulares, pois quando não são, temos que ir para a rua, e na rua tem buracos e pedras, dificultando nossa locomoção. Os passeios têm pedras, fazendo a gente tropeçar e cair. Precisa também fechar as tampas de bueiros abertas”, ressalta.

Em resposta ao questionamento sobre a transferência do posto de saúde para outro bairro, a Prefeitura de Uberaba informou que a Secretaria Municipal de Saúde desconhece o assunto. “Essa informação não procede, visto que não houve nenhuma manifestação nesse sentido”, informava a resposta da PMU.


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