19/01/2017 às 20h32min - Atualizada em 19/01/2017 às 20h32min

Jovens driblam dificuldade financeira por amor a dança e a arte

Eles são puro movimento, e caras e bocas...

Mesmo sem palco, deixam brilhar a energia e frescor de uma juventude que, embora castigada pelas dificuldades sociais, não se abateu em busca dos sonhos.

E é aí, bem no desejo de um futuro melhor,  que a  Cia de Artes Meraki ganha destaque: incentivando outros jovens a lutar pelos sonhos por meio da dança e do teatro.

A palavra Meraki vem do grego, sem tradução em português, significa fazer algo com amor, criatividade e a alma. E não foi por acaso que o professor Victor Gouveia Correa Silva, 24 anos, batizou assim, o grupo no qual tenta formar dançarinos e atores. “Tinha 14 anos quando me envolvi com a dança e não parei mais; dava aulas de dança na companhia da minha ex – esposa na garagem de casa, até que um dia surgiu a oportunidade de participar de uma apresentação e foi então que percebi que tínhamos potencial para seguir com esse trabalho”.

Durante a semana, o professor Victor, formado em Educação Física, se divide entre as aulas de dança as terças e quintas-feiras numa academia da cidade, e os ensaios. As apresentações, na maioria das vezes, de forma voluntária, ocorrem aos fins de semana. “Praticamente não ganhamos nada, pelo contrário, tiramos do nosso bolso para poder fazer, sempre com a mesma paixão e capricho”.

O ritmo e as artes cênicas têm transformado a vida de alguns jovens, que antes, de conhecer o grupo, não encontravam motivação para participar de atividades culturais.

A imersão nas aulas de danças urbanas, no Hip Hop e no Axé possibilitou autoconhecimento, confiança e desprendimento dos meninos e meninas que integram a Companhia artística.

A Cia não tem um espaço próprio, usam a sala de uma academia e cada aluno contribuiu com o valor simbólico de R$ 30. “A dificuldade é muito grande de viver pela arte e ganhar dinheiro com isso, mas gostaria que os meninos pudessem viver esse momento, para a arte ganhar esse respeito; é uma caminhada lenta e longa, mas estamos estudando mais e buscando mais conhecimento para mostrar a nova geração o que não tivemos: chance de compreender como a importância de levar os estudos a sério”.

Inspiração - Luan dos Reis Apolinário, hoje tem 19 anos, mas foi aos 16, que numa festa da escola em que estudava, decidiu se aventurar em um universo até então, desconhecido. “Eu gostava mesmo era de cantar, mas arrisquei e quando vi o público gostando, fiquei emocionado, me empolguei e optei por continuar”, conta o rapaz que,  paralelamente a dança, é auxiliar operacional em uma rede de supermercados instalada em Uberaba.

Discípulo de Victor, Luan não poupa elogios ao professor. “ Ele sempre está pronto para nos ajudar, monta coreografias e dá força mesmo! Isso é importante para não desistirmos”.

Em 2015, Luan participou de um festival organizado pela Cia, que conseguiu ocupar um teatro e mostrar ao grande público o talento dos jovens dançarinos atores. “Ninguém esperava que nós seríamos capazes de dançar como dançamos, e fazer parte disso nos amadureceu muito, já participamos até de programas de TV locais; quero continuar dançando, mas vou investir nos projetos musicais, sem deixar de lado a dança, que é cultura e ainda promove a saúde do corpo e da mente, só quem participa sabe o bem que tudo isso nos faz”.

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