18/01/2017 às 21h57min - Atualizada em 18/01/2017 às 21h57min

Família de Uberaba busca ajuda para se manter e se locomover

O que te faz reclamar todos os dias? Furou o pneu do carro? Seu calçado estragou? A comida queimou? A água do chuveiro está fria? Está com preguiça de passar aquela roupa amarrotada para dar um rolê?

Pois saiba que a situação pode ser pior para uma família de idosos, moradores do bairro Abadia. Do lado de fora da casa, na calçada, o senhor Antônio Eustáquio Borba, de 66 anos, conta que aos cinco desenvolveu uma doença que ele acredita ser paralisia infantil, o que o impossibilitou de andar desde então. “Dirige” com dificuldade um carrinho que foi doado por uma senhora que veio do estado do Mato Grosso.

No quintal da casa, o irmão dele, José Ludovino Borba, de 61 anos, conta uma história mais ou menos parecida. No caso dele, uma injeção errada ainda na infância fez com que perdesse os movimentos das pernas, o que o condenou também a um carrinho, semelhante ao do irmão. “Mas isso não me abate não. Até bola eu jogo. Sou goleiro e de vez em quando ainda brinco no campo”, diz apontando para o estádio Antônio Próspero, em frente sua residência, enquanto brinca com o Rex, o animal de estimação.

Mais para dentro da casa, um casal. Dona Lindinalva Borba, de 57 anos, irmã de Antônio e José, também é cadeirante, tem dificuldade para falar, mas conta um pouco de sua rotina. “Sou eu quem faz tudo aqui. Eu cozinho, lavo e passo. Mas para pendurar a roupa no varal preciso da ajuda da minha sobrinha. É alto”, fala com um sorriso no rosto.

Nisso, é interrompida pelo senhor Sebastião Alves Vilela, 80 anos, que curioso, mas com um olhar sereno, questiona a presença da reportagem. Ele, cadeirante também, conta que nasceu com um problema nos pés, mas que não impediu que trabalhasse. Até que um acidente há cerca de 30 anos o limitou numa muleta, hoje abandonada por causa da idade. Segundo ele, que trabalhava como carroceiro, foi atropelado por um caminhão, o que causou, além da morte do animal, ferimentos nas pernas.

Quatro pessoas. Quatro vidas. Quatro histórias de superação, mas que hoje precisam de ajuda das mais diversas formas. Hoje os irmãos Antônio e José sobrevivem de doações e do que ganham pedindo na feira aos domingos. Mas o principal, para ajudar na locomoção, é o motor para acoplar nos carrinhos.

“Tem muita gente que joga muita coisa fora. Hoje o que precisamos é dos motores de mobilete. Felizmente temos uma pessoa que se disponibilizou a montar o carrinho. Mas os motores são mais difíceis de conseguir” diz, mostrando o braço que força para pedalar o veículo. Além disso, disseram ainda que precisam de todos os tipos de doações, como mantimentos, móveis e roupas.

Para encerrar, registramos a alegria do senhor Sebastião, que briga com todos que querem tirá-los de lá. “O povo vem aqui e fala que vão internar a gente. E eu te pergunto: com que direito? E quem disse que queremos sair daqui? Estamos muito felizes no nosso cantinho”.

Quem quiser ajudar com qualquer tipo de doação, essa turma mora na Rua Iguatama, 433 – bairro Abadia, em frente ao portão de entrada do campo do Atlético.


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