15/01/2017 às 07h02min - Atualizada em 15/01/2017 às 07h02min

Frequentadores querem “Piscinão” mais iluminado, seguro e arborizado

[caption id="attachment_6950" align="alignleft" width="169"]
Roberta Calheiros - Estudante[/caption]

O relógio ainda não marcou 20 horas, mas Roberta Calheiros e os amigos da turma do slackline, modalidade esportiva na qual o objetivo é se equilibrar sobre uma fita, se veem obrigados a interromper as atividades. Diversão às escuras é um tanto arriscado. “Podíamos até ficar mais tempo, mas terminamos mais cedo porque a falta de iluminação não é legal e nos prejudica, sem contar os riscos. Já ouvi gente falar que estão acontecendo muitos assaltos aqui no piscinão”, conta a estudante de agronomia.

A jovem pode mesmo ter razão. Em outubro, um grupo de pessoas foi atacado por ladrões.

Segundo registro em Boletim de Ocorrência, fizeram um arrastão, roubaram celulares e fugiram sem impedimento pelo parque de 120 mil m², onde não há câmeras de segurança e trabalham apenas um vigilante desarmado em cada uma das duas portarias principais. Ninguém foi preso.

[caption id="attachment_6949" align="alignleft" width="169"]
Gilberto Araújo Duarte - Contador[/caption]

Fim de expediente pede liberdade e ar puro. A oportunidade de fazer exercícios para melhorar a saúde e o condicionamento físico, traz o contador Gilberto Araújo Duarte, 68 anos, pelo menos três vezes por semana ao Piscinão. “Era um frequentador mais assíduo, estou vindo menos, acho que falta manutenção e benfeitorias por aqui; o jirau está rachando, não vão consertar? ”, questiona. Faz um tempo que a madeira da passarela construída sobre o curso da água está trincada.

Das 6h às 21h, o local também conhecido como Parque das Acácias, recebe milhares de visitantes diariamente. Crianças, jovens, idosos que se misturam nas pistas de caminhada e se cruzam, correndo ou passeando em direções opostas.

Passa das 18h, o policial militar Wellington Richardisson não está a trabalho. Na condição de usuário, vem sempre que pode para correr alguns quilômetros. “Sinto falta de mais opções de atividades, fico olhando para a água e imagino um pedalinho, quem sabe; mas também sinto falta de sombra para quem pratica esporte, a gente fica muito exposto ao sol”, reclama.

[caption id="attachment_6956" align="alignright" width="169"]
Wellington Richardisson, policial militar[/caption]

Não é de hoje que as solicitações são feitas e, dando uma olhada rápida no parque, dá para ver que os pedidos não estão sendo atendidos, pelo menos não na velocidade que os frequentadores esperam.

Para usar os banheiros, é preciso levar de casa papel higiênico e sabão para higienizar as mãos. A descarga sobre o vaso sanitário está presa com pedaços de arame, mas ainda funciona. Se a fome ou a sede baterem, há uma lanchonete, próxima à entrada principal. Mas é só. O outro espaço está fechado, ou quase fechado. Tentaram arrombar uma das portas. E que tal um divertido piquenique com a família? Fazer as refeições ao ar livre pode ser uma boa ideia, mas em alguns quiosques não há mais pias, porque foram arrancadas. Noutros, quando as pias estão por lá, não há água. Se vier ao parque de bicicleta, não se surpreenda se o bicicletário estiver fechado. Isso explica três ou quatro “magrelas” presas por correntes e trancadas com cadeados na tela de proteção que dá para a rua.

Mas a Prefeitura diz que aos poucos está tentando mudar essa realidade. “Infelizmente os quiosques e o local como um todo sofrem com vandalismo, gerando custos de manutenção; não podemos colocar outro ponto de comércio porque não é economicamente viável e o que está instalado lá, já atende os frequentadores”, explica Luiz Alberto Medina, presidente da Fundação Municipal de Esporte e Lazer, a Funel.

Se a falta de educação de uns penaliza outros, a falta de profissionais que têm como tarefa garantir mais segurança, gera receio. Segundo a PMU, a Guarda Municipal faz rondas diariamente, a partir das 18h30, e um guarda faz ronda no local até o horário de fechamento, assim como nos fins de semana. Para tranquilizar os visitantes, a promessa é de que durante as férias as rondas serão intensificadas.

O projeto de reforma geral dos banheiros para melhorar as condições sanitárias já existe, assim como o planejamento de reestruturar a iluminação. Não há data, mas estão na programação, é o que afirma a assessoria de comunicação da prefeitura.

Entre as atividades gratuitas tem peteca, vôlei e futsal. Em breve a PMU diz que vai implantar a zumba. O aposentado Luiz Carlos da Silva está esperando a oportunidade para dançar. “Tem que divulgar, não é mesmo? Se avisarem nos veículos de comunicação e em cartazes ou panfletos a gente fica sabendo e se anima”, afirma.

Árvores, mais árvores

Elas estão pelo parque das Acácias e timidamente dão tom de verde, principalmente quando a chuva favorece a flora. Mas ainda assim, são consideradas poucas para garantir mais sombra e proteção.

Responsável técnico pelo parque, o biólogo Paulo César Franco, lembra que o espaço é um complexo formado pelos reservatórios de retenção. “Se popularizou, ficando conhecido como Piscinão, mas o fato é que a maioria das cidades constrói esse tipo de complexo reservatório por conta de problemas com alagamento; em Uberaba, nós conseguimos conciliar os reservatórios de retenção com um parque no entorno, por isso se chama parque das Acácias”, explica Franco.

Ainda conforme Franco, para que fosse feita a obra, foi necessária uma engenharia bastante significativa, que levou a retirada de boa parte do solo. “Tem lugar lá que está na pedra bruta, nós já tentamos nesses últimos anos plantar mais de 3 mil espécies de árvores para ver qual conseguiria se ajustar”, afirma o biólogo, ressaltando que atualmente trabalha em um projeto de plantio de espécies rupestres, ou seja, do cerrado rochoso.

Paulo César Franco argumenta que a questão não é a falta de iniciativa, mas as limitações que o terreno oferece para inserção de novas espécies. “Tecnicamente temos problemas que precisam ser resolvidos, como a qualidade do solo e a deficiência de matéria orgânica, mas apesar desse déficit de árvores, 60 diferentes espécies já foram catalogadas no parque”, finaliza.

[gallery td_select_gallery_slide="slide" link="file" ids="6955,6956,6954,6953,6952,6951,6950,6949,6948,6957,6958"]
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://uberabapopular.com.br/.
Plantão
Atendimento
Envie a sua sugestão de notícia pelo PLANTÂO.