12/01/2017 às 21h20min - Atualizada em 12/01/2017 às 21h20min

SRU repudia samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense para carnaval 2017

O Sindicato Rural de Uberaba (SRU) divulgou, nesta quinta-feira (12), uma nota de repúdio em defesa ao agronegócio e contra o enredo da escola de samba carioca, Imperatriz Leopoldinense. A repercussão do samba-enredo do carnaval 2017 veio à tona na semana passada, quando o grupo divulgou a letra do enredo e os temas das alas carnavalescas.

“Será difícil compreender que tudo que se come e quase tudo que se consome vêm da agricultura e pecuária?”, questiona trecho da nota.

A publicação defende o setor responsável por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e ressalta que o agronegócio também é o responsável por manter empregos e gerar rendas.

O samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense foi criado com o propósito de enaltecer a comunidade indígena Xingu, mas acabou afetando o setor agropecuário de todo o país.

“Triste foi perceber que o Agronegócio e produtores rurais viraram os vilões do Xingu e destruidores do meio ambiente no enredo da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. Se compararmos, as áreas totais das reservas indígenas atuais correspondem a 12,5% do território nacional, em um total de 106,7 milhões de hectares. Já a agricultura empresarial brasileira utiliza apenas 70 milhões de hectares, o que corresponde a 8,75% do território nacional, usados para “alimentar” indústrias e pessoas”, repudia outro trecho da publicação do SRU.

Além da letra com a crítica à agropecuária, a escola de samba carioca terá alas com nomes como “Doenças e Pragas”, “Fazendeiros e Agronegócios” e “Chora Verde”.

Repercussão.Na última sexta-feira (6), a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) também publicou uma nota repudiando (leia aqui) o samba-enredo da escola de samba carioca. “Inaceitável que a maior festa popular brasileira seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense”, criticou trecho da nota das ABCZ.

Na internet, na página da Imperatriz Leopoldinense no Facebook, internautas também criticaram o samba-enredo deste ano. “Como tens coragem de criticar o setor agrícola, este responsável pelo maior pib nacional! Responsável pelo maior conservadorismo de apps e reservas, responsável por colocar alimento em sua mesa, vestir a sua roupa, vergonha, vergonha, vergonha”, comenta um internauta.

A reportagem do Uberaba Popularentrou em contato com a assessoria da Imperatriz Leopoldinense, que informou que “por orientação e decisão da presidência do G.R.E.S.  Imperatriz Leopoldinense não irá se manifestar a respeito”.

Veja a nota do Sindicato Rural de Uberaba na íntegra:

Em um país onde o PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio representa quase um quarto (22%) do PIB nacional, têm no setor 19 milhões de pessoas empregadas, possui o maior rebanho comercial de gado bovino do mundo, com 214 milhões de cabeças, que deve produzir na Safra 2016/17 mais de 215 milhões de toneladas de grãos e, que mesmo em crise, fechou a balança comercial brasileira em 2016 superavitária (US$ 47,683 bilhões) graças às negociações agrícolas e pecuárias, muitas pessoas ainda não entendem a importância do setor produtivo primário para tantos resultados positivos.

Será difícil compreender que tudo que se come e quase tudo que se consome vêm da agricultura e pecuária?

Como se não bastasse à falta de esclarecimento, após a virada do ano e a aproximação do Carnaval, triste foi perceber que o Agronegócio e produtores rurais viraram os vilões do Xingu e destruidores do meio ambiente no enredo da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense.

Se compararmos, as áreas totais das reservas indígenas atuais correspondem a 12,5% do território nacional, em um total de 106,7 milhões de hectares. Já a agricultura empresarial brasileira utiliza apenas 70 milhões de hectares, o que corresponde a 8,75% do território nacional, usados para “alimentar” indústrias e pessoas.

Os índios têm todo nosso respeito, fazem parte da história e os que vivem no Parque Indígena do Xingu representam isto, mas, as colocações feitas pelo carnavalesco Cahê Rodrigues no samba que levará a Sapucaí, em uma das alas, produtores rurais de chapéu e caveira no peito carregando um pulverizador e se chamará "fazendeiro e seus agrotóxicos", não foram nada feliz.

O Sindicato Rural de Uberaba vê todo o espetáculo da Imperatriz Leopoldinense com descrédito.

“Não é possível que para enaltecer um tema seja preciso destruir e desvalorizar um segmento tão positivo e fundamental para o Brasil e o mundo. É importante lembrar que as tecnologias (máquinas modernas, defensivos agrícolas e biotecnologias, por exemplo) são frutos de pesquisas desenvolvidas por grandes empresas e chanceladas/aprovadas por órgãos governamentais. Tecnologias estas que são impostas aos produtores rurais de todo o planeta para atingir os níveis de produção que a sociedade demanda.”, explica Romeu Borges Júnior, presidente do SRU.

Somos o celeiro do mundo e assim o setor agropecuário continuará, como tem acontecido nas últimas décadas, em uma jornada frequente de desenvolvimento tecnológico, crescimento econômico, preocupação ambiental e buscando a profissionalização dos homens e mulheres que vivem e trabalham no campo.


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