12/01/2017 às 20h42min - Atualizada em 12/01/2017 às 20h42min

Superlotação e conflitos entre facções preocupam famílias de detentos e agentes de Uberaba

Enquanto aguarda no portão de entrada da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em Uberaba, a vendedora de 38 anos, fuma um cigarro. Nas sacolas que carrega, diz que trouxe alimentos para o marido preso desde 2013, por tráfico de drogas, e o sobrinho, que foi enquadrado no ano seguinte, por homicídio.

Assim, como outros familiares de detentos que cumprem pena no presídio de Uberaba, ela tem medo de que os conflitos entre facções, que têm ocorrido na região norte do país, também sejam registrados por aqui. “A violência pode acontecer aqui também, meu marido já está até no tempo de sair, mas o processo é lento porque tem muita gente na frente, quem está do lado de fora esperando não sabe o que pode acontecer lá e tem receio”.

Superlotada com mais que o dobro da capacidade limite, a penitenciária construída para abrigar 698 presos, tem atualmente mais de 1.500 detentos. O número de agentes penitenciários é 260, segundo o SINDASP, Sindicato dos agentes penitenciários, o número ideal para atender com segurança as demandas da população carcerária seria 690.

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Willian Domingos[/caption]

Willian Domingos, advogado que representa o SINDASP, diz que a situação nos presídios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba não difere muito de regiões marcadas por conflitos. “A superlotação é uma condição degradante e que leva a esse tipo de comportamento”.

Recentemente, por conta de uma ação movida pelo Sindicato que representa os agentes, a situação da unidade prisional de Uberaba foi parar no Ministério Público. “Não temos equipamentos suficiente, nem profissionais para atuar especificamente em situações de maior risco; trabalhamos sob pressão e mesmo assim, temos conseguido evitar problemas maiores como fugas e outras questões, mas não é uma tarefa fácil; sabemos da presença de integrantes de facções criminosas por aqui, pois eles são monitorados pelo Ministério Público”, conta Juscelino Maktub, agente penitenciário. O monitoramento a que o agente se refere é feito pelo GAECO, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, que já realizou diversas operações na região do Triângulo Mineiro.

Na última semana, o governo federal anunciou o investimento de R$ 800 milhões na construção de 5 novas unidades prisionais e ainda investimentos em equipamentos e aprimoramento da segurança.  Mas especialistas acreditam que essas unidades não terão impacto significante no problema do sistema prisional dos Estados.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional informou que proporcionalmente Minas Gerais tem 1 agente penitenciário para cada 4 detentos, o que está próximo do indicado, que é de 1 agente para cada 5 detentos. A Secretaria lembrou ainda, que em novembro do ano passado, entregou 192 Kits com pistolas e coletes balísticos com objetivo de ampliar a proteção dos agentes e que mantém um canal de comunicação aberto com todos os servidores do sistema prisional.


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