05/01/2017 às 20h56min - Atualizada em 05/09/2018 às 16h22min

A tradição das Folias de Reis: “Vem beijar a nossa bandeira e escutar a cantoria”

“A fé e essa tradição que me emociona, me mantém na Folia de Reis”, afirma Cacildo Alves dos Santos que há 56 anos se dedica a celebrar os três Reis Magos: Belchior, Baltasar e Gaspar. Capitão da Companhia Três Reis do Oriente, Cacildo começou aos 12 anos acompanhar a Companhia de um tio e não parou mais. Há mais de uma década tem sua própria Companhia, que não deixa de visitar lares e levar os cantos em homenagem aos três reis em nenhum mês do ano.

A Folia de Reis é uma festa popular de caráter religioso (católico), considerada também como folclore, ela é realizada entre o período do Natal até o Dia de Reis, comemorado no dia 6 de janeiro. Na Folia de Reis, grupos organizados de pessoas, as Folias, saem pelas ruas da cidade, visitando as casas e tocando músicas populares e entoando cantos religiosos em homenagem aos reis magos e ao nascimento de Jesus. Em Uberaba a tradição das Folias de Reis acompanha a história da cidade, com Companhias que existem há mais de 140 anos, e um registro de 160 Companhias de Reis. Com os anos de manifestação em Uberaba, das Folias de Reis na cidade transformaram-se na maior manifestação de cultura popular, motivo que torna Uberaba a capital da Folia de Reis.

Mesmo com a forte tradição, os foliões mostram-se preocupados com o futuro das Folias de Reis. “Em longo prazo deve acabar, pois não tem seguimento, não tem renovação. Os jovens não se interessam mais”, sentencia Cacildo.

Doceiros acompanham as tradicionais Festas de Reis

Sempre presentes nas Festas de Reis, os doces são uma tradição indispensável nas celebrações aos reis Magos. Dos tachos de cobre no quintal de casa ao maquinário industrial, José Humberto de Oliveira solidificou junto aos familiares, a empresa Doces Caseiros Mineiro, que hoje não só é conhecida como referência na fabricação de doces, mas como uma grande empregadora da cidade.

José Humberto, que de formação é protético, começou cedo sua lida com o trabalho, quando ainda criança em Campo Florido, pediu para que um marceneiro fizesse uma caixa para engraxar sapatos. Com ela nas costas, fixava-se em pontos onde circulavam muitos viajantes, saía de lá só a noite, com graxa até na testa, que era removida com muito esfregão de bucha dado pela saudosa mãe, Maria José que, com o marido Laureano, começou a fazer os doces. No início dos anos oitenta, já em Uberaba, Maria José fazia os doces, com ajuda de irmãs e cunhados, e José Humberto tratava de vendê-los, de porta em porta, conciliando com o trabalho de protético, em Ribeirão Preto. As vendas foram aumentando e José largou os moldes dentários para se dedicar aos doces. Ao lado da sempre companheira Fátima e da sua irmã, Maria dos Reis (que leva o nome por conta dos Reis Magos) construiu com muita luta a fábrica de doces. Ainda hoje, ao passar pela fábrica, localizada no bairro Abadia, é possível ver José Humberto descascando laranjas ou goiabas, ou mesmo carregando e descarregando caminhões, mostrando porque construiu seu legado.

Neste mês de janeiro, a Doces Caseiros Mineiro fornece centenas de quilos aos festeiros de Santos Reis. A família de José Humberto, já na terceira geração na lida com os doces, permanecerá, assim como a tradição das Folias de Reis. Com a força, perseverança e fé da festa em louvor aos santos Reis e de quem a faz.


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