25/12/2016 às 20h16min - Atualizada em 25/12/2016 às 20h16min

Juvercina

O Retratos da Rua de hoje é uma homenagem póstuma à uma mulher que eu conhecia muito bem. Peço licença aos colegas do Uberaba Popular para contar um pedacinho da história da D. Juvercina, a minha avó.

É difícil se acostumar com a ausência tão presente de alguém. Ausência porque no dia seis de janeiro de 2014, o corpo cansado pediu descanso e o plano físico se fez desnecessário. Ela partiu no dia dos seus santos de devoção, os Três Reis Magos, provando o quanto era especial. Presente porque D. Juvercina consegue se fazer lembrada em quase tudo que vejo, o que falo e, sobretudo, no que sonho.

É dela que, mesmo quase três anos após a sua morte, consigo buscar forças para continuar lutando por tudo o que acredito.

Na véspera de Natal, não haveria melhor lugar para estar do que na capela, erguida por ela com tanto sacrifício, para homenagear os Três Reis, no Loteamento São Basílio.

Quando cheguei à missa, uma das primeiras frases do Padre Darío foi “lembrar de quem nos deixou” e pronunciou o nome da vovó com seu sotaque colombiano.

A capela, simples e modesta, retrata bem a personalidade da D. Juvercina. Convicta da sua fé e persistência, o local é só mais um dos trunfos de uma mulher que casou aos 14 anos, deu à luz a 11 filhos, enterrou 2 e antes de morrer pegou no colo o fruto da sua quarta geração.

Uma mulher tão à frente do seu tempo que não negava colo a ninguém, nem broncas ou comida. Ela compreendia tudo, quando explicado, e se fazia de desentendida quando necessário.

Por mais difícil que fossem os momentos, o sofrimento não ofuscava o brilho dos olhos, o maior e mais bonito que já vi. Olhos por onde ela deixava escapar todos os sentimentos: raiva, decepção, tristeza, orgulho, alegria e travessuras.

O meu desejo neste Natal é de que ela, onde quer que esteja, saiba que não há um dia que eu vá dormir sem agradecer tudo o que ela me deixou como herança e que divido com vocês.

Dona Juvercina, não é só o Retratos da Rua, mas o retrato de uma vida construída com amor e incontáveis sonhos. Num deles, entrei ontem, cheia de orgulho.

Feliz Natal!

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