10/12/2016 às 20h05min - Atualizada em 10/12/2016 às 20h05min

Aposentada pede ajuda para reformar casa

Uberaba tem pouco mais de trezentos mil habitantes e ao longo dos seus 196 anos foi abraçada pelo desenvolvimento e vem crescendo gradativamente, com mais de 175 bairros e com previsão de novos lançamentos.

A construção desenfreada de casas e prédios reduziu o espaço das antigas residências. Aquelas bem simples com quintal grande e pomar no fundo.

Quem passa pela rua Alfén Paixão, no bairro Mercês, mesmo que na correria diária, uma mulher de cabelos grisalhos se destaca neste cenário. Cercada por prédios e casarões modernos ela e a casa onde mora parecem ter saído de um filme da década de 60.  A figura singela, de mais ou menos um metro e meio de altura, está sempre com o olhar fixo na rua. Ela conta que fica ali para acompanhar o movimento para ver os carros passarem pela manhã, enquanto descansa após varrer a calçada.

Essa figura carismática é mãe, avó e uma sobrevivente em meio à cidade de concreto. Com olhar profundo, ela traz no rosto as marcas das amarguras da vida.

Benedita Alves de Oliveira, de 75, ficou viúva, perdeu um  filho  e  continua na luta pela sobrevivência. Ela mora no mesmo lugar há 60 anos. A casa, herdou do avô e, por anos, dividiu o espaço com a mãe já falecida.

A única preocupação da aposentada é de que a casa caia. A situação da construção é precária. Com a renda da aposentadoria ela não consegue reformar o imóvel. A preocupação é tanta que ela mal consegue dormir à noite.

Dona Benedita já teve a triste experiência de ver a casa cair por duas vezes. “Há trinta anos, a casa aqui era feita de adobe (forma rudimentar de alvenaria) e não resistiu às chuvas fortes e boa parte dela foi ao chão. Naquela época tudo era muito diferente. Os vizinhos eram como irmãos e foi com a ajuda deles que eu consegui reconstruir o que foi perdido. Hoje em dia isso não é possível mais. Os amigos do passado se foram e não tenho a quem recorrer.

Solitária, dona Benedita faz uma constatação triste sobre a situação que vive. “Tanta beleza à minha volta, mas falta o principal: a camaradagem, a amizade entre vizinhos. Estamos isolados. Antigamente era uns pelos outros, uma amizade pura e muita solidariedade”

Benedita faz um apelo à sociedade. “Eu não tenho condições de   reformar. Queria muito que algum empresário ou até mesmo uma pessoa de bom coração me ajudasse a não perder minha casa”.

A aposentada e sua casinha são um símbolo da resistência em meio ao crescimento desenfreado dos grandes centros e qualquer ajuda é muito bem-vinda.


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