07/12/2016 às 19h07min - Atualizada em 07/12/2016 às 19h07min

O permanente valor da vida

O permanente valor da vida: como a eterna arte cinematográfica de Frank Capra toca nos sentimentos mais profundos da nossa sociedade

Existem múltiplos agentes que fazem a arte ser bela e fascinante! Ela é única para cada indivíduo, pode ser transformadora ante uma sociedade, e pode variar com o tempo de acordo com as várias culturas humanas. Talvez um elemento que possa definir (se isso é possível) a arte é que ela é eterna. Ela sobrevive mesmo depois de 70 anos de existência e uma prova sensível dessa afirmação está na inalterável obra de Frank Capra, A Felicidade Não se Compra.

O clássico natalino do premiado diretor é até hoje considerado como um dos mais belos filmes já feitos. A obra não trata de tensão, conflitos ou cenas cujo objetivo é fazer chorar, é antes um filme em que os elementos humanos mais básicos estão presentes: o amor, a honestidade e a verdadeira solidariedade. George Bailey (James Stewart) é dono de um banco que se distancia do normal, diferente dos outros, tinha o objetivo de ajudar as pessoas emprestando dinheiro sem que lhes fossem cobradas com juros. É o distinto jovem que almeja crescer na vida, mas ao mesmo tempo fazer do mundo um lugar melhor. Desde muito cedo, George já se mostrava um praticante das boas ações, como quando era criança e evitou que o farmacêutico e também seu chefe trocasse um medicamento que seria dado a uma criança. A narrativa nos entrega diversas passagens que definem a figura de um ser bondoso e completamente solidário, mesmo o próprio George negando por indefinidas vezes.

Contudo, em um tenaz momento de sua vida, nosso protagonista resolve se matar, e é aqui que a obra dá início ao que realmente pretende abordar. Com relativo humor o filme tece críticas sociais bastante contundentes. Não há um estilo narrativo em que tal crítica surge de forma profunda e clara, na realidade, os temas vão sendo discutidos de uma forma não convencional. O texto construído de caráter simples, mas glorioso, vai sendo entregue ao espectador que o toma de forma integralmente inconsciente. Pouco antes de se matar, George é visitado por um anjo, e o homem muito abalado diz ao ser sobrenatural que o melhor seria nunca ter nascido. Nesse momento a parte fantasiosa, mas igualmente poderosa, do filme se concretiza e a poesia toma conta da tela. George entra em uma realidade em que ninguém o conhece, já que ele nunca existiu, e é neste lugar que o protagonista compreende o quão sua vida é importante para tantas pessoas.

Tudo funciona muito bem em A Felicidade Não se Compra, das incríveis interpretações de todo o panteão de atores, até o roteiro elogiado ao redor do globo, passando, é claro, pela caprichosa e impecável direção de Frank Capra. A obra, num primeiro momento, pode não ter sido recebida da melhor forma em seu período de produção, e por mais que fale do seu tempo e espaço, Capra concebeu um tipo de arte que deve durar e falar por muitas décadas. Num mundo capitalista como o da década de 1940, que enfrentava o pós-crise de 1929, Capra propõe uma reflexão acerca do verdadeiro valor da vida. A história de George constrói uma belíssima crítica contra a ambição e a incessante caçada da riqueza e a exploração de pessoas. O filme de Frank Capra, definitivamente, faz uma homenagem substancial do que pode ser a vida.


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