07/12/2016 às 22h22min - Atualizada em 07/12/2016 às 22h22min

Profissão Papai Noel

José Luiz Kaianek, 71, “descobriu-se” Papai Noel por acaso. “Deixei um cavanhaque, uma amiga notou que, caso deixa-se a barba toda, ficaria igual ao Papai Noel”. A ideia animou José Luiz que, não só deixou a barba, mas procurou um local onde pudesse trabalhar como o próprio. Acabou na agência Bafafá, de São Paulo, sua cidade. “A agência me mandou para as ruas no primeiro ano, trabalhei na Avenida Paulista e em lojas do centro. Foi só após três anos que fui para o shopping”, conta Kaianek, ilustrando a graduação que os aspirantes à Papai Noel precisam passar até poderem ganhar um pouco mais.

O ex-borracheiro, José Sebastião de Faria, 69, trabalha como Papai Noel há quatro anos e disse que procurou o caminho após se aposentar, pois achava que tinha jeito com a criançada. “Amo o Natal e as crianças. Gosto de ouvir o que elas têm pra dizer, assim, devido aos meus cabelos brancos e a semelhança, deixei a barba e me ofereci para trabalhar como Noel”, explica José Sebastião, que deixa a barba por dez meses para atingir o tamanho ideal e é agenciado pela Set Models, agência de Uberlândia. A barba natural, assim como o cabelo grande, valoriza a contratação. “Barba postiça é mais barato”, explica.

Existem os que atuam como Papai Noel fora dos shoppings, como é o caso do psicólogo e palhaço Xeroso, que há quinze anos encarna o velhinho de barbas brancas no final de ano. A bordo de um conversível com direito a chofer, Xeroso atende empresas e residências. “Uso lentes de contato, barba importada, roupas de veludo, descoloro no salão a sobrancelha para direcionar o melhor que posso e para realmente encantar as crianças com o máximo de originalidade”, conta.

Tem também quem realiza um trabalho social amparado na figura do Papai Noel. Quando acompanhava a mãe durante tratamento contra o câncer, o publicitário Gustavo Garcia Silva teve contato com grupos de voluntariado que atuavam no hospital. Percebeu, durante o tempo em que a acompanhou, a importância do trabalho dos voluntários. Iniciou, assim, seu trabalho como voluntário, primeiro ajudando na distribuição de caldos, depois se vestindo de Papai Noel e levanto um pouco de carinho às crianças que ali estavam em tratamento. “Conheci um garoto chamado Erick, que estava com um tumor na cabeça. Infelizmente esse tumor lhe tirou a visão. Como Papai Noel, visitei o Erick e perguntei o que ele gostaria de ganhar no Natal. Ele queria apenas voltar pra casa. Foi impactante”. Além dos hospitais, Gustavo faz visitas às escolas rurais, onde leva presentes e doces para as crianças, sem nenhum custo.

Seja para uma renda extra no final, por vocação ou mesmo por doação, encarnar a figura do Papai Noel é ato de entrega. Os bons velhinhos encaram longas rotinas. Eles evitam circular pelo shopping e precisam de horários certos até para alimentar-se ou ir ao banheiro, sobretudo nos dias de grande movimento, para preservar a fantasia e não serem “flagrados” por alguma criança enquanto almoçam ou usam o banheiro.

Independente da crença ou da crítica ao consumismo, a figura do Papai Noel ainda é ainda lembrada como mensageira do Natal. É um símbolo de pureza na inocência das crianças e ainda muito querida.


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