07/12/2016 às 21h24min - Atualizada em 07/12/2016 às 21h24min

Empresário propõe a criação de Guarda Municipal Rural

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Lei já existe e só precisaria de emenda, diz Bolão[/caption]

Cansado de acompanhar notícias de roubos e violência na zona rural, o empresário e ex-vereador José Ronaldo Maciel, o Bolão, que também já foi vítima, propõe a criação da Guarda Municipal Rural.

Ele ressalta que, para isso, não é preciso criar uma nova lei. “A lei já existe, o que seria feito é uma emenda, como fiz quando vereador, criando a Guarda Municipal Feminina, com emenda que determina que 20% do efetivo seja feminino”, lembra. “O prefeito está preocupado em atender a área rural, mas hoje não tem pessoas competentes para cuidar da segurança rural, por isso poderia implantar a Guarda Municipal Rural, vou procurá-lo e apresentar a ideia”, continua.

Bolão, que é dono de um restaurante no bairro rural de Santa Rosa, foi vítima da onda de crimes. “Roubaram tudo no meu restaurante em uma noite. Os bandidos viraram as câmeras da escola, cortaram o fio do radar, cheguei no outro dia e tinham levado tudo”, conta. “Os criminosos da zona rural já estão roubando caminhões inteiros de gado. Eles esperam encher de gado, chegam no meio do caminho, tomam e vão embora. Morar na zona rural está difícil e para quem mora na cidade e vai para o campo também. A ida é perigosa, a estada é perigosa, a volta é perigosa, não tem nenhuma proteção”, desabafa.

Para o empresário, o policiamento “não tem que circular, e sim estar”. Ele sugere que a Guarda Rural tenha uma base e uma viatura em cada uma das 12 comunidades rurais da cidade. “De imediato poderia começar com seis. O bandido pode até entrar, mas não vai sair. Com a comunicação entre as bases, teria um cerco ao bandido”, acentua.

O empreendedor vislumbra a formação da Guarda Municipal Rural. “A Polícia faz um bom trabalho, um ótimo trabalho onde comparece, mas Uberaba tem mais de cinco mil quilômetros de estradas vicinais, eu conheço como ninguém todo o município, cobrir com pouco efetivo é impossível. Então tem que se formar uma Guarda com capacidade técnica, agentes que conheçam as estradas da região, os atalhos. Enquanto a primeira turma é formada, tem que fazer um mapeamento para ganhar tempo”, explana.

“O bandido não precisa confrontar. Ele chega e amarra, porque sabe que na fazenda não tem arma. Se o fazendeiro não pode ter arma, tem que ter uma proteção real, é direito dele por lei”, conclui Bolão.


Fazendeiros relatam roubos

O Uberaba Popular ouviu produtores rurais que já foram roubados. Sem se identificar, os entrevistados contam que vivem em constante sensação de insegurança. Eles narram que já tiveram gado, defensivos agrícolas e até tratores e outros maquinários pesados furtados. “Os ladrões vigiam, ficam de olho, quando a propriedade fica sozinha, de dia ou de noite, eles aproveitam”, disse um fazendeiro. “Aqui eles arrombaram o galpão onde guardo os defensivos, o prejuízo foi grande. Todos os vizinhos já tiveram prejuízo. Roubo de gado também está frequente, às vezes o pasto é afastado e quando você volta vê que está faltando algumas cabeças”, completa.

Outro entrevistado afirma que em uma fazenda vizinha, recentemente, os donos, além do prejuízo, ficaram com o trauma por serem agredidos. “Amarraram o casal de idosos e não quiseram só roubar, mesmo sem reação dos donos, bateram neles. Não podemos ter armas, mas a vontade é fazer justiça com as próprias mãos. A verdade é que estamos à mercê dos bandidos”, finaliza.


Área extensa e poucos homens

A reportagem do UP também falou com representantes das polícias Militar e Civil, e as declarações de ambos são idênticas. O problema é que a área rural é muito extensa e são poucos os homens disponíveis.

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Comandante pede “união de forças” para coibir crimes[/caption]

A Polícia Militar fica por conta do patrulhamento “só” no município de Uberaba, cuja área rural tem cerca de cinco mil residências. Já a AISP (Área Integrada de Segurança Pública)/Rural da Polícia Civil atende Uberaba (englobando comunidades como Ponte Alta, Capelinha, Palestina e Santa Fé) e também as cidades de Delta, Água Comprida e Veríssimo, além dos estabelecimentos nas rodovias e do distrito industrial 3.

A Polícia Civil conta com três investigadores da Aisp Rural, enquanto a Polícia Militar tem 15 policiais e três viaturas na Patrulha Rural.

Segundo o comandante do 4º Batalhão da PM, o tenente-coronel Waldimir Soares, em breve a Patrulha Rural deve ser reforçada, já que está sendo formada uma nova turma de policiais, que começa a “estagiar” em dezembro. “São 208 alunos que serão formados no início do ano que vem, nem todos concluem, mas por volta de 30% devem ir para a Patrulha Rural”, informa.

Também chegarão novas viaturas, alugadas pelo Estado. “Hoje, em caso de avarias nas viaturas, o conserto demora por causa da burocracia de licitação. Com o aluguel, uma nova viatura tem que estar pronta em 24 horas. Tendo quatro viaturas na zona rural, vamos dividir a região em quatro quadrantes, cada uma com um sargento responsável”, explica o militar.

O comandante e também o delegado da Aisp Rural, Diego Paganucci, confirmam que os crimes mais comuns na zona rural são roubo e furto de gado e de defensivos agrícolas. Muitos seriam cometidos por invasores (sem-terra). A distância do rebanho para locais habitados e a calada da noite são aliados dos ladrões. “Há muitos casos em que uma ou duas reses são abatidas no pasto e ali mesmo limpos e cortados, só deixam a carcaça. No caso dos defensivos, o receptador revende em outra região e o produtor rural, seja por falta de conhecimento ou oportunismo, acaba comprando”, afirma o delegado.

Os representantes dos órgãos de segurança destacam a importância de uma “rede de vizinhos” entre os moradores da zona rural. Há relatos de casos elucidados e crimes que foram evitados devido a comunicação entre os produtores rurais e a polícia. “Temos que envolver todas as cidades da região nesse patrulhamento rural, o bandido que está na cidade vizinha pode estar na sua fazenda amanhã. Temos grupos formando uma rede de troca de informações, não só pelo 190, mas via aplicativos e redes sociais. Quanto mais rápido a informação e quanto mais gente envolvida, melhor. Qualquer movimentação estranha, qualquer veículo ou pessoa desconhecida circulando, já informa e consulta a situação do veículo, por exemplo”, assinala o tenente-coronel Waldimir.

O comandante e o delegado ainda pedem a integração entre outros órgãos. “O IMA, por exemplo, deveria ter um controle mais rigoroso, sou a favor de um cadastro nacional ou estadual de cada gado. Já aconteceu de encontrarmos gado de origem duvidosa, mas não conseguir saber quem é o proprietário”, comenta Paganucci. Visão compartilhada pelo PM: “A área rural é extensa e pouco mapeada, deve haver uma união de forças para a prevenção do crime. Por exemplo, a Vigilância Sanitária ajuda se fiscalizar a origem das carnes nos açougues”.

Para encerrar, o delegado dá uma dica. “A Aisp está aberta para o produtor que deseja levantar informações sobre um possível empregado, às vezes a pessoa está contratando alguém com mandato de prisão em aberto”.

A Secretaria de Defesa não tem, “separados”, dados sobre ocorrências na zona rural.


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