07/12/2016 às 21h17min - Atualizada em 07/12/2016 às 21h17min

Problemas psicológicos afastam professores das salas de aula

Problemas psicológicos e comportamentais estão entre as principais causas de afastamento por doença dos professores da rede municipal de Uberaba neste ano. Segundo recente pesquisa do Sindicato dos Educadores do Município de Uberaba (SINDEMU) junto ao Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Uberaba (IPSERV) consta que a maioria das pessoas afastadas por motivo de doenças é do quadro do magistério. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), profissões da saúde a da educação estão entre as mais desgastantes gerando alta incidência de licença por afastamento. A pesquisa que mostra o retrato do educador brasileiro, feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores, revela que cerca de 20% dos professores pediram afastamento por licenças médicas.

O professor e presidente do SINDEMU, Adislau Leite, afirma que são diversos os motivos que estão levando os professores a adoecerem. “Carga horária excessiva, pois como o salário não é compatível tem que trabalhar em dois e até três turnos; condições de trabalho não são cem por cento adequadas em todas as unidades escolares; assédio moral; falta de respeito por parte de alunos e às vezes pelos pais e/ou responsáveis; exercício da função em local distante”. Neste caso tendo às vezes que atravessar a cidade de um extremo ao outro, pois a Secretaria Municipal de Educação não tem um zoneamento para atender de forma mais acessível aos servidores.

Contudo, não se trata de um problema presente apenas nas escolas públicas. A situação é mais comum nas instituições que possuem precárias instalações, falhas no processo administrativo, forte pressão das autoridades e dificuldades nas relações interpessoais, contudo, situações como a mercantilização do ensino e o acirramento da disputa entre as escolas da rede particular de ensino estão complicando a vida dos docentes que trabalham no setor privado. Professores estão adoecendo por conta do mal-estar provocado pelo sentimento de opressão, seja de inquietude relativa a um futuro incerto, ao medo de ser a qualquer momento agredido e pelas incertezas de um presente ambíguo.

Durante a composição dessa matéria, diversos professores foram procurados para dar seu depoimento quanto ao afastamento da sala de aula. Poucos quiseram falar e todos pediram para suas identidades serem mantidas em sigilo. O psicólogo clínico João Flávio Thomazzelli afirma que o receio de serem identificados como alguém doente e os julgamentos (psicofobia) que os acompanharão intimidam qualquer busca por ajuda. “Muitos professores sofrem com o desgaste de cargas horárias excessivas, além de cobranças de superiores e pais de alunos. Além do mais, toda a pressão institucional se soma a indecisões sobre o futuro profissional e questões de ordem pessoal. Tendo em mente esta constante cobrança com o “saber lidar”, muitos profissionais evitam falar sobre seus problemas, entre a classe ou com psicólogos e psiquiatras”.


Depoimentos

“Lecionei por quatro anos, no quarto ano, já estava em situação de stress, quando perdi a compostura um dia em sala de aula. Cheguei a bater a cadeira no chão. Depois daquele dia comecei a somatizar, a ter pesadelos, nas semanas seguintes meu estresse se elevou ao máximo e isso foi se alastrando pela minha vida pessoal. Todo dia tornava um grito em uma dor de cabeça, desenvolvi gastrite nervosa, agora recentemente estou quase curado, mas ainda tomo medicamentos. Não consigo dar aulas mais.” G.F, 38 anos. “Não aguentei a pressão das pedagogas de trabalhar com alunos que não queriam nada. Fiquei dependente de remédios, estava descontrolada. Cheguei a surtar e quebrar o carro do meu pai, então fiquei internada uma semana em uma clínica. Voltei e fui remanejada, não estou mais em sala de aula e faço acompanhamento na Casa do Servidor.” F.C, 39 anos.
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