30/11/2016 às 18h18min - Atualizada em 30/11/2016 às 18h18min

Aumenta o número de casos de HIV em Uberaba

1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta contra a Aids e, nesta quinta-feira, das 8h às 12h, o Centro de Testagem e, nesta qui Aconselhamento (CTA), em parceria com a Gerência Regional de Saúde, oferecerá  teste rápido, orientação e distribuição de preservativos e, durante toda a tarde uma unidade móvel ficará na Rua Marechal Deoodoro, na porta do CTA prestando atendimento rápido. Das 19h às 22h, a unidade móvel ficará estacionada na Praça Concha Acústica, realizando testes rápidos, distribuição de preservativos e fornecendo orientações.

Em entrevista ao Uberaba Popular, a gerente do Programa Municipal de DST/Aids e Hepatites Virais, Maria Clara de Vasconcelos Afonso, explicou que o trabalho desenvolvido atualmente em Uberaba vai de encontro ao slogan deste ano, estipulado pelo Ministério da Saúde que diz  Aids: O maior perigo é não saber. "A gente vai trabalhar a prevenção e incentivar as pessoas a fazer os testes e HIV, vivemos um momento preocupante. Os números voltaram a crescer principalmente nos grupos de jovens e homossexuais".

Maria Clara lembra que a doença mata e que ela acarreta uma série de outras doenças. "Quando a agente fala em prevenção temos que alertar que a AIDS é uma doença que mata, ela   é crônica, mas se não for tratada pode provocar a morte dos pacientes. Por que além dela os pacientes são acometidos de uma série de doenças oportunistas que acabam enfraquecendo o corpo e fazendo com que este paciente venha a óbito".

O uso da camisinha como preservativo para homens e mulheres ainda é um dos procedimentos mais seguros para evitar a doença. Infelizmente, a facilidade do tratamento e a disponibilidade de medicamentos gratuitos fizeram com que os jovens tivessem uma visão deturpada da importância de se evitar o contágio.

”Os jovens deixam de usar camisinha porque na cabecinha deles  passa o seguinte pensamento: se tem tratamento gratuito desde o exame ao tratamento, por que me preocupar em usar a camisinha?  E a mudança em relação ao uso do preservativo nos preocupa muito. Em qualquer relação sexual ou para qualquer pessoa que tenha uma  vida  sexual ativa, a preocupação com uso do preservativo deve ser constante para se proteger não só da AIDS mas de outras doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres, principalmente as mais jovens, tomam o anticoncepcional mas esquecem do preservativo. É importante que elas tenham a consciência de que o preservativo deve fazer parte das suas vidas", desabafa Maria Clara.

A mudança de comportamento dos grupos de risco e a regra implantada em 2013 pelo Ministério da Saúde para computar as notificações dos casos de AIDS, contribuíram para o aumento nos números.

Antes eram notificados os casos em que o paciente já havia manifestado os sintomas da doença e dado início ao tratamento. Agora, são notificados também os casos em que a doença ainda não se manifestou, mas que fica constatado que o paciente é portador do vírus HIV. A partir desta mudança, houve um aumento muito significativo nos casos.

Em 2015, foram notificados 98 casos em adultos. Até agora,  foram notificados são 295 casos.

Segundo o departamento de comunicação da Prefeitura de Uberaba, esses dados não significam um surto. Com as novas regras do MS, pacientes que já portavam o vírus HIV, mas não a doença, foram incluídos na lista de notificações, contribuindo para o aumento no número de casos.

Brasil. Nesta quarta-feira (30), véspera do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, o MS informou que  o número de novas infecções por HIV não tem diminuído no país. São mais de 41 mil novos casos por ano, total que se mantém estável há bastante tempo. Para piorar, dos 827 mil brasileiros que hoje convivem com o vírus, 112 mil desconhecem a sua condição.

A boa notícia é que a taxa de detecção da Aids em crianças com até 5 anos apresentou uma queda de 36% de 2010 para cá, no Brasil. A mortalidade por Aids também vem apresentando queda – se em 1995 havia quase 10 mortos para cada 100 mil habitantes pela doença, em 2015 foram 5,6. Mas ainda há muito motivo para preocupação. Existem 372 mil soropositivos sem tratamento para controlar o HIV, o que eleva a chance de transmissão para outras pessoas. A maior parte sabe que está infectada, mas não tem coragem de aceitar a condição. Os dados mostram que garotas e jovens gays de populações mais excluídas continuam os mais vulneráveis à doença, pela falta de acesso às estratégias de diagnóstico e prevenção, algo que deveria ser reforçado nas escolas e nas mídias sociais. Enquanto isso não mudar, a epidemia não vai ceder.
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