30/11/2016 às 17h00min - Atualizada em 30/11/2016 às 17h00min

Alunos se sentem prejudicados com ocupação

Após um mês de ocupação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), o Uberaba Popular conversou com alunos que não aderiram ao movimento, que tem como objetivo protestar contra a PEC 55, que limita os gastos públicos por até 20 anos.

Os entrevistados relataram o receio de perder o trabalho de um semestre. Muitos têm provas em diversos processos seletivos, que não tiveram suas datas alteradas. A maioria dos entrevistados acha a decisão de manter a ocupação arbitrária e não concordam com o fato de impedir alunos, professores e funcionários de estudar e trabalhar.

Aluno do curso de Medicina, Pedro Carvalho Furtado, analisa que o movimento está sendo liderado por pessoas com interesses próprios. “O problema se inicia com a amplitude das decisões de um movimento, que realiza manobras para favorecimento de ideais próprios, como foi quando da decisão de ocupar o prédio numa assembleia em que esta pauta não estava elencada e que, claramente, não representa o desejo da maioria dos alunos, que não comparecem às reuniões por diversos motivos estudos, trabalho, estágio e horário”.

Para Weisiana Santana de Castro Paiva, do curso Educação Física, a preocupação é com o calendário. “Estou no último período do curso, prestando provas de mestrado e residência que não estão participando da greve e as data do processo seletivo permanecem sem alterações, caso eu passe em uma dessas provas, como fica minha situação, pois faltam 4 matérias muito importantes para eu finalizar a graduação. Acho necessário greves, mais dessa forma que está acontecendo não”.

Também aluno curso de Educação Física, Vitor Fidel Severino e Souza disse que a ocupação fere o direito dos alunos  e espera que a justiça consiga reverter a ocupação. “Estou no meu último período e, em teoria, me formaria neste ano, estamos chegando a um mês desde que alguns indivíduos decidiram arbitrariamente ocupar o espaço do CE, vilipendiando nosso direito conquistado legitimamente pelo vestibular de atender às aulas na UFTM de nossos respectivos cursos, esperamos que a justiça seja feita e voltemos o mais rápido possível”.

A preocupação de Camila é ainda maior. Aluna do curso de Geografia, ela lembra muitos alunos não são de Uberaba e os gastos extras originados pela reposição das aulas podem comprometer o orçamento de muita gente.  “Muitos de nós moramos em outra cidade, queremos terminar o semestre pra poder passar com a família ou até ir pra casa e aproveitar o fim de ano. Tem famílias que não tem condições de sustentar os filhos em Uberaba, nos impedir de continuar o semestre é cruel, muitos ali nem vão a aula em dia normal, sem problemas, é direito deles, mas também é direito meu terminar o semestres quando tem professor querendo dar aula”.

Ana Lúcia de Assis Simões, reitora da universidade, informou que os professores que não aderiram à grave estão ministrando aulas em outros espaços, como a biblioteca e o auditório. Ela acredita que com a votação no Senado, no dia 13 de dezembro, o movimento seja revisado. “Pelo que tenho percebido, as votações podem fazer com que o movimento perca força ou seja revisto pelos manifestantes.”

Em relação às aulas, Ana Lúcia diz que precisa ter a reunião do Conselho de Ensino para ver se o calendário será ou não suspenso. Caso seja suspenso, os alunos terão que repor as aulas perdidas.  Ao todo, onze cursos foram atingidos pela ocupação.


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