01/09/2016 às 18h44min - Atualizada em 01/09/2016 às 18h44min

Depressão tem avaliação gratuita na rede pública

Doença que vem ganhando mais espaço na mídia, principalmente para combater e tratar, a depressão necessita de tratamento médico permanente. Mas como fazer esse acompanhamento sem o recurso financeiro adequado?

A rede pública municipal disponibiliza tratamento gratuitamente. O psicólogo e diretor de atenção psicossocial da Secretaria de Saúde, Sérgio Henrique Marçal, explica que o primeiro passo a se dar é a passagem pela Atenção Básica – os postinhos de saúde nos bairros – onde será feita a avaliação médica. Nem todos os pacientes são encaminhados para a URS (Unidade Regional de Saúde) ou CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Um novo serviço, implantado há cerca de um ano e meio, é o matriciamento básico – onde o paciente é avaliado por uma equipe médica, com o apoio de um psiquiatra (que percorre as unidades das áreas já definidas); se o caso for simples, ele é tratado na Atenção Básica, se for complexo, é direcionado para a fila eletrônica e atendido em uma das URS – São Cristóvão e Boa Vista.

São cinco psiquiatras para as duas URS. Por mês, fazem mil consultas, informa Sergio. Se o caso do paciente for mais grave, como transtornos crônicos com perigo iminente de suicídios, o paciente é mandado para o CAPS. O CAPS tem uma abordagem com psiquiatra, psicólogo, enfermeira, fisioterapeuta, farmácia, assistente social e terapia ocupacional.

O paciente recebe transporte, café da manhã, almoço, toma todos os medicamentos, faz atividades (terapia ocupacional) e volta para casa. Dependendo do caso, o paciente fica meio período ou tempo integral.

Além disso, no hospital Mário Palmério são disponibilizados leitos para paciente com intercorrência clínica, paciente que tentou o suicídio e que tenha passado anteriormente por uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento).

Em relação aos medicamentos, o diretor esclarece que a medicação básica, como qualquer dispensação no SUS, segue uma padronização, onde existe a RENAME (Relação Nacional de Medicamentos) que repassa para a REMUNI (Relação Municipal) e todo paciente que passa pelas URS pode solicitar nas farmácias os medicamentos prescritos pelo médico. “Caso não seja padronizada, o paciente pode entrar com um processo via Estado, na Superintendência Regional da Saúde (localizada perto do estádio do Uberabão) e retirar o medicamento”, diz Sérgio. Hoje a rede de saúde atende por volta de três mil pacientes por mês diagnosticados com depressão. Desses, constam 120 leitos do Sanatório Espírita, que não faz parte da rede municipal, mas serve como prestador de serviço para esse tipo de atendimento. No local, o paciente fica internado para se recuperar de uma crise ou surto, quando não tem condições de voltar para casa imediatamente. Após 30 dias, é encaminhado para um dos outros serviços (CAPS, URS ou Atenção Básica).

Sergio alerta a população a sempre buscar não só as URS, que são mais conhecidas, mas também usar a Atenção Básica, através do matriciamento. Isso evitará a fila eletrônica, que pode atrasar o tratamento.

Pacientes descrevem atendimento

A paciente V.F., de 36 anos, é casada e mãe de um filho. Tem um diagnóstico de depressão, que se iniciou no período pós-parto. Faz tratamento há onze anos, no CAPS Inácio Ferreira. V.F. fez todo seu pré-natal na rede municipal e lá mesmo iniciou o tratamento. No início da doença, passou por uma internação no Sanatório Espírita por 40 dias. A partir daí começou a ser assistida pelo CAPS, cinco vezes por semana. Mensalmente, é avaliada por um médico psiquiatra, que acompanha a evolução do tratamento. Na rotina matinal, V.F. faz terapia ocupacional e atividades recreativas. Confessa que a terapia em grupo com a psicóloga faz muito bem a ela. Otimista, afirma não se sentir com o pior dos problemas e ter força para se recuperar. A paciente faz uso de medicação contínua e tem um gasto mensal de R$ 250,00 com a compra de dois medicamentos que não são fornecidos pela farmácia do CAPS. Outros dois medicamentos ela consegue retirar gratuitamente. “Sou grata aos profissionais do CAPS, me sinto muito acolhida por todos. Percebo uma melhora no meu quadro e tenho um apoio que nem minha família deu”, afirma a paciente, que também aponta algumas melhorias que poderiam ser implantadas, como a contratação de mais uma faxineira, conserto nos banheiros, substituição do bebedouro e aquisição de materiais para a Terapia Ocupacional, onde destacou ainda a falta de atividades para os homens. Particular. Professora de nível superior, lecionando nos cursos de Ciências Contábeis e Logística, Sylvia Daniela Centeno Martins Gouveia, de 34 anos, é casada e mãe. Também foi diagnosticada com depressão que pode ter sido motivada por uma crise familiar envolvendo seus pais. Antes do diagnóstico, Sylvia apresentou sintomas como choro, nervosismo, uma tristeza permanente e muita vontade de dormir. O tratamento foi totalmente realizado por rede particular e durou entre cinco e seis anos, baseado em consultas com psiquiatra, psicólogo e acupuntura. A professora revela que durante o tratamento teve que pegar um afastamento de saúde por um ano, devido aos medicamentos receitados. Na época, dava aulas em uma escola de cursos preparatórios para vestibular. E dois dias após seu retorno ao trabalho, foi demitida, fato que deixou Sylvia um tanto incomodada, pela falta de justificava da escola. Também marcante foi o preconceito recebido por amigos e alguns membros da família. Alegavam que o problema era coisa de menina mimada, sem ter o que fazer, a tão famosa ‘cabeça vazia’. Recebeu muito apoio de sua mãe e irmãos e encontrou força e determinação em sua religião, o espiritismo. Atualmente, com a chegada da filha, Sylvia encontra-se estável e feliz, trabalhando em uma faculdade, mas sempre com atenção aos sintomas. A depressão representa uma constante ameaça para quem já teve. Sylvia dá uma dica às pessoas que tem ou ‘desconfiam’ ter depressão: procurar ajuda médica, se apoiar na religião que segue e, se possível, ter o apoio de amigos e familiares. Desse jeito, fica mais fácil encarar essa doença que causa muito estrago, tanto físico como mental.


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://uberabapopular.com.br/.
Plantão
Atendimento
Envie a sua sugestão de notícia pelo PLANTÂO.