24/11/2016 às 12h10min - Atualizada em 24/11/2016 às 12h10min

Zé Luiz, o mago da horta

A placa pendurada na porta de entrada da horta diz “verduras sem agrotóxicos”, porém, Zé Luiz, 65, dono do espaço, diz que é impossível que toda a horta seja desenvolvida sem agrotóxicos. “É impossível, 90% até consigo”.  Há doze anos, Zé Luiz cuida da horta localizada no bairro Olinda, em meio aos condomínios e casas enormes que rodeiam sua área verde, cedida pela prefeitura durante o programa ‘Plantando e Colhendo Saúde’, idealizado pelo vereador João Gilberto Ripposati. “A cidade está ficando pelada de verde, está acabando. O ideal é cada bairro ter a sua. Esse programa foi bom, mas a Prefeitura acabou com ele”, afirma.

O terreno onde está localizada a horta é frequentemente assediado por construtoras que querem ali levantar um prédio. Além do assédio das empreiteiras, alguns vizinhos não gostam muito da horta. “Jogam caramujos africanos aqui, é uma praga. Reclamam, não gostam muito da horta”.

Durante o projeto ‘Plantando e Colhendo Saúde’, Zé Luiz se interessou pelos benefícios medicinais das plantas, passando a estudar sobre o assunto. Hoje, em sua horta, além de alface, almeirão, couve e outras hortaliças, fornece diversas plantas medicinais e potes de farinha das plantas, que ele mesmo tritura e prepara, contendo inúmeras qualidades nutricionais, as quais Zé lista com a propriedade de um estudioso. A “menina dos olhos” do horticultor é uma árvore vinda da Índia, a Moringa Oleífera, a qual Zé diz ser boa para quase tudo. “Essa árvore é uma preciosidade, das folhas aos frutos, é toda rica em vitaminas. Faço a farinha com suas vagens, flores e folhas. É um remédio maravilhoso”, explica. Segundo o horticultor a árvore indiana ainda não ganhou notoriedade porque diminuiria a venda de remédios farmacêuticos.

A horta de Zé Luiz, como muitas outras, são resistências ao emaranhado de concreto que as circunda e, por muitas vezes, as atropela. O futuro da horta é incerto, Zé Luiz, porém, já tem os seus, “quero diminuir o serviço em breve, estou cansado. Gostaria de trabalhar só com a parte medicinal das plantas, mas, é difícil conseguir mão de obra para horta. Ninguém quer fazer isso mais”, finaliza.


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