23/11/2016 às 07h27min - Atualizada em 23/11/2016 às 07h27min

Mayron Engel: o teatro em pessoa

O local escolhido para a primeira entrevista do Entre Aspas foi o Café do Escurinho, na Leopoldino de Oliveira. Entre cafés, conversei com o ator, criador e diretor de teatro Mayron Engel, uma das figuras mais atuantes no cenário teatral atual de Uberaba. À frente da Cia. Uno, atualmente é professor de teatro do Colégio Marista Diocesano, onde têm desenvolvido elogiados espetáculos com crianças e adolescentes.


Quando se deu conta de que queria ser ator? Comecei a fazer teatro por uma vontade um tanto quanto estranha, sem saber muito bem o que era. Por gostar mesmo. Era muito distraído e pouco expressivo. Passei fazer parte do grupo Pessoal do Calango e fui apresentar o espetáculo “A Gloriosa Morte do Funcionário Kranon”, onde eu interpretava o morto e passaria trinta minutos deitado. E no final, a personagem se levantava e dava o texto para concluir a história, assim, levantei, olhei pra todo mundo e esqueci o texto. Acabei deitando novamente, o grupo teve que desenrolar outro final e fui excomungado depois. Fui embora chorando, pensando em largar. Mas não desisti e pedi ajuda ao Miguel Jacob, diretor do grupo, que me colocou para fazer balé e atuar no grupo infantil. Foi quando ganhei meu primeiro papel principal, uma “drag fada”, muito representativa. Passei a direcionar as cenas, foi muito importante. Com o tempo, o grupo foi se desfazendo, cada um seguindo seu caminho. Passei ao processo de faculdade, fiz Engenharia Ambiental por um tempo, trabalhei com cultivo hidropônico e agricultura familiar, experiências do CEFET, no qual cursei técnico em Agronomia. Foi um ano longe do teatro, um ano triste, apesar dos aprendizados. Um tempo depois e para desespero dos meus pais, abandonei a faculdade. Pouco tempo depois passei a dar aulas de teatro no próprio CEFET, comecei, também, a cursar Pedagogia. Adquiri, assim, uma estrutura de pensamento e organização, norteando meu trabalho.

O que é um dia produtivo pra você? Um dia em que eu possa acordar para poder ter um espaço de tempo para respirar, meditar, antes do trabalho. Esses intervalos me deixam mais produtivos. Aquele dia que você tem consciência daquilo que produziu.

O que é um bom ator? Ser um bom ator é ser um bom interprete. Isso foge da qualidade somente de ser ator, do ofício de representar. A essência do ator é a representação. Para se interpretar algo não necessita somente de um bom corpo ou uma boa fala. Trata-se de um estudo sobre uma música, uma fotografia. Em suma, ser um bom ator é ter um bom tempo. Os atores com os quais me identifico eles possuem um bom tempo.

Qual sua noção de felicidade? E de infelicidade? Felicidade é um estado em procura que só encontramos quando paramos para observar que já chegamos onde podíamos estar, que o necessário é o hoje! Infelicidade é perturbação do hoje, é situação problema que se arrasta pelas ações cotidianas do agora e outrora.

O que é indispensável no seu cotidiano? Indispensável são as pessoas e suas expressões, me movo pela possibilidade de poder me expressar, não a nada de expressão quando se vive só.

Indique algo pra ler, ver e ouvir. Para ler, Arte da Vida do polonês Zigmund Bauman, para ouvir o disco do Clube da Esquina e para ver o concerto Liszt, do Lang Lang.

O que é a vida? Vida é um presente sem enfeites e laços que recebemos sem saber o destinatário, sem função ou ordenação! Um presente que se desembrulha cada um ao seu tempo, que muitas das vezes desaparece sem se mostrar por inteiro.

Quem (vivo ou morto) você gostaria de convidar para um café? Vivo: o ator e diretor de teatro Daniel Finzi Pasca, o qual admiro muito. Morto: meu pai biológico, Marcus Além. Seria um café para celebrar o agora, afinal, não fosse ele, eu não estaria aqui.


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