01/09/2016 às 02h10min - Atualizada em 01/09/2016 às 02h10min

Sonhos Olímpicos

Realização, emoção, superação, euforia e espetá­culo descrevem perfeitamente as Olímpiadas de 2016, no Rio de Janeiro, realizada no mês passado. Mais do que disputas esportivas, a realização das Olimpíadas no Brasil represen­ta também a concretização de sonhos.

O sonho de sediar os jo­gos, há muito almejado - foram quatro tentativas até a escolha do Rio como cidade-sede, em 2009. Sonhos dos atletas, que de­dicam suas vidas a treinos prati­camente desumanos, muitas ve­zes com pouquíssimos recursos, superando, além de seus oponen­tes, todas os demais desafios para se destacarem em um país que pouco faz pelo desenvolvimento esportivo. Sonhos dos milhares de voluntários, que trabalharam incansavelmente para cumpri­mento da programação olímpica, driblando as dificuldades causa­das por um planejamento ruim. Finalmente, os sonhos de todos nós, que nos vemos refletidos nos atletas, afinal, superar adversida­des já é uma marca registrada do povo brasileiro. Durante o even­to esportivo, as pessoas quiseram ver de perto os atletas, tocá-los para saber se são de verdade, fazer selfies. Crianças se inspira­ram nos grandes destaques - mui­tos querem ser Michael Phelps ou Usain Bolt - e sonham em partici­par de futuras olimpíadas.

É inegável o sentimento de orgulho pelo reconhecimento mundial após o bom desempe­nho dos cariocas como anfitri­ões da festa. Sim, os brasilei­ros sabem cativar e encantar seus visitantes. Alívio para os organizadores e tristeza para os pessimistas, que torciam pelo vexame histórico.

Indescritível foi a ale­gria pelas conquistas dos nos­sos atletas. O coração brasi­leiro ainda bate muito forte no peito quando toca o hino na­cional, celebrando uma vitória olímpica.

Nesse curto período de olímpiadas em território nacio­nal, vivenciamos de perto toda a glória do esporte e aprendemos grandes lições. Especialmente sobre o quanto o esporte pode contribuir para o desenvolvimen­to do caráter.

Porém, realizar esses so­nhos olímpicos custa caro. Além de todo esforço, dedicação e sa­crifícios dos atletas, para formar um campeão é preciso investi­mento. E esse investimento deve ir muito além dos quatro anos que antecedem as olimpíadas.

Os atletas já sabem disso. Tanto que marcou muito a declaração do canoísta Isa­quias Queiroz, único medalhista olímpico brasileiro a conquistar três medalhas em uma edição dos jogos (duas de prata e uma de bronze). Isaquias reclamou espontaneamente da falta de incentivo ao esporte no Brasil e, inclusive, pediu aos repórteres que faziam a cobertura do pódio que tirassem foto e mostrassem aos ‘governantes do Brasil’, para que a sua conquista e de outros atletas servissem para ‘abrir os olhos da sociedade’.

A página do COB na internet detalha as ações es­tratégicas desenvolvidas na preparação dos atletas para os Jogos do Rio 2016, destacando o apoio a atletas e técnicos, ser­viços médicos, equipamentos esportivos, trabalho de técni­cos qualificados (brasileiros e estrangeiros), um investimento aproximadamente R$ 700 mi­lhões nos últimos quatro anos. Além disso, o ‘Time Brasil’, como é chamada a delegação brasileira de atletas olím­picos, contou com o apoio fundamental das Forças Ar­madas, através do PAAR - Pro­grama Atletas de Alto Rendi­mento. O Ministério da Defesa investe anualmente cerca de 18 milhões no programa; esse incentivo aos atletas militares resultou em 13 das 19 medalhas conquistas em 2016.

Há que se pensar no futuro, pois quatro anos pas­sam muito rápido. Para isso é fundamental investir nas crian­ças e adolescentes, através da formação esportiva nas escolas e universidades. Disponibilizar centros de treinamentos, locais adequados para a prática dos esportes, dando condições para que os atletas se desenvolvam internamente, evitando o êxo­do para outros países. Quali­ficar adequadamente o corpo técnico, para que não haja a necessidade de ‘importar’ téc­nicos estrangeiros. Realizar eventos esportivos nacionais de qualidade, que onde os atletas possam competir em alto nível e mostrar seu desempenho. Essa é a receita das maiores potências mundiais do esporte olímpico.

A perenidade dos bons re­sultados só será alcançada se hou­ver planejamento de longo prazo. Os talentos existem por toda parte e estão aí para serem descobertos, mas precisam ser estimulados, treinados e qualifi­cados. Atletas de alto rendimento não se formam da noite para o dia; mas precisamos deles para reali­zar nossos sonhos olímpicos.


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