02/11/2016 às 15h17min - Atualizada em 02/11/2016 às 15h17min

6 obras indispensáveis para refletir sobre a Consciência Negra

No mês da Consciência Negra, conheça seis obras importantes que analisam e estimulam o pensamento crítico acerca dos papeis social do negro na história do país e do mundo e suas variadas representatividades nos cinemas.


Amistad (EUA, 1997)

As lentes de Stephen Spielberg constroem de forma altiva a narrativa da verídica tripulação do navio espanhol La Amistad. Já considerado um clássico da década de 90 marcado por quatro indicações ao Oscar, Amistad narra a história de um grupo de africanos na situação de escravos a bordo de um navio negreiro, em que, após se rebelarem e tomarem o comando da nau, tentam voltar a sua terra de origem, porém o navio é aprisionado e levado aos Estados Unidos. Em solo americano, estas pessoas vistas como propriedades são julgadas por crime de assassinato e presas. Todos esses acontecimentos trazem uma discussão que acabam funcionando como combustível para a ação abolicionista na América do Norte.


Ganga Zumba (Brasil, 1964)

A película conhecida por ser um dos grandes marcos do Cinema Novo, traz a atuação visceral de Antônio Pitanga na pele de Ganga Zumba - o primeiro líder do quilombo dos Palmares. O filme coloca em cena um arsenal completo de elementos africanos como rituais e danças magistralmente interpretado pela companhia Filhos de Ganghi (maior afoxé do mundo). Quando Antão – nome de batismo de Ganga Zumba – passa a ter conhecimento de que estaria fadado a se tornar rei, já que sua falecida mãe foi uma rainha africana, resolve que seu destino é partir em busca de Palmares, lugar conhecido por ser protegido por orixás. A obra de Cacá Diegues é muito bem executada e, historicamente, bem fundamentada. O filme está disponível de forma gratuita na internet.


12 Anos de Escravidão (EUA, 2013)

O ganhador de três estatuetas douradas da Academia, incluindo Melhor Filme, Roteiro adaptado e Atriz coadjuvante (lançando Lupita Nyong’o ao estrelato) narra a impetuosa e violenta jornada real de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), o homem negro livre que, sequestrado no estado de Washington, torna-se escravo por 12 anos nas lavouras de Louisiana antes de ser liberto. Muitas discussões densas perpassam toda a narrativa, deixando de lado clichês como o do “homem branco que descobre que a escravidão é algo ruim” ou “romances entre brancos e negros”. Ao contrário, o espectador está diante de uma obra crua repleta de elementos que entregam um filme a altura de seu tempo.


A Negação do Brasil (Brasil, 2000)

O documentário de Joel Zito Araújo é um poderoso aparato de memórias e pesquisas do diretor, acerca do papel de atores negros em produções da teledramaturgia brasileira. O filme pensa os estereótipos em papeis atribuídos a atores afrodescendentes, de forma a traçar a forte influência que as novelas transmitiram através da identidade étnica dos negros no Brasil. Para o criador da obra, a televisão é somente o reflexo de uma sociedade que nega sua própria realidade, uma negação do Brasil.


Quanto Vale ou é Por Quilo (Brasil, 2005)

O filme faz uma belíssima analogia entre o antigo sistema de comércio de escravos e as atuais ONG’s que fazem da miséria uma fonte de exploração, que na prática deveriam defender os interesses dos afrodescendentes. A película livremente inspirada no conto “Pai e Mãe” de Machado de Assis esquematiza os principais elementos de duas épocas de semelhanças assustadoras. Se no século XVIII – período de escravidão declarada – existiram os capitães do mato que, objetivando o lucro, caçavam e vendiam escravos aos senhores de terra, hoje em dia, “tapando” o vácuo do Estado em assistência social, o conhecido Terceiro Setor faz uso da miséria visando, igualmente, o lucro. Quanto Vale ou É Por Quilo projeta em tela um Brasil onde os valores estão em constante crise. Essa é mais uma obra que está disponível de forma gratuita na internet.


Branco Sai, Preto Fica (Brasil, 2014)

A construção do longa é proposta através de imagens e sons que aos poucos entrega uma história trágica e igualmente complexa. O cinema de Adirley Queirós é mais um grito das classes pobres dentro da nossa democracia racial. Conta a história de dois homens negros, habitante de uma das maiores periferias de Brasília, profundamente marcados pela atuação truculenta e criminosa de uma polícia declaradamente racista. O fabuloso da película de Queirós está em como os acontecimentos vão ser narrados. Por achar não adequado, os personagens resolvem contar a história levando em consideração outras formas de se narrar o passado. “Branco Sai, Preto Fica”, tem muito de documentário, mas também de ficção científica e musical pop. O filme talvez nos apresente um “apartheid” cuja sociedade prefere não descortinar.


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