01/11/2016 às 22h14min - Atualizada em 05/09/2018 às 16h24min

Entre chapéus, botas e selas

Quem passa pela Praça Doutor Jorge Frange, esquina com a Rua São Benedito, há mais de trinta anos se depara com a Selaria Santos Reis. A loja é apinhada de artigos em couro, botinas, botas, chapéus, selas, cintos, berrantes, entre outros produtos, adquiridos, em sua maioria, por trabalhadores rurais. O comprador pode encontrar todo tipo de material que um verdadeiro peão de boiadeiro precisar.

O proprietário, Odair Gonçalves Figueiredo, de 67 anos, abriu a loja em 1984. Natural de Conceição das Alagoas, Odair conta que começou nesse ramo porque o irmão tinha uma representação de chapéus importados e juntos começaram a vender chapéus em exposições agropecuárias. "Na exposição agropecuária, o pessoal começou a pedir botas, chapéus, cintos e tal... aí eu só tinha o chapéu," conta, divertido. "Aí foi onde eu montei a selaria, com todos os acessórios, botas, chapéus, cintos, freios, esporas, selas, canivete, faca, facão...", esclarece. E por que o nome Santos Reis? "É que sou do mês de janeiro, nasci no dia 06, dia de Santos Reis", explica.

As vendas prosperaram ao longo dos anos e ele afirma que vendia bem suas mercadorias. "Vendia bem, mas agora caiu... com essa crise aí, do Lula, do PT, né? Caiu... Até 2002 foi bom, mas do ano passado pra cá, caiu demais. Esse ano tá crítico, o povo tá sem poder aquisitivo, né? Ganha muito mal, não dá para as obrigações, aí o consumo cai, né?" Apesar disso, Odair não pensa em desistir do negócio. Ainda há clientes interessados em seus produtos. Em geral, pessoas da zona rural, pequenos proprietários e peões. Principalmente pessoas de origem mais humilde. "Os mais ricos são mais seguros, não gostam de gastar. Chapéu, por exemplo, quem compra é o pessoal mais humilde", diz. Também entre o pessoal da cidade há bastante procura por chapéus e cintos. Os melhores meses, de acordo com Odair, são junho, julho e dezembro. "Devido às quadrilhas, junho e julho são os meses que eu mais vendo. Em dezembro também, que é mês de natal, eles querem dar presente pra um e pra outro, né?", conclui.

Ao contrário do esperado, o período da Expozebu não é mais tão bom para as vendas. "Mês de maio já foi muito bom, mas agora a exposição caiu 70%. Cobram muito caro pra entrar lá, não tem divulgação nenhuma, não tem show, não tem rodeio, então as vendas caem", explica pesaroso.

A renda da loja, juntamente com a aposentaria que ele pagou como autônomo ao longo dos anos, é suficiente para sua sobrevivência. Ele é divorciado e tem três filhos. "Dá uma rendinha razoável, vou tocando o barco aqui por enquanto. Tá ruim, mas pode melhorar, né? Quando melhorar eu já tô com a loja bem montada, o imóvel é meu, não pago aluguel... mas se eu tivesse que pagar aluguel eu não teria condições de tocar não", afirma.

E assim, seguro em suas escolhas, Odair segue entre seus chapéus, botas e selas atendendo aos seus clientes com o jeito calmo e paciente com que nos recebeu para essa conversa.


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