01/11/2016 às 21h52min - Atualizada em 05/09/2018 às 16h24min

Bar do Pezão - de pai para filho, há mais de 50 anos

Uma linda e antiga foto estampa o freezer onde são guardadas as bebidas. Nela estão Edson, ainda menino, em pose solene com o pai, a mãe e a irmã.

Edson virou Pezão, apelido que dá nome ao bar, aberto por seu pai, Divino José Moreira, em 1965 no bairro Santa Marta. Na fachada está exposta uma faixa em homenagem aos fundadores, pelos 50 anos de existência do bar, comemorados em 2015.

Com uma fala mansa e educada, Pezão nos conta que aos onze anos começou a trabalhar ali com seu pai. "Desde menino, eu que ficava aqui.. daí depois de 9 anos ele morreu e eu continuei sozinho. Tem 42 anos que ele morreu... o bar fez 51 anos em agosto", esclarece.

Seu Divino trabalhava vendendo verduras numa carroça, mas por problemas de saúde, teve que parar e montou o bar. "Ele montou um barzinho numa sala que tinha aqui, porque não aguentava mais trabalhar com carroça", lembra.

Emocionado, Pezão recorda que estudava para o vestibular de medicina quando assumiu o bar. "Eu deixei de estudar pra medicina e virei dono de bar... mas aqui também ajudo os fregueses de outro jeito, porque as pessoas sempre vem aqui com algum problema, perguntando alguma coisa... e eu tenho que responder qualquer coisa, não posso deixar o freguês sem uma resposta, né?", brinca.

Pezão sempre trabalhou sozinho mas, depois de casado, a esposa passou a ajudá-lo. É ela quem faz todos os salgados vendidos no bar. "Temos coxinha, croquete, bolinho de arroz, bolinho de bacalhau", enumera. Aliás, a coxinha é famosa na cidade, vem gente de longe para experimentar. E de fato, comprovamos que a fama é justa; a coxinha é realmente deliciosa!

O casal possui apenas um filho, que trabalha com Sistemas de Informação e não tem tempo para ajudar no bar.

No local tem também uma pequena mercearia. Enquanto conversávamos, um cliente entra para comprar ovos.

O bar é aberto todos os dias às onze da manhã e fecha geralmente em torno de meia noite. O movimento é regular e possui uma clientela assídua, do Santa Marta e também de outros bairros. "Vem gente do Pacaembu, Morumbi, Manoel Mendes, do Centro... tem freguês de todo estilo", afirma.

Sem fazer propaganda, Pezão recebe seus clientes como amigos. E, para ele, este é o segredo da longevidade de seu bar. "Atender os fregueses bem, conversar, saber entender cada um, no seu jeito de ser, para atender bem. A gente é que tem que se adaptar a eles," explica. Além disso, ele mantém uma clientela mais selecionada. "Eu evito gente que possa causar problema, para não ter briga", conclui.

Dos clientes mais antigos, Pezão afirma que alguns frequentam o bar diariamente. Ele destaca um que "bate ponto" no local há cinquenta anos. "Tem um que todo dia vem aqui. Ele, bebia, bebia demais... parou de beber, e hoje ele vem aqui tomar café", conta. Esse e outros viraram "fregueses de café" desde a época de sua mãe trabalhando no bar. "Ela gostava e fazia o café aqui... e aí os fregueses que gostavam tomavam o café", relembra.

O Bar do Pezão é repleto de boas histórias e de gente alegre como Dona Maria Tomázia, vizinha há vários anos, que chega para comprar um refrigerante. Ela se anima ao saber que contaremos essa história no jornal. "Eu vi o Pezão nascer", afirma, com um sorriso contagiante.

Mesmo frequentado por vizinhos, amigos e gente de bem, algumas vezes o bar foi arrombado por marginais. "Há dois anos tive que fazer uma reforma... os ladrões entravam por um forro de madeira que tinha aqui.", mostra Pezão.

Em álbuns de fotografias que exibe orgulhoso, Pezão registra suas memórias. O local antes e depois da reforma, os amigos frequentadores - inclusive o ex-jogador do Flamengo, Rodrigo Mendes - e muitas crianças. "Algumas aqui eu vi crescer no bar, e hoje já trazem os filhos pra eu ver", conta.

Nesse ambiente familiar e hospitaleiro, é fácil perceber como o bar sobreviveu à inclemência do tempo. Mais do que comida e bebida, Pezão oferece a seus fregueses, com seu jeito simples e afável, sua atenção, paciência e amizade.

E, é claro, deu muita vontade de sentar, pedir uma cerveja e ficar ouvindo as histórias desses 50 anos de existência.


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://uberabapopular.com.br/.
Plantão
Atendimento
Envie a sua sugestão de notícia pelo PLANTÂO.