01/11/2016 às 16h39min - Atualizada em 05/09/2018 às 16h24min

De tudo um pouco...

Baldes, vassouras, filtros, panelas, ferragens, cordas, ferramentas, peneiras, lâmpadas, churrasqueiras, varas de pescar... Mercadorias dos mais diversos tipos, que podem ser encontradas em um só lugar. Ou melhor, dois: o Comercial Saad e a Casa Temos Tudo, lojas que funcionam no mesmo endereço, na rua Capitão Manoel Prata, no bairro São Benedito, há 60 anos. Inicialmente era um só estabelecimento, que foi dividido em dois, permanecendo o atendimento familiar e a variedade de produtos.

Na esquina com a rua Veríssimo, funciona a Casa Temos Tudo, que nome adequado! A poucos passos dali, fica o Comercial Saad. No letreiro da fachada, junto ao nome da loja, uma descrição também mais que apropriada: temos de tudo para sua casa, fazenda, construção e indústria.

O Comercial Saad existe há 60 anos, primeiramente era tudo um cômodo só. Em 1982, o comércio foi dividido entre os irmãos Saad Melen Saad e Antônio Saad. Assim, há 35 anos, Antônio ficou com o ponto da esquina, a Casa Temos Tudo, e Saad ficou com o empreendimento que leva o nome da família. Outro irmão, Charabel, não toma parte nos negócios: foi trabalhar no INSS, em Brasília.

Na Casa Temos Tudo, conversamos com o senhor Antônio e a filha, Fádia Tomé Saad, que há 30 anos atende junto com o pai. Quando a loja surgiu, as ruas eram de terra e as casas na região eram poucas, bem como os comércios. O Comercial Saad atendia todos os tipos de necessidades, praticamente. “Antes eu vendia secos e molhados também, arroz, feijão, tudo a granel”, lembra seu Antônio. Doces diversos também estavam entre as mercadorias encontradas. Mas era tanta coisa que o cômodo ficou pequeno, por isso os gêneros alimentícios saíram das prateleiras. “E porque também a cidade, o comércio da região foi crescendo, foram aparecendo mercados e outros lugares onde se achavam esses produtos. Mas ainda vendemos refrigerante e cerveja. Pinga, não, joguei tudo fora: não gosto de pinguço”, diz dona Fádia.

Enquanto falamos com os comerciantes, clientes vão sendo atendidos. Um compra dez metros de corda, outro leva parafusos para cama. “Sempre comprei aqui, meu pai, aliás, já era freguês”, conta um dos fiéis compradores, o marceneiro Garibaldi Costa Ciabotti. “Meu tio também, compra fechadura, dobradiça, a gente vem porque aqui acha de tudo, e abre até sábado e domingo”, comenta. Outro cliente pede uma vassoura, ou melhor, só o cabo, outro quer uma panela, e dona Dora Marilda Cruz procura uma mola para um picador de legumes. “Vim lá de perto da Medalha comprar aqui”, diz. “Tem cliente até de outras cidades”, emenda dona Marlene.

Uma balança antiga é uma relíquia da loja, e funciona até hoje, pesando até 20 quilos. Pouca coisa mudou na estrutura do comércio desde os primeiros dias. Alguns hábitos, porém, não são mais os mesmos. “Não vendemos mais fiado”, afirma dona Marlene. O senhor Antônio, no começo, quando os arredores eram mato, confiava só na palavra dos fregueses. Depois, vieram as notinhas, mas até esse costume foi abolido: fiado, não. “A crise foi o que mais mudou ao longo desses anos. Você vai andando aí e só vê comércio fechado, ponto para alugar”, lamenta dona Marlene.

Perto dali, no Comercial Saad, além do nome original, também é mantido o “estilo” do armazém. A diferença para o empório vizinho é que aqui não abre aos domingos. Mas as semelhanças são muitas, no arranjo das mercadorias: alguns produtos ficam no chão, outros em prateleiras, outros nos velhos balcões com vitrines e, claro, não faltam artigos que ficam pendurados no teto.

Dona Marlene Elias Saad, viúva de seu Saad, assumiu o balcão há 12 anos, quando o marido faleceu. Investiu e montou no prédio ao lado as clínicas onde atendem os filhos Kaissor e Karine. Outro filho, Faissor, hoje ajuda a mãe no atendimento. “Ele é dentista, mas veio de Brasília para me ajudar, já estou ficando velha”, diz dona Marlene, que, na verdade, não precisaria falar “velha”, mas sim “experiente”, já que tem que entender de tudo um pouco do que vende. Por exemplo, mostra um serrote do tipo “Greaves” e dá os detalhes. “Tem umas coroas escondidas, se o serrote for original”, diz, mostrando os desenhos das coroas em alto-relevo na lâmina.

Os serrotes são algumas das peças “históricas” do estoque. “Tem outras ferramentas, como chaves inglesas, que não são mais fabricadas, são relíquias”, destaca. Há ainda itens que só seriam encontrados ali, como as plantadeiras manuais (matracas) e cabos de carpideiras manuais.

Precisou de alguma coisa para a cozinha, a oficina, o banheiro, o rancho, a reforma, o jardim, a fazenda? Passa lá na Casa Temos Tudo e no Comercial Saad. Provavelmente você encontra o que procura. E, certamente, tem um pouco de história e uma prosa boa.


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