21/10/2016 às 19h43min - Atualizada em 21/10/2016 às 19h43min

Agnaldo Silva

Agnaldo Silva será um dos classistas da nova Câmara, a partir do ano que vem. Eleito com 2.742 votos para o próximo mandato, ele será defensor dos interesses rurais. Suas origens estão na roça. Hoje presidente do Sicoob, Agnaldo José da Silva, de 57 anos, é natural de Sacramento, mas mora em Uberaba desde 1971. Na infância, desde os 5 anos trabalhava como candeeiro (pessoa que conduz o carro de boi), ou lavrando o chão com arado, também puxado por animais.

Filho do casal Raul e Nair, ainda vivos, com 85 e 82 anos, Agnaldo é irmão de Antônio Carlos, Aparecida e Lázara. Não nega suas origens, pelo contrário, faz sempre questão de enaltecer suas raízes – foi assim na campanha eleitoral, por exemplo.

“Naquela época era diferente, não tinha tanto recurso, não havia essa tecnologia de hoje. Mas desde muito cedo eu trabalhava com meu irmão no campo. Não havia também a facilidade, o acesso à escola na zona rural. Com 11 anos, terminei o curso primário e minha mãe disse pro meu pai: ‘temos que mandar esse menino estudar’. Minhas irmãs já eram casadas, com 15 e 16 anos, o que era comum na época também. Então vim com meu irmão para Uberaba, comecei a trabalhar na indústria de calçados Eliane, passando cola, batendo prego, e estudava à noite”, recorda.

Não é só a origem que ele destaca, mas também os valores que aprendeu com a família. “União, ética, honestidade, são coisas que sempre preguei na minha campanha e agora será assim também como vereador. A sociedade precisa disso”, aponta.

Em Uberaba, Agnaldo estudou, trabalhou (em empresas agropecuárias e vendendo cotas do Uberaba Sport Club e seguros), passou pelo Tiro de Guerra, começou a trabalhar em construtora em 1981 e se formou em Matemática na Fista, em 1982, ano em que casou com Selma. Tem três filhos (Fernando, Natália e Naiara) e dois netos (Caio e Miguel).

Em 1994, formou-se engenheiro civil. “Eu ganhava menos que um gerente e mandava nele, aí veio o estímulo para eu fazer Engenharia”, conta. Três anos depois, passou a atuar como engenheiro de avaliações da Caixa. Hoje continua prestando esse serviço, já tendo a própria empresa no segmento.

Como produtor de leite, era sócio da Credicopervale, e, em 2000, assumiu a presidência da cooperativa, venceu a eleição de 2003 e continua no cargo até hoje, com a entidade já tendo mudado de nome (em 2007 a Credicopervale e a Crediaciu se uniram e formaram a Sicoob, que oferece crédito para produtores rurais e pequenos e médios empresários, tendo atualmente cerca de 2500 cooperados).

Como começou o interesse pela política? “Desde quando eu trabalhava na construtora, que era muito politizada, e eu sempre envolvido”, relembra. Na década de 80, com um concunhado, que era radialista, “montaram” o PDT, com o dentista Ernani Neri sendo o presidente e ele, vice. Assim, foi seguindo o curso naturalmente. Filiou-se ao PSL e, em 2008, pelo PMDB, candidatou-se a vereador. “O PMDB tinha um time muito bom, mas logo na primeira vez eu consegui ficar como suplente”, conta. Em 2010, assumiu o cargo de subsecretário de Desenvolvimento Econômico, a convite do prefeito Anderson Adauto. Nas eleições de 2012, preferiu não concorrer. “A política estava muito obscura, o Anderson brigando com o Paulo (Piau), com quem eu tenho amizade, e não tenho esse relacionamento com o Anderson, mas tem que haver o respeito, então fiquei quietinho no meu canto, voltando a candidatar só em 2012”. E deu certo: foi eleito pelo PSD.

A ética foi o lema de Agnaldo na campanha. “Primeiro porque tenho meu nome e o da cooperativa a zelar, não posso me envolver em coisa errada. Não posso dar cargo se eu nem tenho, não prometi o que não posso cumprir. Fiz uma campanha limpa, com muita prudência e lealdade”, frisa.

Agnaldo já tem na cabeça projetos para seu mandato. Destaca que vai fazer seu papel, que é de legislar e fiscalizar. “Pode haver oposição ao grupo, mas não ao município”, diz. Ele afirma que o vereador é um “agente” do povo. “Se alguém pede uma lombada na rua da casa dele, vou fazer o ofício, encaminhar, acompanhar, dar uma satisfação se deu certo ou não”, comenta.

As secretarias itinerantes, ficando algum tempo nos bairros, é outra ideia. As áreas de educação e segurança serão prioridade. “A Guarda Municipal está arrecadando com as multas, mas essa não é a função dela. Tem muita gente com droga na porta de escola, e a presença da Guarda vai coibir isso. Precisamos de mais escolas de tempo integral, com esporte, música, para ‘segurar’ o aluno na escola, e o jovem também tem que aprender uma profissão. Sobre a segurança, temos que envolver as entidades, os deputados e a própria comunidade, inclusive a rural. Nos bairros novos, vamos exigir posto policial e ajudar o prefeito a buscar os recursos e acompanhar o orçamento dessas obras”.

Quando assumir sua cadeira na Câmara, Agnaldo terá que se afastar do Sicoob. Passar um fim de semana na roça não dá mais, porque há algum tempo vendeu sua propriedade rural. O lazer, para ele, é participar de ações sociais e bater uma bolinha. “Tem um golaço que fiz no fim de semana, gravado aí no celular”.


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