12/10/2016 às 22h26min - Atualizada em 12/10/2016 às 22h26min

Feriado de solidariedade e fé

Feriado de 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Nesta data também se comemora o Dia das Crianças. Mas, enquanto muitos descansam no feriado, um grupo de pessoas se mobiliza e trabalha duro para doar um pouco de alegria aos moradores do Jardim Espírito Santo.

Há quinze anos, o caldeireiro industrial Geraldo Lauro, também conhecido como "Marreta", reúne amigos voluntários no Grupo Espírita Osório Ferreira Oliveira para organizarem uma festa oferecida à comunidade do bairro.

Satisfação, alegria e emoção são marcas desta gente que dedica parte do seu tempo ao próximo, dando lições de solidariedade, generosidade e amor.

Café da manhã, almoço e presentes  O dia começa logo cedo, por volta de cinco horas da manhã, quando a equipe prepara o café - que é oferecido aos moradores a partir das oito horas - e inicia os preparativos para o almoço.

A festa foi idealizada por Marreta, devoto de Nossa Senhora Aparecida, que resolveu realizar essa homenagem reunindo a comunidade do bairro para comemorarem juntos, oferecendo o café da manhã e almoço. Luciana, sua esposa, diz que Marreta se inspirou na "Tia Maria", que realiza uma festa semelhante no bairro Valim de Melo. "Ele parou, pensou e  falou assim: por que a gente não pode fazer isso na nossa comunidade, que também é carente, também é necessitada e a gente também tem espaço?"

Os alimentos são todos adquiridos através de doações de amigos e dos próprios voluntários. "Todo ano é uma luta, você tem que pedir, correr atrás de brinquedos, tem que contar com uma equipe boa para ajudar", esclarece Luciana. Ajuda de pessoas como Ronilda, que trabalha na organização do almoço há dois anos, junto com toda sua família. E ela comemora, satisfeita, o sucesso da festa. "Cada ano que passa a gente vai aumentado a quantidade de comida e de pessoas que vem para participar, tanto para nos ajudar como para comer."

Da cozinha, exala um cheiro de comida boa e Ronilda mostra as enormes panelas de galinhada que será servida, junto com macarronada, tutu de feijão e salada. "Já fizemos até agora três panelas de galinhada, mas ainda faremos mais", conta, animada.

Enquanto os voluntários trabalham a todo vapor na cozinha, a criançada brinca num pula-pula (novidade na festa), do lado de fora do centro. "Esse ano nós conseguimos até esse pula-pula", explica Rodrigo, que participa da festa como voluntário pela primeira vez. Ele conta que foi convidado no ano passado e esse ano resolveu colocar a mão na massa para ajudar. "A gente faz o que pode e com a graça de Deus, vamos melhorar cada vez mais essa festa", afirma.

O grupo não calcula a quantidade de pessoas beneficiadas, porque as portas ficam abertas para quem quiser chegar. "Não dá pra calcular, porque eles vão passando, vão passando e a gente não consegue contar", explica Luciana.

Quando termina o evento, a comida que sobra é destinada para outras instituições. "Toda a arrecadação que temos é voltada para o almoço. E o que sobra a gente leva para um asilo. É muito difícil sobrar, mas quando sobra é doado", acrescenta Ronilda.

Além do almoço, com direito a bolo como sobremesa - também doação de amigos - as crianças recebem brinquedos e doces em comemoração ao Dia das Crianças.

Devoção e gratidão A festa também é marcada pela fé da comunidade, que sai em carreata em louvor a Nossa Senhora Aparecida pelas ruas dos bairros Jardim Espírito Santo e Tancredo Neves.

Antes de servir o almoço, os voluntários preparam as imagens de Nossa Senhora para a carreata, colocando véus enfeitados e flores. Marreta comenta que muitas pessoas estranham o fato de um centro espírita realizar uma carreata em homenagem a uma santa. "Nós somos espíritas meio católicos", brinca. A carreata já é tradição na festa. "Sou espírita, mas acho que Nossa Senhora Aparecida é um espírito de luz. Muitos que vem aqui são católicos, acreditam na santa. Não é justo tirar isso deles", acrescenta.

Ao retornarem ao centro, os voluntários e a comunidade realizam uma prece, agradecendo pelo dia e pedindo proteção à Nossa Senhora Aparecida. Esse é um momento de grande emoção para todos. Luciana e Marreta agradecem aos voluntários que participaram da festa. "Quero agradecer a todo mundo, porque cada um ajudou um pouquinho. E é isso que faz a diferença. Mas não precisa ajudar só na festa não... cada um pode ajudar um pouquinho o seu próximo, todos os dias. Não precisa ser em alimento. Um abraço, um bom dia, um oi... Isso que é a caridade," fala Marreta em seu discurso de encerramento.

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