12/10/2016 às 13h21min - Atualizada em 07/09/2018 às 12h13min

Os cachos de Maria Eduarda Guerra

A sociedade, amparada pela mídia, dita constantemente o que deve ou não ser considerado esteticamente aceitável. Cabelos lisos sempre foram sinônimos de feminilidade e beleza, ajudando, assim, a construir um padrão. O cabelo crespo, reconhecido também como Black - proveniente de um movimento ocorrido nas décadas de sessenta e setenta nos Estados Unidos, sempre gerou diversas opiniões e, claro, algumas situações preconceituosas. Tais situações, somadas ao racismo velado, estão embutidos nessas convenções de beleza, reforçando, com o tempo, de que o cabelo afro ou cacheado são “cabelos ruins” – citação notória e carregada de ignorância e preconceito. Contudo, nos basta andar um pouco pelas ruas e atentar para o fato de que após muitos anos, os alisamentos químicos e a chapinha já não ditam tanto as regrais como antes.

Maria Eduarda Guerra, estudante de 16 anos, é uma dessas meninas, que assumiu os cachos após anos de não aceitação. Filha dos politizados e estudiosos professores Fernanda Guerra e Leandro Martins, Maria Eduarda não só aceitou-se, como, também, criou uma página no Facebook, a ‘Menina Cachos’, para ajudar e influenciar outras meninas nessa fase de transição. “Eu criei a página depois de passar por um processo de aceitação. Até os meus 14 anos eu não gostava do meu cabelo. Sempre andava com ele preso em um coque ou rabo de cavalo. Não sabia cuidar dele, lavar, hidratar e deixar ele cacheado. Minha mãe sempre teve o cabelo liso, então ela não tinha experiência para cuidar do meu, e cuidava dele como cuidava do dela. Então ele sempre ficava com os cachos deformados e volumoso. Aos 14 anos, fui no salão sozinha e cortei meu cabelo, ele estava na altura do quadril e foi parar na orelha. Queria um corte "chanel" pois estava na moda, mas acabou ficando um corte parecendo um "capacete" e alvoroçado. Chorei muito e a partir desse dia comecei a querer cuidar melhor dele. Pedi ajuda a minha mãe. Ela via tutoriais, comprava produtos e me ajudava a lavar. Quando acumulei muitas informações, decidi criar uma página para repassar essas dicas a outras meninas”, conta a blogueira.

A página de Maria Eduarda já conta com quase 2 milhões de seguidores, além do blog e de diversos vídeos, o que já lhe rende certa fama, proporcionando inúmeras parcerias – ela recebe produtos para cuidar dos cabelos, e os divulga em seus canais.

O ‘Menina Cachos’, além de ajudar milhares a cuidarem dos cabelos, é um ato político de Maria Eduarda, pois, não só auxilia as meninas a assumirem o cabelo natural, mas, proporciona o autoconhecimento e combate todo um sistema racista e sexista.


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