11/10/2016 às 10h00min - Atualizada em 05/09/2018 às 16h27min

Argentino e brasileiro dividem espaço nos “palcos da rua”

É comum ver artistas de rua fazendo suas apresentações nos semáforos de Uberaba. Em meio ao trânsito intenso, quando o sinal fica vermelho, eles fazem da esquina um palco. São, normalmente, errantes que vagam de cidade em cidade. Tem até “gringo”.

Nesta segunda-feira, o Uberaba Popular viu um argentino e um brasileiro dividindo espaço no cruzamento da Leopoldino de Oliveira com a Segismundo Mendes, em busca de uma grana em troca de alguns malabarismos. O “hermano” Martin Pratto e o goiano José Lucas, contrariando a tendência de rivalidade entre os países, dizem que, apesar de terem se encontrado há pouco tempo, parece que se conhecem há anos.

Pratto (parente distante, muito distante, do jogador do Atlético Mineiro) é de Santa Fé e, há cerca de um ano e meio, trocou as pedras de crack pelas bolinhas que joga pra cima para entreter os motoristas. Com pinta de galã, gosta de jogar beijinhos para as mulheres nos carros. Nem sempre o “público” dá atenção para suas manobras. “O pessoal te olha às vezes como se fosse um pedreiro ou um bêbado”, reclama. O “pedreiro” a que ele se refere não é o profissional da construção que conhecemos no Brasil, mas sim o usuário de pedras de crack.

O argentino de 37 anos está em Uberaba há duas semanas e roda de cidade em cidade de bicicleta. Fica três ou quatro dias nas cidades pequenas e, nas maiores, de 15 dias a um mês.

Do outro lado do cruzamento, José Lucas, o Palhaço Fiasco, dá uma pausa no trabalho, tira o nariz de palhaço, fuma um cigarro e conta vantagem. Ele afirma que, em grandes cidades, ganha cerca de R$ 300 por dia nos semáforos. “Aqui, tiro R$ 150. Acabei de ganhar R$ 10”, mostra. Fiasco é artesão e, há seis meses, iniciou a carreira de artista de semáforos. “Aprendi observando os ‘brothers’ na rua”, conta o malabarista de 23 anos, natural de Formosa.

O goiano não quis um emprego “formal” porque prefere ter liberdade. “Teria que cortar o cabelo, usar uma roupa ‘padronizada’, eu gosto de viver livre, de ser meu patrão”. Ele diz que não trabalha por dinheiro, mas por gostar de viver da arte. “Esses caras que têm carrões dão 10 centavos. Não precisa dar dinheiro, prefiro receber aplausos”, finaliza.


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