14/06/2021 às 14h45min - Atualizada em 14/06/2021 às 14h45min

Morre o multiprofissional Luiz Gonzaga de Oliveira

Complicação da Covid-19 foi a causa da morte de um dos maiores nomes do jornalismo uberabense

Janaína Sudário


Advogado, escritor, jornalista, radialista, memorialista, Luiz Gonzaga de Oliveira não resistiu às complicações da Covid-19 e faleceu nesta segunda-feira (14), no Hospital São Domingos, onde estava internado desde maio.  Gonzaga tinha 85 anos, era casado com Vânia há 61 anos, pai de três filhas: Adriana, Joice e Marília que faleceu no dia 28 de maio, também vítima da Covid-19.   

Luiz Gonzaga de Oliveira era sinônimo de uma trajetória intelectual impressionante e ocupava a 15ª Cadeira da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, desde 2020.

Nascido em Cassu, lugarejo já extinto próximo a Uberaba, filho de um tecelão e de uma costureira, Gonzaga formou-se em Direito aos 22 anos, mas a vocação para a comunicação sempre falou mais alto. Em 1952, aos 15 anos, estreou como repórter esportivo do jornal local “A Bola”, fundado por Raimundo Sarkis. Um ano depois, ao lado de outros grandes jornalistas de Uberaba, como César Vanucci e Jorge e Farah Zaidan, Luiz começou a trabalhar na recém-fundada rádio Difusora, paralelamente ao jornal Correio Católico.

Nos quase 70 anos de carreira, Gonzaga trabalhou ainda nas rádios PRE5 e Sete Colinas, da qual foi um dos fundadores, foi editor no jornal Lavoura e Comércio e fundador do Jornal Cidade Livre. Trabalhou na Editora Abril e na Revista Placar, atuando no esporte em boa parte destas sete décadas. Tornou-se um dos grandes nomes da crítica da política local. Atualmente, contava causos nas redes sociais e mantinha o pseudônimo de “Marquez do Cassú”.

Escritor, lançou 4 livros, “Causos do Nêne Mamá”, “Memória, Histórias & Causos de Uberababão”, Uberaba de todos, sem nós” e “Terra Mãe, mas mantinha um vasto material, escrito à mão, para publicações futuras.

Relacionado à política, Gonzaga foi presidente da Fundação Cultural de Uberaba, por dois anos, e chefe de gabinete no segundo mandato do prefeito Anderson Adauto.

Torcedor declarado do Uberaba Sport Club e do Botafogo, Gonzaga também era um uberabense apaixonado. E grande parte das suas histórias narrava esse amor pela Terra do Zebu. 

Em 2016, em entrevista ao jornal Uberaba Popular, Gonzaga mostrou-se indignado com a imprensa e com a política de Uberaba. Ele tinha sido, recentemente, demitido de uma emissora de rádio, segundo ele, por determinação do então prefeito Paulo Piau. “Isso aqui está uma merda. Não tem quem fale. E temos que aguentar calados tudo o que acontece, porque quem manda na comunicação em Uberaba morre de medo de perder o que recebe para dizerem o que quem está lá no poder quer que seja dito”.

Nas redes sociais, amigos e admiradores lamentaram a morte do jornalista. O advogado Marco Túlio Oliveira Reis falou do empobrecimento intelectual de Uberaba com o falecimento de Luiz Gonzaga.  

"Oi turma"... Gonzaga sempre foi bom de briga, e até o último suspiro deu provas disso. Uberaba perde um grande memorialista. A história da comunicação em Uberaba, se um dia decentemente for escrita, obrigatoriamente terá um capítulo inteirinho destinado às "façanhas" do Marquez de Cassu. Meus sentimentos à família, aos amigos e à Uberaba, que se empobrece um pouco mais a cada dia!”, escreveu Marco Túlio aos seus seguidores.
 
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