06/10/2016 às 17h47min - Atualizada em 20/11/2018 às 15h49min

Um lar chamado André Luiz



Com o intuito de divulgar as ações sociais promovidas na nossa cidade, bem como as casas assistenciais a crianças, adolescentes e idosos, o Uberaba Popular dá início a uma série de reportagens contando um pouco da história e do dia-a-dia vivido por voluntários, funcionários e beneficiários desses projetos.

Nesta edição, vamos mostrar o importante trabalho que o Lar André Luiz promove há quase meio século.

As janelas azuis, o tijolinho à vista, o portãozinho da entrada e o jardim.  É assim que o Lar André Luiz pode ser descrito. Mas o que encontramos dentro do lar, naquela tarde do dia 24 de setembro, talvez não consigamos descrever na íntegra, tamanha beleza. Poderíamos resumir como o lugar simples que abriga tão ricas histórias.

Fomos recebidos pelo voluntário José Eduardo Reis Ferreira, que há mais de dois anos vive a vida das idosas acolhidas pelo lar. “Vim trazer acerolas e estou aqui até hoje”, conta.

A entidade já foi mista, mas hoje atende apenas mulheres, a partir de 60 anos. A única exceção é o Ricardo que, por decisão judicial, foi recebido no lar. “Apesar de os quartos serem grandes, não temos condição de dividir entre masculino e feminino. Hoje, o Ricardo tem um quarto separado”, explica José Eduardo.

Atualmente são 26 pessoas dividindo as dificuldades da velhice e do desgaste do corpo. Muitas precisam de assistência médica por conta da saúde debilitada, locomoção comprometida e sequelas de problemas mais graves, como acidente vascular cerebral.

Funcionários e voluntários revezam o trabalho e também a atenção dedicada a cada uma delas. Mesmo assim, o olhar de algumas daquelas mulheres não esconde a tristeza de estarem em situação de abandono pelas famílias. Mães, avós e tias que têm as visitas cada vez menos regulares e que revelam a decepção de não receberem mais notícias dos seus familiares.


Personagens do Lar


Dalva Borges

Aos 96 anos, Dalva sofre com o estágio avançado da doença de Alzheimer. A fundadora do lar agora é moradora. Ela recebe a vista de sobrinhos com frequência e da irmã que mora em outro Estado. A mais velha interna pode não se lembrar da importância que teve para o lugar, mas as fotografias resgatam essa importância. Dalva participou ativamente desde a construção do Lar André Luiz.

Doralice Kabuleski
Personagem histórica das ruas de Uberaba, “Dora Doida” agora vive em um lar. Rodeada por amigos e visitantes, Dora tem um riso fácil e o coração cheio de amor. Atualmente, a polonesa está comprometida com o jornalista e apresentador do Jornal Hoje (Globo), Evaristo Costa e esbanja vaidade. Ela gosta de pulseiras, batom e creme para o corpo. Suas cores preferidas são o verde e o vermelho. Entre o que é verdade ou delírios de uma mente debilitada, Doralice afirma ter um filho “doutor” em Miguelópolis. Foi casada com o Calixto. “Não gosto de falar dele. Risca ele daí”, exige Doralice. “Ele era bruto comigo”.


Zilda

A primeira lição que a cantora Zilda nos ensinou é que não se deve nunca perguntar a idade de um artista. “Para que você quer saber? ”, respondeu ela. Estrela da rádio PR-5, a cantora fala com saudade de seu companheiro musical, Reinaldo De Vito. O mestre do violão de sete cordas faleceu no dia 25 de julho deste ano. “Ele veio me visitar com o Faustinho antes de morrer. Não soube o que ele tinha, do que ele morreu. Ele gostava de mim e eu gostava muito dele”. No repertório de Zilda sempre teve grandes nomes da Música Popular Brasileira. “Gosto de interpretar Gal Costa, Cartola, Elis Regina, Dalva de Oliveira. Gosto de cultura. Acho que o Brasil está vivendo uma mesmice só”. A cantora revela a decepção que sente com os programas da televisão brasileira, fala do  cenário político local e do carinho que recebe da família. Ouça a cantora Zilda em uma palinha para a nossa reportagem!
Bazar Dona Efigênia
Para manter financeiramente o Lar André Luiz, a entidade recebe recursos da Comunhão Espírita Cristã e, desde abril de 2014, voluntários organizam o Bazar Dona Efigênia. Tudo o que é comercializado no bazar é revertido para a organização de eventos que proporcionam lazer às idosas do lar. Denise Alves, diretora do Lar André Luiz, está à frente do bazar e explica que as doações recebidas que não são reaproveitadas no lar são vendidas a preços acessíveis. “Deu muito certo. O bazar tem um nível muito bom e a população já está acostumada. Com os resultados, foi possível realizar ações de entretenimento para as idosas, como a realização das comemorações dos aniversariantes do mês”. Foram também os recursos arrecadados pelo bazar que viabilizaram a realização de duas edições do desfile de modas, a Caminhada Solidária - que também terá a segunda edição realizada no próximo mês - passeios com as idosas, a festa junina, realizada anualmente, entre outros eventos.
“Para contribuir e realizar estes eventos precisamos de dinheiro, mas não há dinheiro que pague a satisfação de vê-las felizes, interagindo com as pessoas e dando a elas um pouco de diversão e lazer”, revela Denise. Cerca de trinta e cinco voluntários auxiliam nas atividades do lar e ajudam na promoção das atividades. Para a diretora, é impossível dizer que eles também não sejam ajudados. “Temos aqui diversas pessoas que começam a visitar o lar com depressão, com problemas de saúde, problemas familiares e, com o tempo, se veem curadas e os problemas resolvidos. Falando por mim, ajudar o próximo é o remédio. Estar aqui nos deixa muito felizes”.
Caminhada Solidária
No dia seis de novembro, a Caminhada Solidária será realizada pela segunda vez. O intuito é a arrecadação de fraldas para o Lar André Luiz. A inscrição é um pacote de fraldas, tamanhos médio, grande e extra grande. A interação das idosas com a caminhada é o ponto mais alto do evento. “A gente contrata um trenzinho infantil para que elas acompanhem a caminhada. Confesso que é sensacional”, comenta Denise.
Artesanato
Ainda visando angariar recursos para o Lar André Luiz, também em novembro, no dia 12, acontece a Feira de Artesanatos. Ao longo do ano, voluntárias confeccionam peças de artesanato em oficinas realizadas semanalmente. “Na quinta-feira, a coordenadora é a Meire Batistuta. Das 13h às 17h, as participantes trabalham tecidos como crivo, tricô e crochê. Na sexta-feira, a Mara coordena o trabalho com cordões e tapetes. E uma vez ao ano, organizamos a venda em uma feira que também tem nos deixado bastante felizes com os resultados”, finaliza Denise.
 
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