17/12/2019 às 19h27min - Atualizada em 17/12/2019 às 19h27min

José Francisco esbanja simpatia no trabalho de catador

Retratos da Rua conversou com o aposentado que diz não acreditar na política para pobres e que se mantém vivo com o trabalho nas ruas.

Janaína Sudário
Aos 73 anos, João Francisco se sente vivo no trabalho de catador
"Reclamar, não adianta", me disse o senhor João Francico Fernandes, de 73 anos, enquanto recolhia as latinhas de mais um saco de lixo, na rua São Sebastião, próximo ao Colégio Marista Diocesano. 

Sob o calor das 16h, desta terça-feira (17), o simpático aposentado conversou com o Uberaba Popular.  "Minha aposentadoria não dá pra nada. Eu paguei INSS, para mim e para a minha mulher, nove anos, mas depois não dei conta mais. Aí não completou o tempo que precisava e só temos lá uma ajuda que o governo dá, mas não serve para muita coisa". 

Diariamente, João Francisco recolhe latinhas nos bairros Santa Marta, onde ele mora, Universitário, Olinda e Mercês, mas a venda só acontece depois de um certo montante. Consicente de que o material precisa ficar bem armazenado para evitar a proliferação do mosquito da dengue (Aedes aegypti), o catador conta, com entusiasmo, que já chegou a vender 1.600 quilos de latinhas. "Fiz um cômodo lá no fundo de casa para guardar direitinho. Assim, evita que junte água para nascer o mosquito da dengue, porque eu só vendo a cada dois anos". 

Mas este ano, ele não deve conseguir chegar a números tão expressivos, já que a crise financeira afetou a comercialização de bebidas. "Quem bebe é pobre, até para esquecer os problemas, né? Mas, ultimamente pobre não tá tendo nem emprego, vai beber como?". 

João mora com a esposa, duas filhas e os netos. As filhas se separaram e voltaram para a casa dos pais, o que, de certa forma, faz a felicidade do aposentado. "Elas separaram e foram morar com a gente de novo. Eu gosto viu? A casa vazia só eu e a minha mulher, que já tá muito doente, é muito ruim". 

Apesar da aposentadoria inexpressiva e do pobre ter diminuido o consumo de bebidas, João Francisco não reclama da sorte. "Tem gente bem pior que eu", explica.

"A política não é feita para os pobres. Cada um se vira como pode. Eu fui vigia muito tempo e olha o que faço agora, mas aí você vai pra rua, conversa com um, conversa com outro, e isso me mantém vivo, até porque ainda tenho força para trabalhar", finaliza. 
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