05/10/2016 às 13h14min - Atualizada em 05/10/2016 às 13h14min

Ouvi dizer... Me falaram...

Mais uma eleição concluída em Uberaba, já conhecemos os vereadores, o prefeito e o vice-prefeito que governarão a cidade de 2017 a 2020. A disputa eleitoral é sempre motivo de conversas nas rodinhas ou de debates acalorados. Ao que parece, é assim “desde sempre”. E será que, nas primeiras eleições, quando se usava as cédulas de papel ainda, outras coisas eram como hoje? Tivemos recentemente uma campanha eleitoral, mas, parece, muita coisa permanece como na época em que, para anular o voto, você não digitava um número de candidato inexistente na urna, e sim escrevia no papel uma gracinha. Xuxa, Pelé, Zé Teles e outros candidatos de mentirinha eram “votados” e até o Macaco Tião e o rinoceronte Cacareco teriam sido eleitos.

Tempos passados à parte, nessa eleição resolvi prestar atenção na campanha. Eu, que nunca me liguei nesses “trens”, quis dar uma de cidadão consciente, participativo. Não vi nada, ou quase nada, de novidade. Continua aquele negócio de sair jogando santinho na rua, nas casas, de colocar carros de sons com paródias de músicas, de ir aos jogos de futebol e às feiras cumprimentar o “povão”. E agora tem mais um jeito de “encher o saco” do eleitor, que é pedir voto nas redes sociais. É vídeo no Face, é santinho no WhatsApp e por aí vai.

Mas não fiquei só na observação e saí perguntando aos amigos, colegas, conhecidos, notícias de candidatos, dos bastidores da eleição, de comentários disso e daquilo. Aí o tal do “ouvi dizer” e do “me falaram” rendem assunto para muita conversa.

Ouvi dizer o que eu já tinha concluído, que a “estratégia” da maioria dos candidatos é a mesma de sempre. Ouvi dizer que não se ganha eleição sem dinheiro. Me falaram que sem dinheiro você não faz uma campanha de “impacto”, contratando uma boa equipe, mas também me falaram que sem dinheiro não dá para “comprar” votos. Me falaram que teve gente dando “cinquentinha” por voto por aí. E ouvi dizer que teve gente que pegou a “oncinha” e ainda caçoou: “Não vou votar nele, mas aceitei”, sem se dar conta de que assim compactua com a corrupção.

Ouvi dizer que o marketing faz a diferença. Ouvi dizer que quem vende o voto, não pode reclamar depois que o bairro não tem postinho de saúde ou creche, que as ruas estão esburacadas. Me falaram que ter candidato que às vezes esquece de apresentar suas propostas e fica “atacando” os outros. Ouvi dizer que o Jurídico faz a diferença.

Me falaram que a Justiça vai multar quem suja as ruas com santinhos. Me falaram que esse negócio de jogar santinho nas portas das zonas não serve pra nada hoje em dia, porque o número de eleitores indecisos diminuiu. Mas também ouvi dizer que viram pessoas se abaixando para pegar um santinho, talvez decidindo naquela hora em quem ia votar. Ouvi dizer que tem quem vote no “líder” das pesquisas para não “perder o voto”. Ouvi dizer que muita pesquisa é “comprada”.

Ouvi dizer que tem candidato que aperta a mão e, para pedir o voto, não apresenta proposta, mas fala “me dá uma força aí, me ajuda”. Me falaram que é porque são muitas pessoas para cumprimentar e o candidato tem que ser ligeiro. Mas também me falaram que é porque o candidato não tem proposta mesmo.

Me falaram que a equipe de trabalho de um ou outro só queria saber de “farra” e, na hora da apuração, foi aquele chororô. Me falaram que algumas candidatas só tinham o rostinho bonito pra aparecer.

Ouvi dizer que tem candidato que entra na disputa “sei lá por que”, já que não tem a mínima chance. Uns me falaram que é pensando “no futuro”. Outros me falaram que é pra “encher” o partido. Outros falaram que são sonhadores. Ouvi dizer que mesmo os honestos, de boas intenções, se eleitos, não aguentariam a “pressão” e acabariam se curvando ao “sistema” e a corrupção continuaria.

Me falaram que um candidato, ainda pré-candidato na época, disse que queria entrar para a Câmara para fazer um “pé de meia”. Me falaram que os assessores de quem não foi reeleito estão chorando porque acabou a “mamata”.

Me falaram que teve candidato que não foi eleito, e, pior, teve um número baixo de votos, e engoliu o choro (e o orgulho) e disse que estava tudo bem. Ouvi dizer que teve quem “investiu” na campanha e gastou os tubos, mas saiu derrotado. E ainda teria dito: “Não faz mal, dinheiro eu tenho muito”.

Ouvi dizer que teve sim quem fez uma campanha limpa, honesta, com propostas que podiam ser realizadas, e não ideias mirabolantes, mas foi pouco lembrado nas urnas. Ouvi dizer que o povo não sabe muito bem o que um vereador deve fazer e acham que é função do Legislativo construir escolas e viadutos, arranjar empregos e trazer mais policiais para a cidade.

Essas e outras coisas mais “ouvi dizer” por aí. Me falaram até que um vereador que não foi reeleito disse o que ia fazer daqui pra frente: “Trabalhar”.


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