08/02/2019 às 20h12min - Atualizada em 08/02/2019 às 20h15min

"Eu achava que a política era uma coisa bonita, da qual você podia se orgulhar", diz deputado

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Mário Henrique está no terceiro mandato como Deputado Estadual | Foto: O Tempo[/caption]

Dizem que futebol e política não se discutem, mas o deputado estadual pela sigla PV (Partido Verde), Mário Henrique Caixa, consegue transitar nos dois meios sem dificuldades.

Narrador da Rádio Itatiaia há quase 26 anos e ídolo da torcida atleticana, o filho ilustre de Três Pontas, no Sul de Minas,  inicia o terceiro mandato aos 46 anos,  de uma carreira política que ele garante que será longa.

Em entrevista ao Uberaba Popular, o deputado fala das suas expectativas em relação ao novo governo, lamenta as ações de alguns políticos e se diz comprometido com os seus eleitores.

Caixa avalia positivamente a carreira política construída até aqui e deixa escapar que, se algum dia, o Atlético Mineiro o eleger presidente, ele ficará muito feliz.

Minas vive um momento triste, trágico, criminoso e não há como fugir desta pauta. Brumadinho e Mariana são casos comprovados de negligência política, autoridades e inciativa privada, neste caso a Vale, que está envolvida nos dois acontecimentos. Como você avalia essa situação e lida com a desconfiança do povo mineiro quanto à omissão do Legislativo?

Realmente um quadro difícil neste momento, não só pelas barragens de Mariana e Brumadinho, onde muitas pessoas nem serão encontradas, mas principalmente, pelas mais de 700 barragens de detritos que estão espalhadas em nosso Estado. São bombas, prontas para explodir a qualquer momento. Há, por parte da Assembleia Legislativ,a uma vigília constante sobre este texto e eu faço parte daqueles que buscam investigações severas à estas barragens. Estive por duas vezes na Comissão das Barragens, presidida pelo nosso colega João Vítor Xavier, e lá concordamos com este parlamentar, no sentido de que a fiscalização tem que ser aumentada. Não só a fiscalização, a Legislação precisa ser modificada. Tem que ser proibido este tipo de barragem porque ela é, sem dúvida alguma, uma arma apontada para aqueles moradores que vivem ao seu redor, também da natureza como um todo, nossos rios, nossos leitos. Isso tudo precisa ser mudado e eu vou me dedicar muito a este tema.

Que cenário você enxerga, neste primeiro momento, da relação entre os deputados com um governo totalmente reformulado e que tem proposto tantas mudanças?

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"Ser político não é fácil não. Eu entrei exatamente no momento mais difícil da política, onde muitas coisas erradas estavam acontecendo e estão ainda" | Foto: Assessoria de Comunicação[/caption]

O governador Zema foi eleito numa arrancada muito forte nos últimos dias de eleição e a eleição dele foi realmente representado o novo. Representando uma alternativa fora PT e fora PSDB. As pessoas depositaram, não só nele como no Bolsonaro, uma esperança de uma Minas Gerais nova, um país novo, diante da calamidade que está o meio político, diante de tanta coisa errada que foi descoberta. Acredito que o Zema terá um pouco de dificuldade neste início, porque não traz a experiência de gestão pública, mas traz uma experiência de sucesso na sua vida privada e eu tenho certeza que ele vai se dedicar muito junto com a sua equipe. É uma proposta nova. Mudanças estão para acontecer. Votações importantes passarão aqui pela Assembleia e eu espero ter a inteligência, o discernimento e a benção de Deus para poder votar de acordo com o que for melhor para a nossa população.

Politicamente, o que o fez recusar a disputa de uma das vagas no Senado, ou foi mesmo apenas a conciliação com o trabalho em Belo Horizonte?

A vaga ao Senado surgiu para mim faltando um mês para a eleição e eu já estava com a campanha na rua. Já tinha inaugurado o meu comitê, já estava com o meu material gráfico produzido e tinha a minha estratégia de campanha. Há um mês da eleição fica muito difícil. Eu terei sim uma vida política extensa pela frente, não descarto a possibilidade de disputar o Senado, mas da forma que foi construída, muito em cima da hora, tornou-se inviável. E sem uma coisa pensada, uma estratégia, é muito difícil você ganhar uma eleição.

A proximidade com o seu eleitor é muito grande. Você está exposto na rádio, nos estádios. Como você lida com isso?

Tenho uma exposição sim, com um contato muito grande com o eleitor nos estádios, nas ruas. Sou bastante conhecido, principalmente, em Belo Horizonte. Me dou muito bem com isso. Nunca fui desrespeitado, nem por se atleticano, nem por ser da Rádio Itatiaia e, muito menos, por ser deputado. Muito pelo contrário, as pessoas me abordam, conversam comigo e isso me deixa muito feliz.

Você acredita nesta nova política, tão falada nos últimos tempos?

Eu acredito na nova política. Acredito nos novos nomes que estão surgindo. O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, teve uma aposta muito grande da população e vem fazendo um grande mandato. Eu venho para o meu terceiro mandato, com uma votação muito expressiva, sinal de que estamos realizando um bom trabalho e temos muitas caras novas. A renovação na Assembleia foi muito grande, a renovação em Brasília foi muito grande, no Senado Federal também. Nós temos que mudar, se as coisas não andam bem, nós temos que mudar. Mudar com essa nova política, com as coisas boas que podem acontecer à nossa população. E os antigos erraram muito. Os últimos acontecimentos estão aí para a gente ver. Então, vamos acreditar num país melhor, enxugando a máquina pública, fazendo as reformas que são necessárias para que a gente possa ver um horizonte melhor para os nossos filhos e nossos netos.

Muitos jornalistas, narradores e repórteres, pleiteiam cargos políticos. O que te levou para a política?

Eu sou locutor desde os 14 anos, em Três Pontas. Com 13 anos, eu apresentava comícios. A rádio era de um prefeito, eu frequentava a prefeitura e me interessei pela política muito cedo. E via que as pessoas precisavam de um pouco mais atenção, precisando ser ouvidas e de um pouco mais e esperança. E é isso que faço no meu gabinete procuro ajudar as cidades mais necessitadas. Onde tem a carência numposto de saúde, ônibus escolar, ambulância, numa viatura. É para essas pessoas que eu trabalho.

É mais difícil ou mais fácil do que você imaginava?

Ser político não é fácil não. Eu entrei exatamente no momento mais difícil da política, onde muitas coisas erradas estavam acontecendo e estão ainda. Algumas vieram à tona e outras ainda virão. O fato de as pessoas já estarem sendo julgadas e punidas pelos erros que cometeram, já é uma evolução. Há trinta anos eu já estava envolvido com a política, de uma forma ou de outra, no inicio da minha carreira, mas eu achava que era uma coisa bonita e da qual você podia se orgulhar. Hoje, a classe política se desgastou tanto que, às vezes, há até um certo constrangimento de se dizer que é político. Mas, acho que os bons têm que falar que são. Que são políticos, deputados e que estão fazendo o bem, porque, senão, os ruins tomam conta e é isso que a gente não quer.

Você obteve 76.527 votos, distribuídos em 640 municípios mineiros. Como alcançar esse povo todo com medidas políticas?

Fazer o bem comum para todos. Como que a gente faz isso? Fiscalizando o Governo Estadual e votando leis que possam melhorar a qualidade de vida das pessoas. Não adianta a gente ficar inventando lei: “ah, essa lei agora permite atravessar a rua às duas horas da tarde de bermuda”. É preciso aperfeiçoar as que já existem, procurar leis que realmente sejam interessantes para a população. É dessa forma que faremos uma Minas Gerais melhor e que vamos atender aos municípios de forma igual.

Qual o balanço que você faz da sua carreira política até aqui?

É positivo. Sou deputado há seis anos. Começo agora o meu terceiro mandato e tenho reconhecimento nas principais cidades onde sou mais votado, como o político mais atuante, o político que mais destinou recursos, de caráter, altives e, acima de tudo, sinceridade. As pessoas que me apoiaram em 2010, me apoiaram em 2014 e me apoiaram em 2018. Sou um político que cumpro. Todas as cidades, apoiadores, vereadores que me apoiaram tiveram a minha atenção nas suas cidades. Seja com emendas ou com a minha presença, sempre atuando no município, junto ao poder local.

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O Deputado é ídolo da torcida do Atlético Mineiro e narrador oficial do clube na rádio Itatiaia | Foto: Twitter Pessoal[/caption]

Futebol: como você avalia o futebol brasileiro atualmente?

Estamos em um bom momento. Tivemos um bom campeonato Brasileiro no ano passado. Estamos felizes porque o Atlético está na Libertadores, estreou bem e deve conseguir a sua classificação. Não fizemos uma boa Copa do Mundo. Infelizmente, o Brasil foi eliminado pela Bélgica. Isso serviu de aprendizado para que o Brasil tire o sapato alto e o Tite coloque a mão na cabeça e possa consertar os erros para que a Seleção tenha bons resultados daqui há três anos.

Conte um pouco sobre como você cria os seus bordões.

Meus bordões são naturais. Não fico em casa criando, pensado, o que eu vou fazer e falar nas transmissões dos jogos. Vem naturalmente. É uma coisa que a gente usa a criatividade naquele momento.

Você é ídolo da torcida do Atlético Mineiro, torcedor fanático (vamos pegar o rosário, porque a Libertadores começa hoje), e presidente? Você tem vontade de ser presidente do Galo?

Eu sou bastante realista. Faço a minha função de deputado bem-feita, faço a minha função de radialista bem-feita. Ser presidente do Atlético, acho que é a primeira vez que me fazem essa pergunta. Não sei, hoje eu não pensaria nisso. Há uma política dentro do Atlético, há várias correntes de conselheiro. Sou muito próximo do prefeito Alexandre Kalil, que já foi presidente e sou amigo do Sette Câmara que é o presidente. Então, eu sou me considero, teoricamente, deste grupo político dentro do Atlético, mas nem conselheiro eu sou ainda. Acho que nós temos que fazer essa construção: ser conselheiro, poder ajudar, de uma forma ou de outra. Mas ser presidente, acho que não é uma decisão que cabe a mim. É uma decisão de um grupo e, se algum dia, eu for lembrado, eu ficarei muito feliz.


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