24/01/2019 às 14h26min - Atualizada em 24/01/2019 às 18h32min

Democratizar ou arrecadar? Eis a questão! (Estacionamentos Rotativos)

Sacrifícios invisíveis agindo contra a intuição do consumo

O uso das vias públicas é de viés comunitário. Entende-se por comunitário aquilo que é comum a vários indivíduos e onde haja uma consciência mútua de alteridade na transmissão das ações. O que é alteridade, von Silva? Resumidamente, alteridade é quando você se coloca no lugar do outro antes de realizar a ação que vai afetar essa mesma pessoa. Mas, veja bem, eu disse alteridade! Não confundam a alteridade com o altruísmo, os liberais e libertários de plantão já sabem. Rand (2018), grande filósofa russa, segundo Xavier, doutor de filosofia antiga e professor de filosofia da UFU, nos diz que o altruísmo impõe um sacrífico coercitivo ao indivíduo realizador da ação, em prol de outra pessoa ou em prol de um valor que o indivíduo realizador da ação não comunga, e isso não tem nada a ver com liberdades individuais, assim como a alteridade não tem nada a ver com sacrifício. Incluir a realidade do próximo nas nossas ações tem a ver com usar o bom senso e com expressar os seus valores individuais através do bem ao próximo. Tem a ver com tomar uma decisão intima, não com agir por medo de ser lesado de alguma forma, caso você não aja de certa maneira.

Por exemplo, nós vemos a alteridade ao vivo e a cores em qualquer praça de alimentação de Shoppings. Você come e, assim que termina a sua refeição, você decide ceder o lugar para outra pessoa comer e repetir a mesma ação que você fez. Por mais que as pessoas tenham outras coisas para fazer depois, todos sempre observam ao redor, antes de se retirarem, para verificarem se existe alguma pessoa precisando da mesa e, caso alguém esteja precisando, assim que é encontrado, instantaneamente, nós dizemos:

- “Ei, moço (a)! Sente-se aqui! Eu já terminei!” (Isso nos dá a sensação de que fizemos uma boa ação)

Isso vai acontecendo inúmeras vezes ao longo do dia. Mas uma coisa que você não vê nesses lugares - e se existir será algo bem específico - são pessoas sendo obrigadas a “pagarem uma taxa exclusiva para terem um suposto direito democrático de usar uma mesa na hora da refeição”, por taxação progressiva. Isso soaria completamente anormal, não acham? Imagine o cenário:

- Um Big Burger, um refrigerante grande, uma batata grande... Isso tudo, mais uma hora de uso de mesa para realizar a refeição, vai dar R$ 55,00! – Disse o atendente da rede de Fast-food.

- UAI CREDO! É PRA VIAGEM, ENTÃO! – Respondeu o cliente.

- Então, são R$46,99 senhor!

Tanto em praças de alimentação quanto em estacionamentos rotativos, o poder que domina as ações entre os indivíduos se chama “necessidade”. Para que nenhuma necessidade individual se sobreponha às outras, é preciso haver um agente de controle. Controle que pode ser administrado por deveras ferramentas, como regulamentações, regras, leis e penalidades para os casos de excessos. Você pode não saber, mas, se você já tiver terminado a sua refeição na praça de alimentação e outra pessoa estiver precisando da mesa, você será convidado a ceder o seu lugar, por algum funcionário local e, por incrível que possa parecer, você não vai achar isso uma ofensa, pelo contrário, você vai se sentir mal, pois, vide o término da sua refeição, lá no fundo você já está satisfeito com o serviço e deseja que outra pessoa sinta a mesma coisa, e vai assumir o pequeno excesso cometido, que é categorizado por si mesmo. Eu acredito na bondade das pessoas. Não acredito que a maioria dos uberabenses acorde querendo discutir com outras pessoas por motivos banais, pelo contrário, eu tenho esperança no povo de Uberaba. Sabendo disso, devemos refletir:

“Não é o fato de existir uma regulamentação que gera o desconforto em todos nós, mas o fato ou a possibilidade dessa regulamentação nos obrigar a realizarmos um sacrifício pelos outros!”

Sacrifício que ficaria escancarado se tivéssemos que parar tudo o que estaremos a fazer (pagando contas no centro, comprando ou comendo) para cedermos mesas ou vagas de estacionamentos, antes de terminarmos as nossas ações de forma natural, porque isso se chama imposição. Será que se aumentássemos os números de vagas, não resolveríamos o problema de rotatividade? Será que enfraquecer as vendas no comércio, não pode resultar em desemprego em massa? Será que nós não devemos buscar ações simples, ao invés de burocratizarmos tudo? Eu acredito que a resposta esteja em quem está perto do problema e jamais em quem está longe do problema, ou seja, a resposta está nos indivíduos, está nos consumidores, está nos comerciantes, não em cooperativas, sindicatos, prefeituras, câmaras e etc. Não existe pesquisa no meio comercial, como vamos resolver um problema que não temos a menor afinidade? Deveriam ter pensado nisso.

O sacrifício que está ocorrendo vai custar caro para a cidade, pois é o comércio que está com a corda no pescoço! Ora, o que está sendo alterado nesse processo são os fenômenos de venda: tempo de abordagem, tempo de persuasão, tempo de decisão, tempo de convicção, tempo de compra, etc. Esses fenômenos estão recebendo um prazo, para serem aproveitados pelos vendedores nas lojas, mas, cá entre nós vendedores, consultores de vendas, corretores de imóveis e atendentes, nenhum cliente quer ser pressionado, seja por ações internas ou externas. Por isso, os estacionamentos rotativos estão a enfraquecer cada vez mais o movimento nas lojas, aumentando o risco de desemprego em massa no setor. E o pior de tudo é que os trabalhadores do comércio estão a ser obrigados a assistirem e contribuírem pelo seu próprio vilipêndio.

Leve um, pague dois!

Ainda usando o mesmo exemplo, as pessoas já sabem que aquele espaço é de uso comunitário e valorizam a rotatividade das praças de alimentação. Não precisam ser ameaçadas com taxas e não precisam ser ameaçadas com multas, para que, só assim, elas valorizem a rotatividade. Não. Não é por aí... Mas aí você dizer “Ah, Vitor, mas lá são empresas de lucro pessoal, lá, tecnicamente, os clientes pagam pelo uso da mesa nos produtos que eles estão consumindo, então tecnicamente as pessoas estão pagando para terem “o direito” de usarem as mesas”.

Sim! Eu concordo com isso! É um ponto muito importante na nossa análise esse argumento, ainda mais se ele já estivesse na sua mente, caro leitor, porque ele precisa ser evitado!

Esse tipo de fala é refutada quando a gente compara a taxação dos estacionamentos rotativos com a taxação de mesas em praças de alimentação. É claro que o os consumidores pagam no preço dos produtos pelo uso das mesas, mas, agora vou contar um segredo que vai mudar a vida de quem teve esse raciocínio, VOCÊ TAMBÉM JÁ PAGA PELAS VAGAS DE ESTACIONAMENTO nos preços dos produtos que você consome no dia-a-dia, inclusive se você for almoçar num Shopping Center, numa praça de alimentação, comprar sua comida num Fast-food e pedir um Big Burger com um refrigerante grande e batata! O imposto que garante o seu direito de usar as vias públicas com certeza já está incluído no preço de todos esses produtos. Além disso, a prefeitura já tem outros vários impostos extra taxas em produtos de mercado, como: IPTU, impostos de PJ, Taxas na conta de Água... Ou seja, a diferença está no fato de que nós estamos pagando mais de uma vez para podermos ter acesso ao mesmo serviço, “direito democrático” ou como quer que estejam chamando simples o fato de estacionar o carro na rua.

Meus caros amigos e amigas,

A lei não diz que a prefeitura é obrigada a taxar os cidadãos, só diz que a prefeitura está autorizada a regulamentar os estacionamentos nas vias públicas. Isso quer dizer que ela pode criar uma taxa? Sim, mas não que é obrigação criar. O que eu quero dizer a vocês, nessa nossa conversa silenciosa, é que EXISTEM OUTROS MEIOS e os uberabenses precisam deles agora.


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