24/01/2019 às 15h59min - Atualizada em 24/01/2019 às 18h43min

Com Estado quebrado, Romeu Zema trabalha para equilibrar contas

Janaína Sudário

Menos de um mês após ser empossado no cargo de governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do NOVO, reafirma, em entrevista exclusiva ao Uberaba Popular,  o compromisso com os mineiros.

Ele explica que as promessas de campanha têm sido cumpridas de acordo com o que é possível na máquina pública. Com o Estado endividado, servidores com salários escalonados e décimo terceiro de 2018 em atraso, não é possível projetar grandes acontecimentos para Minas tão cedo, mas Zema garante que está com os olhos e atenções voltadas para todas as regiões, inclusive o Triângulo.

Com bom relacionamento em Brasília, Romeu Zema pretende trabalhar para que a duplicação da BR-262, entre Uberaba e Nova Serrana, seja, enfim, viabilizada e espera a retomada dos projetos parados na Petrobrás, como a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, planta de amônia. Neste caso, o governador garante ser incentivador do projeto para Uberaba.

O senhor está assustado com a situação do Estado? Pelo que temos visto e como o senhor mesmo diz, tem muito mais “cobras, escorpiões e aranhas venenosas” que o previsto. Como contornar e oferecer um pouco de alívio aos mineiros, principalmente aos servidores, que depositaram todas as esperanças de dias melhores no senhor, no NOVO e neste novo jeito de governar?

A situação financeira do Estado é assustadora, mais ainda do que já prevíamos a partir dos dados coletados durante o período de transição. Encontramos uma máquina inchada e endividada, enfim, quebrada. Estamos fazendo todo o esforço para conseguir retomar a regularidade do pagamento de salários aos servidores e também para buscar uma forma de efetuar o pagamento do 13° salário, que não foi pago pelo governo anterior. Já estamos retomando os repasses para as prefeituras e pretendemos pagar os atrasados o quanto antes. Assim que assumimos o governo, fizemos cortes significativos nos gastos e, é assim que vamos governar, com austeridade, combatendo o desperdício do dinheiro público. Com isso, esperamos conseguir reequilibrar as contas o mais rapidamente possível.

A gente sabe que, inevitavelmente, para controlar as contas, muitos cortes serão feitos. Até porque, sem essa austeridade, Minas Gerais não sairá da crise financeira. Assim que Jair Bolsonaro tomou posse, imediatamente, decretou que o salário mínimo fosse reajuste abaixo da estimativa. E quanto ao senhor? Quais foram as primeiras providências nestes primeiros dias de trabalho?

Já no primeiro dia de trabalho, exoneramos os ocupantes dos cargos comissionados, já que no mesmo dia, o ex-governador exonerou somente as chefias em todas as áreas. Nós estendemos as exonerações para além das chefias, mas preservamos as áreas essenciais. Em seguida, fizemos uma avaliação para trazer uma parte destes profissionais de volta, para não parar a máquina, já que muitos assinavam por suas áreas. São triagens temporárias nesta primeira etapa de governo. Elaboramos a proposta, que será levada à Assembleia, para redução do número de secretarias. Aluguei o imóvel que será minha moradia, durante minha gestão, deixando o Palácio das Mangabeiras para ser usufruído pela população, de forma ainda a ser estudada. Reduzimos a frota aérea do governo ao mínimo. Para utilização totalmente racional e quando for utilizada, que seja voltada, evidentemente, às funções que o governador precisará estar presente num Estado com dimensão quase continental, se fossemos comparar nosso território ao continente europeu, por exemplo.

Negociar as dívidas com a União é o primeiro passo para “arrumar a casa”? O senhor não gosta de fazer estimativas, mas até quando espera dar boas notícias aos seus eleitores?

Não gosto de fazer estimativas para não frustrar as expectativas do povo mineiro, que já estava tão desalentado. Seria precipitado da minha parte estipular um prazo para isso. Mas os mineiros podem ter certeza que eu e a minha equipe estamos nos empenhando ao máximo junto ao Governo Federal para fazermos a renegociação o quanto antes. Posso garantir que estamos recebendo toda atenção da União neste sentido. Estivemos em Brasília em dez reuniões muito produtivas e propositivas neste sentido, com o presidente Bolsonaro, e os ministros Paulo Guedes e Onix Lorenzoni.

Corte do número de secretários, dispensa da frota de helicópteros, desativação das residências oficiais e do escritório no Palácio da Liberdade foram promessas de campanha que já foram colocadas em prática. Qual a economia, em números, destas ações?

Ainda estão em fase de implantação. Quando essa etapa for concluída, daremos total transparência aos dados que vamos economizar. Diante de um cenário de dívidas bilionárias, talvez seja insignificante do ponto de vista financeiro. Mas dá a tônica da economicidade e da eficiência que daremos na gestão do Novo em Minas Gerais.

O Triângulo Mineiro tem microterritórios de grande importância, tem Uberlândia, que em 2017 foi eleita uma das 100 melhores cidades para se investir no Brasil, e é responsável por mais de 13,7 do PIB Mineiro, o senhor sabe bem disso. E nós, triangulinos, estamos bem esperançosos com a aquisição de investimentos e com a abertura das portas para novos setores e maiores desenvolvimentos. Como é o seu relacionamento com os prefeitos desta região? Neste curto período, desde outubro, houve algum planejamento ou expectativa de negócios para o Triângulo? O que ou quais?

Já recebemos o Paulo Piau aqui no Prédio Tiradentes. Sou do Triângulo. Muitos falam que Araxá é no Alto Paranaíba, mas se você olhar no mapa aqui de Minas (aponta para um na parede), Araxá está mais próxima do Vale do Rio Grande e de Uberaba do que do Alto Paranaíba, que é onde o Rio ainda não faz a divisa de Minas com Goiás. Sei muito bem da pujança triangulina, por ter feito parte desse processo de evolução no comércio da região, que trouxe junto a industrialização e o incremento no setor de serviços. Sem falar no peso do agronegócio da região para todo nosso Estado. Hoje, temos um polo de agronegócio dos mais avançados do mundo. As maiores indústrias do mundo no agronegócio têm plantas em Uberlândia. Uberaba é fonte mundial no processo de melhoria genética dos nossos rebanhos. Queremos que o Estado seja parceiro desse progresso já alcançado na região. Sem criar entraves, melhorar os processos de obtenções de licenças para facilitar o espírito empreendedor que já temos.

A duplicação da BR-262, entre Uberaba e Nova Serrana, vai acontecer?

Será um dos pilares do nosso trabalho em Brasília, por se tratar de uma rodovia federal.

Em relação ao traçado do Gasoduto, para chegar a Uberaba, com o braço vindo de Rio Claro, em São Paulo, o que é mais viável, as negociações serão retomadas?

Agora, com o novo governo, creio que esse projeto da Petrobras da planta de amônia, que está parado, poderá ser retomado, e com ele a vinda do gasoduto do Estado de São Paulo para o Triângulo Mineiro. Enquanto governador, seremos incentivadores do projeto, caso a Petrobras o retome.

Qual o papel do NOVO Nacional na sua gestão? A gente sabe que ela será a maior vitrine para o partido, já que o senhor tem nas mãos o segundo colégio eleitoral e o terceiro estado mais produtivo do país.

Obviamente as diretrizes do NOVO vão norteando minha gestão e sei que os olhares estarão voltados para Minas. Como o partido é novo - não apenas no nome, mas na existência mesmo -, é observando nossa atuação à frente do Governo e a atuação dos deputados na Câmara e na Assembleia que os cidadãos vão conhecer nossa forma de trabalhar. Isso faz com que nossa responsabilidade seja ainda maior. Mas manteremos a coerência com nossas propostas de redução de penduricalhos estatais para que o poder público foque naquilo que realmente interessa à população prioritariamente: Educação, Saúde e Segurança Pública.

Em relação ao corte de cargos, corte de indicações por parlamentares, corte dos altos salários nas empresas do Estado, como a Cemig. O senhor já pensou no tamanho do problema que enfrentará na Assembleia Legislativa? O senhor confia que todos estão dispostos à ajuda-lo na gestão, que como o senhor mesmo chama, da nova política?

Ao assumir o Governo, propus a todos os mineiros fazermos um pacto por Minas. Para conseguirmos enxugar a máquina e fazê-la funcionar, precisamos contar com todos: legislativo, judiciário, servidores, imprensa, empresários e toda a população. Acredito que todos conheçam a realidade crítica do Estado e, assim como eu, queiram resolvê-la o quanto antes. Especificamente na Assembleia, conto com meu vice, Paulo Brant, e meu secretário de Governo, Custódio Mattos, que têm boa interlocução com os parlamentares. Definimos nosso líder do governo, o deputado Luiz Humberto Carneiro, que é aí da região do Triângulo, justamente pela capacidade de articulação e diálogo que ele tem na Casa, por estar no seu sexto mandato. E gosto de dizer que a opinião pública será o nosso 78° deputado estadual,  para acompanhar os trabalhos da Assembleia e a necessidade de aprovação das medidas necessárias, e urgentes, para Minas voltar aos trilhos.


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