23/12/2018 às 23h40min - Atualizada em 23/12/2018 às 23h46min

Crônica de Natal

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Foto da internet.[/caption]

Nunca fui encantada com o Natal e há muito tempo, ele é só mais um dia findando o dezembro. Eu o vejo como mais uma data comercial, entre tantas, de gastos exorbitantes, de mesas fartas e de encontros obrigatórios.

Depois que a vovó morreu, há quase cinco anos, piorou muito. Perdemos o elo de ligação familiar e vi a essência da comemoração se esvair de vez.

Resta, entretanto, refletir sobre o que o Natal nos revela, além daquilo que a gente pode comprar.

O Natal já simbolizou o nascimento de Jesus Cristo. Mesmo que a Bíblia não traga referências sobre o dia exato do nascimento do filho de Deus, há os que ainda cantam “Parabéns para você” em homenagem ao aniversariante. Demonstrações cada dia mais raras, mas que sobrevive à comilança, “bebança¹” e gastança.

Vivemos de ciclos. De inícios e fins de etapas. É natural que, neste período, estejamos dispostos a rever e repensar a nossa vida.

Seja com aquele abraço que encerra um desentendimento. Seja com uma ligação que supere a ausência. Seja no agradecimento aos que lutaram com a gente todos os outros dias do ano. Seja no silêncio da oração ou no barulho ensurdecedor dos fogos.

Não importa o quanto a vida tenha sido dura em todos os outros meses do ano, em todos os outros dias. É hora de nascer de novo. De nascer novas esperanças, novos sonhos, novas lutas, conquistas e novas alegrias.

Quem sabe não seja esse o verdadeiro sentido de comemorarmos o “nascimento”? Nada tem a ver com a sua religião ou a sua crença. Nada tem a ver com liturgias. O momento é singular, mesmo que o registro, quase sempre, seja rodeado de pessoas, em meio à festas e brindes.

Ainda que o espírito natalino envolvendo aves assadas, família reunida, troca de presentes e luzes espetaculares, não me contagie, confesso que gosto da ideia de encerramento do ciclo.

Gosto de pensar que, depois do Natal e com o novo ano, os planos serão renovados, que a vida ganhará fôlego e a caminhada novo impulso. Mas aviso: essa “boa nova” não vem dentro de um belo embrulho de presente, menos ainda no trenó do papai Noel.

É preciso olhar pra dentro de si e buscar no fundo do coração a semente da vida. A semente da nossa fé e da nossa esperança. É preciso ainda regar a semente por mais um longo ano e saber que é tempo de nascer, renascer, crescer e aprender que, depois da festa, o que nos resta é a singularidade dos nossos bons e maus momentos.

Feliz Natal!

_________________________________________________________________________ 1 - Bebança - A palavra não existe no dicionário.
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