16/12/2018 às 15h17min - Atualizada em 17/12/2018 às 08h48min

Sobre deuses e monstros

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Flávio Bolsonaro e João de Deus, dois casos em que a confiança foi contestada[/caption]

Quando foi que os seres humanos se tornaram tão miseráveis e desprezíveis? Quando usou a fé do outro para alimentar os seus desejos asquerosos? Ou enquanto simulava honestidade, mesmo mergulhado no mau-caratismo e na ganância?

Dois fatos que ganharam os noticiários nas últimas semanas me dão náuseas e medo: João de Deus e a caixinha de gabinete supostamente operada por Flávio Bolsonaro, filho do mito e presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro.

O primeiro, que de Deus nada restou, está sendo acusado de assediar, violentar e dilacerar a fé de mais de trezentas mulheres. Com a prisão decretada, João Teixeira de Faria tem 76 anos e jura inocência.

O segundo assunto também envolve Deus. Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais com o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Ele conquistou a confiança de mais de 55.000.000 de eleitores ao prometer aumentar a segurança dos brasileiros e combater rigorosamente a corrupção.

Um mês após o término do processo eleitoral, assessores do filho de Bolsonaro, o deputado estadual e senador eleito, Flávio Bolsonaro, estão sob investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo o órgão federal, o motorista e segurança, Fabrício José Carlos de Queiroz, movimentou cerca de R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, valores “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira”, como definiu o Coaf.

De acordo com os relatórios levantados, há indícios de que Flávio Bolsonaro recebia parte dos pagamentos dos seus assessores. Os valores eram repassados à conta do motorista e transferidos para o deputado, coincidentemente, na mesma data dos pagamentos salariais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Entre os assessores que supostamente “pagavam” pelas nomeações na assembleia estão a esposa do motorista, Márcia Oliveira de Aguiar, e a filha dele, a personal trainer, Nathália Melo de Queiroz.

Da mesma forma que João de Deus ainda consegue achar defensores às denúncias de mais de trezentas mulheres, há quem questione a irrelevância dos valores citados no caso Bolsonaro, comparados a outros esquemas de corrupção. O próprio futuro ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni, questionou as ações do Coaf. “Onde é que estava o Coaf no mensalão, no Petrólão?”.

Vale lembrar que as duras críticas ao programa Mais Médicos, encerraram a parceria entre Brasil e Cuba. “Não posso compactuar”, foi o que disse Jair Bolsonaro sobre o governo cubano ficar com parte dos salários dos profissionais.

Não importa quantas foram as mulheres assediadas e estupradas pelo médium curandeiro. Se ficarem comprovadas as denúncias, João Teixeira estará envolvido no maior escândalo sexual do país.

Não importa quão menores sejam os valores investigados na suposta “caixinha de gabinete”. A família Bolsonaro está envolvida em um esquema de corrupção, com valores equivalentes aos cargos exercidos na Alerj.

Se nenhuma das mulheres tivesse a coragem de denunciar João Teixeira, é possível que outras centenas se tornassem vítimas da exploração sexual dele.

Se acharmos natural o esquema de corrupção apontado pelo Coaf, é possível que outros sejam praticados, nos novos cargos assumidos pela família Bolsonaro, a partir de 1º de janeiro de 2019.

Ou seja, há monstros que caminham por aí usando o nome de Deus e prometendo a cura para os males da humanidade, com o único propósito de saciar os seus desejos hediondos. Se disfarçam  de servos da bondade, mas são fascinados pelo poder que alcançaram traindo a confiança, a fé, e a esperança dos seus iguais.

Basta uma denúncia e um pouco de coragem. O mal há de ser cortado na raiz. Até porque, Deus é justo e está acima de tudo mesmo, dos monstros inclusive.


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