07/11/2018 às 21h28min - Atualizada em 08/11/2018 às 07h56min

Racismo existe, é crime e machuca

No mês que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no dia 20, o Uberaba Popular traz uma série de entrevistas com personagens que retratam os desafios e as conquistas dos negros.

A data foi estabelecida em 09 de janeiro de 2003 e a escolha é uma homenagem ao líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi. Um dos mais importantes nomes na luta contra a escravidão no Brasil e morto em combate defendendo a cultura e a liberdade dos negros.

No Brasil, racismo é crime inafiançável, apesar disso, em 2017 os casos explodiram, com aumento de 64% em relação ao ano anterior. Os índices são maiores nos estádios de futebol e na internet.

O advogado Brener de Oliveira Tomé, tem 27 anos, é negro e privilegiado. “Meus pais sempre priorizaram a educação dos filhos. Se esforçaram para manter minha irmã e eu na escola particular, o que me capacitou para entrar numa universidade pública”, contou.

Formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Direito Processual Civil, pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp), Brener identificou nas instituições de ensino por onde passou que a sua raça é minoria em todos os lugares. “Na UFU, de 40 alunos, eu era o único negro. De 80 alunos, éramos apenas três. Isso é que precisa ser mudado. Houve avanço, mas ainda falta representatividade".

Filho da servidora pública aposentada, Geruza, e do comerciário, Jaime Tomé, Brener lembra a primeira vez que sofreu preconceito racial. “Foi na sexta série. Lembro que começaram a falar do meu cabelo. Fiquei bem mal na época e até chorei na sala".

Mas a mágoa passou logo. O garoto adotou com orgulho o cabelo afro e não se vitimizou por isso, apesar de continuar vivenciando situações parecidas. “Na faculdade, quando eu ia de terno, um aluno me chamava de pastor. Como se todo negro de terno só pudesse ser pastor, não pudesse ser advogado. Ver gente mudar de calçada é muito comum. Aconteceu comigo uma vez em Uberlândia. Mas, fazer o que? É um sentimento muito ruim”.

Contudo, o advogado sabe que as suas gerações anteriores enfrentaram preconceitos infinitamente maiores. “Meu pai sofreu mais. Tem muitas histórias. Infelizmente, hoje não há como provar mais nada e não dá para fazer nada. Mas lá atrás foi muito pior".

Para Brener, o Dia da Consciência Negra serve para reflexão. “É um dia para o negro levantar a sua autoestima. Dia de analisar as conquistas e encarar as dificuldades. É um processo novo, apenas 130 anos desde a abolição. O fato é que está caminhando e isso já vale a pena".


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