23/06/2018 às 19h37min - Atualizada em 07/09/2018 às 22h16min

O Neymar é a cara do Brasil

Copa do Mundo. Impossível esquecer o placar nas semifinais do mundial de 2014. O vexaminoso 7 a 1 está entranhando na história da Seleção Brasileira.

Enquanto escrevo este texto, inspirado no jogo desta sexta-feira (22), entre Brasil e Costa Rica, acompanho a partida entre Alemanha e Suécia, com o coração disparado.

Há tempos o meu coração não dispara com a Seleção. Há tempos o orgulho deu lugar à vergonha e me vejo obrigada a encher os olhos com o futebol alemão: pragmático, bonito e nada, nada burocrático.

Há quem produza materiais extensos, como o que foi apresentado por Tiago Lifert, no programa Central da Copa, exibido depois do jogo do Brasil, para “defender” a postura do mais badalado jogador do Brasil, Neymar Junior.

Há quem diga que tantas críticas estão relacionadas a despeito e inveja. Há quem acredite em choro verdadeiro e em pressão excessiva.

Neymar escolheu a profissão. Quis ser jogador de futebol. Enquanto menino da vila, encheu os olhos de quem o viu jogar.

A figura era bastante comum: corpo raquítico, franzino e cabelo crespo.

O futebol? Mais brasileiro impossível. Tinha nos pés alegria, beleza e a malandragem tipicamente nossa.

O tempo passou, o menino virou uma máquina de dinheiro. A figura hoje, vale muito mais que o futebol apresentado.

Neymar, é a cara do Brasil. Tinha tudo para ser incrível, não fosse o caráter ou a falta dele. Lamentavelmente, é pela falta de caráter de muitos, que o brasileiro vive a crise moral, econômica e política, que parece não ter fim.

E isso nada tem a ver com pressão ou com inveja. Nós, brasileiros, apaixonados por futebol, só estamos decepcionados. Horrorizados com esse futebol tão sujo, num jogo tão limpo: o amor ao futebol.

A relação da torcida com os jogadores, nada tem a ver com a postura pífia e corrupta dos dirigentes dos clubes nacionais e da Confederação Brasileira de Futebol. O amor pelo futebol é genuíno.

Fomos seduzidos. O mundo foi seduzido pelo futebol de Rivelino, Garrincha, Zico, Tostão, Sócrates, Carlos Alberto Torres, Didi, Djalma Santos, Ronaldinho, Fenômeno, Romário e Pelé...

Sim. Tínhamos o futebol mais bonito e o mais raçudo do mundo. Tínhamos Branco, Dunga, Cafu, Rivaldo e Nilton Santos.

Tudo isso junto, nos permitia ter o melhor futebol do planeta. Seleção Brasileira sem estrelas, sem astros. Seleção de 11, 23, 30 jogadores e não apenas de um.

Principalmente quando este um nos oferece futebol tão barato, apático e sem graça. O menino Ney esqueceu sua principal ferramenta de trabalho: a bola. Acha que ganha jogo no grito, com palavrões, com quedas cinematográficas, simulações exageradas e excessiva vaidade, não por ser o melhor jogador do mundo, apenas por ser o mais caro. Dinheiro que não compra títulos e, muito menos, admiração.

Mais deplorável que as pirraças de um menino, que se recusa a crescer, é saber que boa parte da imprensa brasileira ainda encontre justificativas para tais pirraças.

Francamente, pressão é saber que milhões de brasileiros estão sem emprego, que faltam leitos em hospitais, medicamentos, moradia e educação e que estas pessoas não têm nos pés dons que os tirem da situação de pobreza e lhes proporcionem riquezas exorbitantes.

Pressão é saber que o povo que chora a fome, a miséria e a corrupção é o mesmo que consegue organizar a família, pintar a rua e os rostos, e quatro anos após uma derrota histórica, conseguir torcer!

Há de se ter pena sim, não do Neymar, mas da torcida. Essa sim passional, desmedida e fiel. Essa sim, doa-se de graça, mesmo quando não há a menor graça no que se vê na televisão.

O noticiário que enaltece o choro do camisa 10 é o mesmo que esquece a discreta, mas incontestável e eficiente atuação do dono da 11, Philippe Coutinho.

Talvez, tenhamos perdido a mão e não sabemos mais que futebol é jogado com os pés e não apenas com o bolso.


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