09/06/2018 às 17h21min - Atualizada em 17/09/2018 às 11h36min

Carta aberta à Câmara Municipal de Uberaba

Prezada senhora, Denise Max, e Prezados senhores, Agnaldo José da Silva, Alan Carlos, Almir Silva, Cleomar Oliveira, Edcarlo Carneiro, Fernando Mendes, Franco Cartafina, Ismar Vicente, Luiz Humberto Dutra, Ronaldo Amâncio, Rubério Santos, Samuel Pereira e Thiago Mariscal,

Primeiramente, pensei em escrever com o meu humor tórrido peculiar, mas fiquei constrangida com as primeiras palavras que me saltaram aos dedos. Certa de que ofendê-los é desnecessário, embora merecedor, manterei o tom menos agressivo que eu conseguir, usando palavras claras, a fim de que todos possam interpretá-las corretamente.  Respeitando, não os destinatários da carta, os quais não merecem o meu respeito, mas aos leitores de modo geral.

Estou aqui para contestar a vereança de todos vocês, sem exceção.

Neste tempo em que a política está sendo discutida em todas as classes sociais, etnias e crenças, é espantoso a conduta deste Legislativo.

Sugiro um breve estudo, meus caros vereadores: a palavra vereador vem do verbo verear: vigiar sobre a boa polícia da terra, reger e cuidar do bem público.

Se levarmos o significado ao pé da letra, é fácil afirmar que a única coisa que vocês não fazem é verear.

Uberaba nunca foi tão roubada, tão saqueada por seus gestores com tanto aval destas quatorze cadeiras. Não que outros administradores, durante os seus mandatos, não tenham enfiado a mão no dinheiro público, mas com o endosso da Câmara Municipal é a primeira vez que vejo e da forma que vejo. Um bando de covardes, lutando por seus interesses próprios, sem força, sem punho, sem cunhão e, o que é pior, sem a menor vontade de proporcionar aos larápios o mínimo de dificuldade na prática de ações ilícitas.

Talvez a senhora e os senhores não saibam, mas uma das funções, ou melhor, a obrigação do vereador é fiscalizar as ações do governo. Nas redes sociais, inclusive, às quais vocês dedicam longo tempo para propagarem os seus feitos, chovem denúncias de contratos superfaturados, aditivos inexplicáveis e valores estapafúrdios em maquinários, lápis, caneta, computador, softwares. O que vossas senhorias fazem diante disso?

Homenagens e Medalhas de Honra ao Mérito, um gasto desnecessário, se levarmos em conta a situação econômica atual. Diariamente, nos deparamos com as suas carinhas felizes, registrando as visitas aos bairros e comunidades, ações “voluntárias” para pedir semáforo, lombada, reversão de ruas, medicamento, vaga em hospital. Tudo isso regado a discursos acalorados e textos muitos bem escritos pelos bons assessores contratados.

Enquanto isso, a Lei de Acesso à Informação é ignorada nesta cidade. A única ferramenta do cidadão para acompanhar e cobrar as ações públicas é tratada com descaso.

Estou com a solicitação número 122 tramitando desde o dia 16 de março, sem nenhuma resposta. O meu pedido é simples. Quero ter acesso ao número de contratos e aos valores pagos pelos serviços prestados à Prefeitura Municipal de Uberaba pela empresa Ideal Tractor Serviços e Locações Eireli (CNPJ: 01.138.378/0001-19).

Resumindo: o pedido foi registrado há 84 dias e permanece sem ser atendido, quando o prazo máximo para resposta é de 30 (trinta) dias. Em outro registro, número 238, solicito valores investidos nos programas culturais patrocinados pelo Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba - Codau. Ainda que o prazo de resposta esteja dentro do previsto, saibam que já se passaram 18 (dezoito) dias.

Em 2016, telefonei a um vereador, ao qual eu acreditava ter o mínimo de interesse em exercer o cargo que ocupa. Expliquei que havia protocolado denúncia no Ministério Público ao ter acesso às notas fiscais emitidas pela Prefeitura de Uberaba à agência de comunicação licitada e encontrar indícios de irregularidades nos valores. Era ano eleitoral e o vereador nunca me recebeu.

Recentemente, passei pelo constrangimento de retornar ao Ministério Público para oitiva na denúncia sobre os gastos com publicidade. O convite do promotor veio dois dias após publicar uma reclamação nas redes sociais lamentado a demora de um retorno do MP. Saí do prédio consternada. Não só pela perda de tempo, mas pela constatação de que a oitiva nada mais era do que uma resposta imediata ao mal estar que, por ventura, as minhas lamúrias possam ter causado. O promotor se quer havia lido o processo antes de me receber e fazer a única pergunta: você fez mais alguma averiguação que queira acrescentar à denúncia?

O fato é que, senhora e senhores, não precisamos de vocês para lutar por cachorros, fieis de determinadas religiões e setores empresariais privados. Não precisamos de representantes para contestar erros de arbitragem envolvendo time de futebol da cidade e, muito menos, para ocuparem espaços exigidos por deputados e homens fortes da economia local. Não precisamos de macaco velho nem de machões com revólver na cintura. Não queremos mais essa política bairrista de dar tapinha nas costas com promoção de eventos, com pipoca, picolé e pula-pula, “lá na rua de casa”.

Tudo isso só envergonha e indigna.

Atenciosamente,

Janaína Sudário (jornalista, empresária e cidadã uberabense) 

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