28/05/2018 às 22h10min - Atualizada em 28/05/2018 às 22h10min

O brasileiro é o caos

Chegamos ao 8º dia de greve dos caminhoneiros. À essa altura já não se sabe quem realmente lidera o movimento, em meio às graves denúncias do presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca, de que em alguns pontos da greve, membros de partidos políticos tomaram à frente e ameaçam os motoristas para permanecerem nestes locais. O motivo: enfraquecer o Governo.

Enfraquecer o que já não se sustenta mais nas próprias pernas. Afinal, as trapalhadas nas negociações com a classe acentuaram a desmoralização da política nacional. “Mais perdido que cego em tiroteio”, Michel Temer, o chefe de Estado, deu um tiro no pé ao ameaçar os caminhoneiros com o seu Exército. A cena, embora fictícia, se aproxima muito da realidade. General Eduardo Villas Boas, ao telefone, indagando Temer: “Como, presidente? Não temos combustível nem para chegar à esquina”. E não chegaram. Cercaram os grevistas e em comboio, liberaram o que já estava liberado para seguir viagem e ponto. A greve continuou. O jeito foi negociar. Anunciaram um acordo que não existiu e no sábado, 6º dia da greve, o Brasil finalmente se entregou. Não tem essa de refém, nem síndrome de Estocolmo. Não tem essa de mocinhos ou bandidos. Nada tem a ver com a intervenção militar (que não acontecerá). O Brasil vive o caos porque há tempos somos o caos. Em meio à seriedade da situação que é estarmos impedidos de ir e vir, de consumir o básico, de ir ao médico, de tomar água, os brasileiros se superam: sangram os consumidores com a peculiar ganância e tiram o máximo de proveito da situação que lhes convém. Blogueiros oportunistas postam fotos com os heróis do momento. As redes sociais transbordam notícias falsas e exageros desnecessários. Piadas pipocam nas telas dos celulares. Rir é o melhor remédio na fila à espera do abastecimento. Diante do prenúncio do nosso momento atual, fomos incapazes de reagir. A corrupção chegou ao ponto de parar o Brasil. O Governo está de mãos atadas porque precisa defender os seus interesses. Vai baixar as calças até onde der. É preciso lembrar o quanto foi gasto com compra de votos na Câmara dos Deputados no vale-tudo para escapar das denúncias. Em ano eleitoral, outro vale-tudo para ganhar o “poder”, não é bom mexer nos cofres. Há de se guardar para a compra de boas e promissoras alianças. Não são os caminhoneiros, o movimento grevista ou o preço do combustível que nos fizeram reféns. Somos reféns de nós mesmos. Do total desinteresse político que nos trouxe até aqui ou do interesse político que nos levem a lugares do nosso interesse. Estamos reféns da jovem e já fracassada democracia brasileira, onde pouquíssimos fazem por nós e quase todos agem por si.
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