13/07/2017 às 08h59min - Atualizada em 13/07/2017 às 08h59min

Os vazios que nos ocupam

Busquei maneiras de começar esse breve relato sem esbarrar no conflito religião.  Tema que, para muitas pessoas, é uma válvula de escape importante e necessária para desintoxicar-se dos problemas.

No fim da noite, recebei de um amigo a seguinte mensagem, via aplicativo de celular:

“Estou me sentindo num vazio, um silêncio... eu acredito que ele (Deus) possa fazer, mas a ansiedade não me deixa descansar nele”.

Ora, se você não acredita em Deus, então, gentilmente, peço que não conclua a leitura, caso se sinta desconfortável com o assunto. Mas se você crê, ou simplesmente não se importa, e pretende analisar o texto até o fim, bem-vindo!

A mensagem me fez  refletir sobre os vazios que nos ocupam e o que temos feito para preencher essas lacunas e superar nossas frustações.

Saber que, em algum momento, nossos corações parecem desabitados parece perturbador.

Não reconhecer estratégias para seguir a diante é uma afronta a inteligência humana.

Quem nunca se notou desguarnecido, que feche o link dessa página.

Dizem que é próprio do ser humano esse questionamento sobre ser, estar, e uma série de outros porquês em relação a vida. Não sou nenhuma estudiosa do assunto, escrevo livremente, embasada na minha disposição de ouvir e me solidarizar com causas que me geram empatia. E esse vácuo social me atrai, justamente por identificar que eu, por diversas vezes, habitei e habito esse lugar oco, que não posso precisar se trata-se de solidão, dúvida, ansiedade, medo ou um misto destes ingredientes.

Mas ao passo que a combinação explosiva dessas sensações e sentimentos nos empurram para um abismo emocional, trago uma boa notícia. Ainda há tempo de salvar-se!

O primeiro passo é reconhecer que as falhas fazem parte desse meio, que o sofrimento não deve anteceder-se a crença de que tudo vai se resolver. E se resolverá. Mesmo que o resultado não seja o esperado, o planejado, o suposto. Positiva ou negativamente as coisas vão chegar a um saldo.

O segundo é entender que, veja bem, não é de Deus a responsabilidade por todos os seus processos dolorosos. Não é dele a incumbência do seu progresso nem mesmo o encargo do seu fracasso. Mas é dele a reconciliação, o encorajamento, o afago, a delicadeza de tornar completo o que antes era inacabado.

Uma grande obra de vida começa com a certeza de que viver é desafiador, mas pode ser estimulante quando deixamos de ser contraditórios, nos compreendendo como criaturas passageiras, prestes a concluir uma viagem.

Vou desapontá-lo ao dizer que vai passar, que o sono reconforta, que um novo dia possibilita nova chance. Mas é isso. Lave o rosto sofrido, enxugue o sal das lágrimas, afrouxe a gravata ou arregace as mangas. Amarre os cadarços, prenda ou solte os cabelos.

Se pinte ou limpe qualquer vestígio de maquiagem. Vista-se ou vá despido à luta. Mas seja bravo, seja forte, seja sóbrio, racional. Sejamos coerentes e passemos a nos mover em direção ao bem, a solidariedade, a comunhão, ao respeito, a lealdade e ao amor. Todas as coisas que Deus têm oferecido gratuitamente, sem exigir nada em troca. Ainda há tempo.


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