08/05/2017 às 21h07min - Atualizada em 08/05/2017 às 21h07min

Mercearia do Peixeiro se destaca pela tradição e variedade

Uberaba é uma cidade cheia de comércio tradicional e dos negócios que passam de geração para geração. Comerciantes tradicionais têm de lutar contra a crise financeira que atinge o país e se adaptar às mudanças que chegam ano após ano. No Bairro Abadia, a Mercearia do Peixeiro, na Avenida Orlando Rodrigues da Cunha, é um exemplo de que é possível se adaptar ao mercado sem perder a tradição.

Quem já passou em frente ao Peixeiro já deve ter percebido a variedade de produtos à venda. A loja não tem muitos metros quadrados e os clientes têm que dividir o espaço com os objetos obsoletos – ou não – colocados em cada lugarzinho da pequena mercearia.

Quem cuida da mercearia, hoje, é Gilson Peixeiro. O comerciante, de 49 anos, conta que já trabalha ali há 38 anos. Ainda na infância, Gilson acompanhava o pai, Leônidas Peixeiro, nos negócios da família. Tudo começou com o pai, em 1979. No início, apenas uma mercearia que vendia ração e algumas ferramentas. Já nos dias de hoje, é possível encontrar de agulha a torrador de café.

“Meu pai faleceu já tem 28 anos. Desde pequeno eu acompanhei o comércio. Quando a mercearia começou, meu pai queria colocar todos os filhos para ajudar. Somos em oito irmãos, mas eu fui único que quis seguir no comércio. Pai vendia só o básico e formou muita clientela. Depois que partiu, eu fiquei com muitos dos clientes dele e dei continuidade no negócio. Para mim, isso daqui é um hobby. É prazeroso vir pra cá todos os dias”, conta Gilson.

De tudo um pouco. A diversidade de clientes que o Peixeiro tem equivale a variedade dos produtos comercializados. Em uma hora de conversa, Gilson vendeu três doses de pinga, dez rolhas pequenas, uma lata de alumínio, um cabo de serrote, sabão em pó, suco, cerveja, um pacote de macarrão e alguns maços de cigarro. “Tem de tudo um pouco. Tudo o que as pessoas procuram, elas encontram aqui”, orgulha-se em dizer.

De acordo com o comerciante, quando alguém não encontra o que precisa, ele faz questão de anotar e repor o estoque. Dentre os pedidos, várias coisas inusitadas. “Já teve gente que veio procurar coisas diferentes e eu pensei: ‘Meu Deus, por que será que a pessoa precisa disso?’. Mas eu vendo de tudo mesmo. É até um museu, porque tem maquinários que jovens não conhecem. Tem debulhador de milho, moedor de alimento, torrador de café. Tem tacho de cobre, panela de barro e chapa de fogão. Tem pinico, chapéu e até a ‘dosinha’ de pinga”, compartilha.

A tradição está no modo de fazer o comércio de cada dia. Algumas vendas ainda são

anotadas na caderneta. Se um cliente antigo precisa de R$ 10 emprestados, ele empresta e anota na conta do cliente depois. A clientela é variada. Desdo os amigos do pai aos dependentes químicos e grandes empresários. Todos na região conhecem  o Peixeiro, que trabalha fielmente de segunda a sábado, das 7h às 19h.

Passado, presente e futuro. O Peixeiro conta que depois que o pai faleceu, ele manteve muita coisa da década de 70. O balcão ainda é o que o Sr. Leônidas usava. As adaptações vieram com as mercadorias e com a adesão da maquininha de cartão.

“Eu tive que me adaptar aos poucos. Mesmo tendo os clientes fixos, que eu anoto no caderno, tive que me render aos débitos e créditos. Quando a procura é grande, não dá para fugir”, diz.

Gilson diz que irá trabalhar mais uns dez anos e, depois, encerrará o ciclo de meio século de história. Mesmo com as lembranças boas do pai, o comerciante fala que chegará a hora de parar. Os dois filhos do Peixeiro são advogados e não se interessaram pelo comércio de família que já existe há quase 40 anos. “É engraçado eu dizer isso, mas aqui eu descanso. Aqui é minha casa. Tem lembrança do meu pai em cada pedacinho, mas eu sei que vai chegar a hora disso tudo acabar. Mas quem sabe, daqui dez anos, eu não mude de ideia?”, sorri ao finalizar a conversa.

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