29/04/2017 às 17h55min - Atualizada em 29/04/2017 às 17h55min

As lutas sindicais e o mercado de trabalho nas telonas

No Brasil de hoje, o trabalhador se vê diante de tempos complexos que coloca em xeque garantias trabalhistas conquistadas a punhos firmes. Os homens do nosso tempo sentem-se intranquilos diante das inúmeras medidas que o atual governo vem adotando. As expressões culturais em diversos momentos em sua trajetória têm se posicionado de forma contrária aos embustes de cada governo vigente. Não foi diferente com o cinema. Aproveitando as recentes discussões acerca da regulamentação dos contratos de terceirização e a reforma na previdência, a lista de filmes abaixo surge não somente como um alerta, mas da arte falando do seu próprio tempo e espaço.

Eles não usam black tie (1981)

Não há outra forma de começar essa lista senão pelo maior representante brasileiro dos filmes aqui citados. Na obra de Leon Hirszman conhecemos o dilema de Tião (Carlos Alberto Riccelli) um jovem operário que decide se casar com Maria (Bete mendes) após descobrir que esperam um filho. Ao mesmo tempo, um movimento grevista se inicia dentro da fábrica onde trabalha. Para não perder o emprego, Tião resolve furar a greve (liderada por seu pai) causando um grande conflito familiar que se expande até as assembleias. Vale ressaltar ainda a mãe de Tião, Romana, interpretada por Fernanda Montenegro, trazendo a figura de uma mulher forte, amorosa e conciliadora.


Terra Fria (2005)

É um filme que trata de temas pouco explorados pelos grandes estúdios: a luta pelo direito da mulher e o assédio no trabalho. Charlize Theron dá vida a Josey Aimes, que após um casamento fracassado volta para sua cidade natal para conseguir um novo emprego e poder cuidar da filha. Consegue um emprego na principal fonte de trabalho da cidade: uma mina de ferro - além do trabalho extremamente perigoso, Josey sofre ainda com o assédio por parte dos seus “colegas de trabalho”. O filme é um ótimo argumento da diretora Niki Caro para se pensar as péssimas condições de trabalho que uma empresa pode oferecer a uma mulher.


O Germinal (1993)

Poucas obras representaram as transformações políticas, econômicas e sociais da Revolução Industrial como O Germinal fez. O filme é baseado na obra de Émile Zola e aborda as lutas de classes vividas na sociedade capitalista, assim como suas relações de trabalho. Como o próprio título cita, o filme retrata o nascimento das primeiras manifestações dos movimentos grevistas das minas de carvão do século XIX. O longa faz uma ótima abordagem da forma como os trabalhadores eram explorados pela burguesia francesa, dando condições para se viver de forma absurdamente miserável.


Pão e Rosas (2000)

O filme é baseado em fatos verídicos ocorridos no maior centro comercial da cidade de Los Angeles. Cerca de 700 trabalhadores da área da limpeza (muitos imigrantes ilegais) decidiram entrar em greve por melhores salários. O filme é um importante relato sobre a situação do trabalho/trabalhador sob a égide do capitalismo global. Narra a história de Maya e Rosa, que ao conhecer Sam (ativista americano) leva as duas a uma verdadeira campanha de guerrilha contra seus patrões. O engajamento do filme é extremamente importante ao falar das migrações laborais, da precariedade salarial e claro, reconhecer o movimento sindical dos setores menos favorecidos no universo trabalhista.


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