06/04/2017 às 17h47min - Atualizada em 06/04/2017 às 17h47min

À beira da morte: cemitérios de Uberaba são alvos de denúncias

Prestadores credenciados para realizar serviços, como montagem de sepulturas, reformas, abertura de túmulos e exonerações, superfaturam os valores e não repassam as taxas aos cofres do município

O processo de sepultamento de um ente querido é doloroso. Além do abalo emocional, a despesa é sempre alta e poucas são as famílias que se previnem para estes momentos.

“Apesar disso, nos cemitérios uberabenses tem muita gente que não se sensibiliza com a dor alheia e aproveita a fragilidade destes momentos para extorquir dinheiro das pessoas”. A afirmação vem das denúncias de diversas irregularidades nos cemitérios São João Batista e Medalha Milagrosa. As identidades dos denunciantes serão preservadas na matéria.

Em uma série de documentos, fotos, vídeos e anotações, as denúncias formam um dossiê relatando desde o embolso das taxas administrativas ao extremo descaso com restos mortais.

Segundo os documentos, prestadores credenciados para realizar serviços, como montagem de sepulturas, reformas, abertura de túmulos e exonerações, superfaturam os valores e não repassam as taxas aos cofres do município.

O esquema envolve funcionários dos cemitérios e opera da seguinte forma: para sepultar um corpo, o familiar precisará adquirir o terreno e por ele pagará a taxa de Concessão Perpétua de Sepultura no valor de R$ 348,24 e, pela montagem do carneiro, a taxa é de R$ 441,10, totalizando R$ 789,34 fora o valor da urna (caixão) e das despesas do velório que são variadas. Mas segundo as denúncias, o prestador cobra de R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00 por este serviço, embutindo as taxas.

“Será que eles vão lá emitir as guias para pagá-las”, questiona o denunciante que ainda garante que os valores estão muito acima do normal.

A sequência das quadras do cemitério Medalha Milagrosa também é questionada. Ainda de acordo com as denúncias, os sepultamentos deveriam ocorrer de forma continuada e os registros mostram que esta sequência não é seguida. “Hoje, o Medalha Milagrosa tem apenas 30 quadras disponíveis. Daqui a pouco não poderá mais enterrar ninguém. Se esta sequencia está errada pode ser que tenha pessoas resguardando terrenos para vendê-los mais tarde com valores superfaturados”.

As denúncias dão conta de haver registros de uma mesma pessoa sepultada em duas quadras diferentes. “Os registros são uma desordem. Ficam jogados e muito mal feitos. Neste caso, se o proprietário do túmulo não reclama, ele pode ser reutilizado por outra pessoa. Uma ossada foi encontrada junto ao arquivo. Só se fizer DNA para saber de quem é”.

Ainda há o desperdício de material, precariedade da estrutura, principalmente no cemitério Medalha Milagrosa, servidores em desvio de função e inadimplência dos credenciados com o município.

Ao Uberaba Popular, o departamento de comunicação da Prefeitura de Uberaba informou que "segundo a Controladoria Geral do município há uma sindicância sob sigilo aberta, relativa às questões que envolvem os cemitérios e que, inclusive, o Ministério Público já foi informado sobre as investigações que estão em andamento".

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