20/09/2016 às 10h00min - Atualizada em 20/09/2016 às 10h00min

Pressa dos motoristas de ônibus é a maior queixa dos passageiros

Como está o serviço de transporte coletivo de Uberaba? Para responder a pergunta, os repórteres do Uberaba Popular, Janaína Sudário, Laércio Batista e Wagner Ghizzoni, andaram de ônibus não como usuários corriqueiros, mas como “observadores”. Entre as queixas ouvidas pela reportagem, a mais recorrente é a da pressa e falta de paciência de alguns motoristas.

Láercio Batista - Na viagem da linha Valim de Melo com destino ao terminal Oeste, saindo às 16h40, com chegada às 17h33, não teve nenhum incidente. Correu tudo dentro da normalidade, os passageiros não tiveram nenhuma queixa. Nas paradas, o motorista sempre respeitava o ponto sinalizado, até esperando passageiros que estavam chegando para o embarque.

Na linha Vetor, com saída do terminal Oeste às 17h50 e chegada no terminal Leste às 18h17, devido ao horário de muita movimentação, sempre ficavam uns dois passageiros na porta, no embarque ou desembarque. Um risco, mas o motorista, sempre atento, não fechava a porta ou arrancava com o ônibus com o passageiro na porta.

Na linha Gameleira, saindo do terminal Oeste às 19h, chegando ao bairro às 19h44, o percurso foi dentro da normalidade. O motorista se mostrou gentil ao parar para duas passageiras fora do ponto, para ficarem mais perto de suas casas.

Jane da Silva, usuária cotidiana dos ônibus Valim de Melo, Chica Ferreira e Gameleira, de manhã (8h30) e na volta do trabalho (14h) diz que os motoristas são “educados, dentro do possível”. Mas há a exceção. “Só tem um motorista da linha Chica Ferreira, das 14h, que anda um pouco acelerado. Não respeita alguns passageiros, com certos comentários desnecessários. Fora isso, não tenho queixa a fazer”, declara.


Janaína Sudário - Nos dias 6 e 8 de setembro revivi a experiência de ser usuária do transporte coletivo. As linhas escolhidas para este relato foram a B14 - Boa Vista / Volta Grande e G55 - Jardim Alvorada / Praça Rui Barbosa, nos horários de 11h05 e 7h20, respectivamente.

Nos pontos pelos quais passei, a maioria estava em boas condições, com coberturas e assentos conservados. O valor da passagem (R$ 3,50) é alto. Uma pessoa que faz quatro viagens diariamente deve desembolsar R$ 14. Ao final do mês, ela terá gasto quase meio salário mínimo com transporte.

No primeiro trajeto, o ponto de partida foi a Praça Rui Barbosa, às 11h12. Fila para entrar no ônibus, impaciência de todos os lados. A observação mais relevante é quanto aos horários. Os usuários relatam que depois que disponibilizaram o horário dos ônibus em tempo real, os atrasos diminuíram, porém, os motoristas cometem mais infrações, como furar o sinal vermelho e excesso de velocidade.

O trajeto na linha G55 não foi tranquilo. Partindo às 7h20 do Recreio dos Bandeirantes, constatei que a reclamação dos usuários em relação ao número de veículos utilizados na linha é válida. Apenas um ônibus para fazer quatro bairros (Jardim Alvorada, Recreio dos Bandeirantes, Parque das Américas e São Benedito) e dois condomínios (Terra Nova e Moradas) não atende às necessidades de tanta gente. Quando o ônibus chega ao Terra Nova, a lotação atinge o limite. É onde começam os problemas. Ora o passageiro perde o ponto de parada, ora o motorista não tem como apanhar mais gente.

A secretária Janaína Soares utiliza a linha diariamente e conta que são comuns as reclamações quanto ao excesso de velocidade, avanço de sinal e motorista deixando usuários fora do ponto solicitado. Mas elogia a paciência de alguns profissionais. “Uma vez um senhor quase caiu porque estava descendo e o motorista arrancou. Na avenida Tonico dos Santos ele sempre atravessa no sinal vermelho. De manhã, tem dias que a gente sente medo, porque o ônibus fica muito cheio e ele corre muito. À tarde não, o ônibus lota, mas o motorista é tão gentil, educado e bem humorado que fica até mais fácil chegar em casa”, narra.

E foi isso mesmo que vi. Não é só o ônibus lotado e a passagem cara. Talvez o grande problema dos serviços públicos esteja diretamente ligado ao prestador de serviço. Não é fácil driblar o trânsito, a correria intensa dos trabalhadores tendo horários para cumprir e os problemas que todos nós enfrentamos, mas com um pouco de paciência, tolerância e bom humor, como o do Senhor Sandoval, motorista da Líder, a gente chega, e chega bem!


Wagner Ghizzoni Júnior - A Prefeitura afirma que a maioria dos passageiros aprova o BRT Vetor. Pelas conversas com alguns usuários, parece que é isso mesmo. “Com esse novo sistema melhorou o dobro. Os ônibus não demoram como antes”, opina o aposentado João Beraldo, que elogia os motoristas. “São educados, sempre dão atenção”, diz ele.

Trabalhador na zona rural do município, Antônio Rodrigues, morador de São Basílio, também gostou da implantação do Vetor. “Os terminais são muito bons, antes a gente esperava ônibus no sol, na chuva, aquele tumulto nos pontos”, comenta. O usuário tem críticas também, reclamando da diminuição no número de ônibus aos fins de semana. E, para ele, a linha Ponte Alta precisa ter mais carros. “O ônibus lota, os mais jovens não dão lugar, e muitos idosos fazem uma viagem de 50 quilômetros em pé”, relata.

Os dois terminais (Leste e Oeste) são bem sinalizados. As placas indicando quais linhas param em quais plataformas são claras. Os painéis indicando o tempo previsto para a chegada dos ônibus funcionam bem. Há também painéis indicando pontos de compra e de recarga do cartão de transporte coletivo. No dia do relato, os banheiros encontravam-se em bom estado (no terminal Leste, faltava papel e sabão). Os dois terminais tinham lixeiras e bebedouros conservados. Os terminais foram inaugurados sem bancos, mas o problema já foi resolvido. A novidade é que, após licitação, em breve serão instalados quiosques de lanchonetes e lojinhas para atender os usuários.

A viagem que fiz de um terminal ao outro foi tranquila. O horário, por volta de 15h, não é de pico, mas devido ao dia (primeira segunda-feira do mês), o movimento era grande, com os ônibus cheios principalmente no trecho do centro da cidade. Andei em mais de um ônibus porque desci em algumas estações para conferir as condições delas. As cabines, ovais, não possuem bancos, só um “encosto”, ou seja, as pessoas esperam de pé. Por sorte, os ônibus não demoram muito. Quase todas as estações têm pelo menos um vidro quebrado. A placa de metal que é colocada no lugar faz o calor aumentar. Aliás, na estação 3-A, o ar condicionado não era percebido.

As rampas de acesso às estações estão em bom estado. Os ônibus anunciam qual a próxima parada pelo sistema de som. Um problema é que os usuários não respeitam a sinalização de entrada e saída nos ônibus e nas estações o embarque e desembarque costuma ser tumultuado .

Ana Carla Ferreira, do lar, costuma andar de ônibus sempre com dois ou três filhos que não pagam passagem. Pelo interfone, pede para que seja aberta a porta ao lado da roleta das estações para as crianças entrarem. É atendida. A bronca é com alguns motoristas. “Tem uns que não têm paciência e quase fecham a porta na gente”, afirma. A vendedora Renata Campos também reclama. “Tem motoristas que ficam discutindo com idosos”, protesta. A queixa da autônoma Júlia Marise da Silva é com os interfones. Se Ana Carla não teve problemas, Júlia já passou por dificuldades. “Às vezes o interfone não funciona e eu tenho que ligar do telefone da estação para eles verem na câmera que precisa abrir a porta do lado da catraca”, conta. Para Renata, no geral, o serviço prestado é bom. Mas tem falha também. “Nem sempre o wi-fi nos terminais funciona”, diz, com cara de choro.


“Quatro motoristas trabalham bem e um não”, diz superintendente

O superintendente de Transporte Coletivo, Claudinei Nunes, afirma que não há motivo para os motoristas correrem. “O gestor (a Superintendência) elabora e encaminha para as empresas de ônibus os tempos de viagem em horários normais e de pico. E sempre fiscaliza, se o tempo está curto ou extenso, é reavaliado. Então o motorista não precisa correr para atender o horário do painel: não existe horário apertado em nenhuma linha hoje”, assegura.

Para Claudinei, o problema é a impaciência dos condutores. “Por exemplo, o maior número de reclamações que recebemos é de motoristas que não param no ponto para pegar cadeirantes, dizem que o elevador não está funcionando. Mas todos estão. E não demora nada o embarque do cadeirante. Então o problema é só falta de paciência. De cinco motoristas, quatro trabalham bem e um não, e esse dá problema”, acentua.

Sobre a reclamação da lotação dos ônibus para Ponte Alta, Claudinei fala que deve ser um caso pontual. “Do dia 1º ao dia 15, época de maior movimento, são colocados carros maiores ou extras nos horários de pico”, explica. Quanto às linhas que atendem muitos bairros e os ônibus acabam lotando, ele diz que é feito um acompanhamento diário. “Se passageiros são deixados pra trás a fiscalização acusa, e estudamos colocar extras. Isso aconteceu recentemente com o Marajó, por exemplo”.

Vandalismo – Claudinei lamenta que ainda aconteçam tantos casos de vandalismo e depredação. “Quebram vidros e câmeras nas estações, roubam papel dos banheiros. Se o usuário não tiver papel, é só pedir pro funcionário, que sempre tem. É que os vândalos chegam ao cúmulo de arrancar as torneiras”. O superintendente informa que as chapas de metal nas estações serão substituídas, não por vidro, mas por policarbonato, material mais barato, resistente, e que emite menos calor. “Quanto ao ar condicionado, se não estiver funcionando, a pessoa pode ligar do próprio telefone da estação que pedimos a manutenção”, finaliza. O wi-fi, segundo ele, está ativado, podendo eventualmente não estar disponível por problema da empresa de internet.


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