20/09/2016 às 10h37min - Atualizada em 20/09/2016 às 10h37min

O outro lado da praça: solidão, vícios e decadência

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Andarilhos dividem os espaços na Praça Dr. Jorge Frange[/caption]

“O que você está fazendo aqui?”, perguntou em tom de agressividade o senhor Manoel, de 58 anos, quando viu que a reportagem do Uberaba Popular conversava com outros moradores; alguns deles são personagens bastante conhecidos na cidade, como a Bebel, que pediu para que tirássemos uma foto com ela.

Manoel não permitiu ser fotografado e evitou falar da sua vida pessoal. Desconfiado, indagou se estávamos ali para fazer alguma propaganda política. Não. Estávamos ali para conhecer estes anônimos moradores de rua que estão, cada vez em maior número, pelas ruas e praças de Uberaba.

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Fábio: pé no traseiro[/caption]

Por volta das 7h20, de sexta-feira (9), o UP esteve na Praça Dr. Jorge Frange onde há relatos de que cerca de cinquenta andarilhos frequentam a praça diariamente, inclusive à noite. O intuito era registrar, em imagem, o espaço físico e mostrar que o ambiente não é mais propício para que as famílias circulem em uma das mais tradicionais praças da cidade. Mas como não falar com aquelas pessoas que “vivem” ali? Como não se interessar pelas histórias que as levaram até aquela situação de decadência?

Como a história relatada pelo Flávio, de Paracatu, no nordeste de Minas de Gerais. O braçal que conseguiu trabalho em Uberlândia, com carteira assinada, veio a Uberaba prestar serviço e nunca mais voltou. “Eu levei um pé no traseiro da minha esposa e fiquei aqui”.

Com 22 anos, há um morando na Praça Jorge Frange, Flávio ainda acredita que conseguirá mudar de vida. “Deus vai ajudar que vamos receber a melhora. Estou na rua, mas estou tentando levantar de todo jeito”.

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Silvano procura emprego em Uberaba e mora na praça há mais de um mês[/caption]

Mas para levantar, Flávio precisará de ajuda. Alcoólatra, ele nega usar drogas e diz que fez “muitos amigos” na praça. O desocupado, Silvano, de 35 anos, é de Mirassol, interior de São Paulo. Veio a Uberaba procurar emprego e ainda não conseguiu. Sem dinheiro para pagar aluguel, restou o banco da praça como moradia. Tímido, ao contrário da espontaneidade em falar do Flávio, Silvano parece constrangido com a situação vivida há pouco mais de um mês.

Mais que um problema de higiene da praça e do incômodo que esses desabrigados causam aos moradores da região – uso de drogas e bebidas, obscenidades e brigas entre eles – estamos diante de um problema social muito grave. Os recursos oferecidos pelas instituições sociais são insuficientes para atender tantas pessoas e, com isso, fica a pergunta: como resolver o problema da praça?


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