27/03/2017 às 22h11min - Atualizada em 27/03/2017 às 22h11min

Artista que transforma cenário urbano busca reconhecimento do Grafite

Apesar do ar de menino, ele tem 36 anos (quase um quarentão na idade cronológica, mas conserva o frescor de uma juventude sonhadora e descolada).

 O boné com a aba virada para trás é a marca registrada do artista Clayton Tomaz da Costa. Grafiteiro uberabense que se destaca com trabalhos espalhados por toda a cidade e fora dela.

Se você deu uma passadinha pela avenida Fernando Costa ou entrou no Parque de Exposições, deve ter notado que nas paredes externas do Museu do Zebu tem grafite do Clayton.  Na avenida Coronel Joaquim de Oliveira Prata, a proprietária de uma loja de móveis escolheu o grafite para imprimir sua marca. Aliás, a arte de rua é tendência em institucionais. Nem sempre foi assim.

Clayton conheceu o grafite em 1997, quando mergulhou no universo da cultura Hip Hop. Há dez anos fez o primeiro grafite da vida, escrevendo o próprio nome.

Em todos esses anos, se teve uma coisa que o grafiteiro percebeu de fato, foi mudança. Está tudo muito diferente, a demanda, a opinião da sociedade. “O grafite está popular, as pessoas começam a dissociar grafite de pichação, porque embora sejam árvores da mesma raiz, definitivamente não são a mesma coisa”.

Clayton se orgulha de lembrar que o grafite se transformou em ferramenta de inclusão social. Ele vive isso na prática desde 2008, quando iniciou com oficinas de arte com grafite para crianças e jovens. “Isso facilitou inclusive, essa popularização, e essa importância da ressocialização não pode ser esquecida”.

Clayton grafita quase sempre de shorts, camiseta , tênis e uma camisa amarrada à cintura, mas não abandonou ainda o velho e bom macacão azul, que evita muitos desastres com a tinta.

As técnicas passaram por muitas transformações, influência das inovações nas latas de spray, nas canetas e equipamentos de proteção individual, que facilitam e deixam o trabalho esteticamente mais bonito, como ele mesmo explica.

A última semana de março começou com muito trabalho e comemoração pelo Dia Nacional do Graffiti (27/03). Polêmica, colorida e democrática, a atividade já foi confundida com pichação. Já proibiram os desenhos, mas o grafite, do italiano “Graffiti”, sobrevive há décadas. Há 29 anos tem um dia só dele no Brasil.  Toda essa divulgação graças a Alex Vallauri. Com a morte do artista italiano que adorava os muros e paredes brasileiros, os grafiteiros decidiram lembrar a data, primeiro nas ruas, e depois instituído por meio da lei em 2004.

Das capitais para o interior, a cultural quase sempre atrelada aos negros e pobres se expandiu. Por aqui, há 12 anos, Clayton faz da arte mais que paixão, é ganha pão! As ruas se tornaram quase que um habitat natural do artista que trabalha exclusivamente fazendo e ensinando o grafite.

As ilustrações revelam sentimentos, desejos, opiniões, fazem críticas, sátira. Muito além da simbologia das ruas, o grafite atrai olhares e admiração.

Arte da resistência que vive cada vez mais o chamado “empoderamento” de pensadores, que mais que transformar a paisagem das cidades, querem redescobrir as cores ocultas da cultura e da educação, num país de desigualdades. “Quero parabenizar artistas de rua que tomam sol e chuva, as vezes mesmo autorizados são enquadrados pela polícia, por conta do estereótipo. As pessoas muitas vezes ofendem, não são só elogios que ouvimos, tem que ser resistente para continuar a amar mesmo”.


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