25/03/2017 às 19h57min - Atualizada em 25/03/2017 às 19h57min

Fracassos da razão humana

Às vezes nos distanciamos das pessoas, mas não falo aqui da simples distância física que separa nossos corpos. Falo, pelo contrário, da distância que poderia ser melhor referida pela inconciliação entre as pessoas. Falo da distância relativa a todas as pessoas com quem não conseguimos nos misturar, dessas que por alguma diferença intolerável, não admitimos aceitar o mundo próprio de cada uma.

O que é diferente parece mau, errado, injusto, ignorante e estúpido. Esse outro, visto essencialmente diferente, perde o menor parentesco conosco, assim negamos-lhes qualquer comunhão de nossa humanidade. Logo, essa distância decorre da incapacidade de nos aproximar, uma vez que não conseguimos ver nada em comum – preferimos a distância. Instaurado isso, vale tudo, de ofensas gratuitas até desejar a eliminação desse outro – sem elas o mundo seria um lugar melhor.

Essa é a raiz de todo conflito. Dessa forma, o mundo fica dividido em dois grupos: os ‘nossos’ e os ‘outros’. Podemos reconhecer isso em toda parte e sempre há uma séria confusão envolvida. Muitas vezes questões políticas gerais, como os palestinos e israelenses, as eleições norte americanas, impeachment de Dilma e até legalização de drogas, descriminalização do aborto, etc. Também questões de nossa vida imediata e íntima: irmãos que não se falam, casais que se separam, conflitos entre pais e filhos.

Parece que tudo começa com a diferença de opinião. Um pensa de um jeito e o outro de outro, depois disso não há nada o que fazer e o resultado é o afastamento, não para evitar o problema, mas porque a presença do outro provoca algo que nos atormenta. Em psicanálise, poderíamos pensar que o outro escancara algo que não toleramos em nós mesmos, por isso, é melhor que tudo de ruim venha desse outro e fique bem longe, para não nos ameaçar.

Penso que existam outros elementos importantes para explicar essas situações. Há algo da própria diferença entre as pessoas que produz isso. Que dificuldade existe em considerar a diferença do outro? Ou melhor, a questão pode ser colocada de outra maneira: o que poderíamos fazer para relativizar nossos posicionamentos nos permitindo tentar considerar o ponto de vista do outro?

Por muito tempo acreditamos que a racionalidade humana pudesse resolver nossos problemas e conflitos, permitindo progresso e uma convivência fraterna entre nós. Desde as duas grandes guerras mundiais alguns pensadores foram levados a reconsiderar isso.

Volto a falar sobre o assunto.


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