20/03/2017 às 23h13min - Atualizada em 20/03/2017 às 23h13min

Após estragos provocados por temporal, moradores tentam recomeçar

A rua Vigário Silva, no bairro Bom Retiro, ficou devastada. Um rio de lama cobriu calçadas e sujou mais que casas, interrompeu a rotina dos moradores.

O autônomo Fernando Faustino Rodrigues perdeu as duas cestas básicas estocadas na dispensa. Arroz, feijão, açúcar e outros mantimentos ficaram encharcados com a água barrenta. “Estamos tentando recomeçar, é difícil, mas Deus é maior que tudo”.

Duas casas à frente, a vizinha ainda atordoada com a situação vivenciada no último fim de semana, busca palavras para explicar o que houve. “Eu não sei o que dizer, quando vi a água encobriu tudo, veja só, está tudo com lama ainda, não conseguimos limpar tudo”, conta enquanto mostra dezenas de objetos misturados a roupas e calçados no quintal. Tudo revirado sem condições de uso, sem lugar para ser guardado.

Do lado de fora, a rua está diferente mesmo. Nas calçadas, havia móveis aproveitando o sol do primeiro dia de outono, pós sábado fatídico de muita chuva. Precisamente, segundo a climatologista Wanda Prata, 76 milímetros. Em 40 minutos choveu o equivalente a seis dias.

No centro da cidade, a avenida Leopoldino de Oliveira, começou na manhã desta segunda-feira a ser reorganizada. Equipes fizeram limpeza, taparam buracos e jogaram pedra brita no chão na tentativa de garantir normalidade ao trânsito.

No fim de semana, a mesma avenida se transformou em um rio. Comércios foram alagados e veículos arrastados.  O professor Victor Afonso de Sousa e a namorada quase foram levados junto do carro em que estavam, pela correnteza da enchente repentina. “Quase nos afogamos, só conseguimos nos salvar porque tivemos ajuda”.

No perímetro urbano, o Corpo de Bombeiros atendeu 20 chamados referente a queda de árvores. Bombeiros estiveram na região do bairro Leblon, em uma casa na alameda Granada e numa escola, onde galhos colocam em risco a estrutura dos imóveis e a integridade física das pessoas. Na BR 262, a concessionária que administra a rodovia fez o recolhimento.

No bairro São Benedito, a estrutura de um posto de combustíveis que foi derrubada pelo vento, que chegou a 40 km por hora, já foi removida. Ninguém, se feriu. Oposto continua interditado.

Apesar dos danos materiais, nenhuma ocorrência com vítimas foi registrada.

A enxurrada arrastou muita coisa, mas não apagou da memória questionamentos sobre as obras do Projeto Água Viva. Criado em 2007, ainda no governo de Anderson Adauto, a finalidade era minimizar o problema das enchentes do centro da cidade. Já se foram R$ 120 milhões e ainda falta etapa para conclusão da obra. A administração diz que o sistema funciona em condições normais e classificou o fato como atípico. Cerca de 100 funcionários de diversos setores estão mobilizados numa força tarefa para consertar os estragos deixados pela forte chuva.

Em caso de queda e recolhimento de árvores derrubadas pelos fortes ventos, entulhos e lixo de alagamentos, dentre outros serviços, a orientação é para que moradores acionem os telefones do Disque Cidadão no 3318-0800 (celular) e 0800-940-0101 (fixo).

Situação nos parques da cidade – Conforme nota da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Mata do Ipê teve diversas árvores quebradas e galhos espalhados. As trilhas estão comprometidas e ainda o muro que cerca o local ficou danificado. A partir desta terça-feira (21), a Mata do Ipê ficará para visitação, sem previsão de reabertura para garantir a segurança dos visitantes. A Secretaria de Serviços Urbanos foi acionada e fará a manutenção do local.


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