20/09/2016 às 10h30min - Atualizada em 20/09/2016 às 10h30min

A Faxina - Carlos Emílio Faraco

(inspirado em Operário em Construção, do Vinícius de Morais) Olhou para o chão, Virou para os lados, Assuntou em cima da pia: A sujeira que ela via Era outra – ela sabia. No entanto ela sentia Que não era nada disso: Havia um veuzinho postiço Mas a sujeira era a mesma. Perplexa, a faxineira Parou no meio da sala: “Como uma coisa que era Já não era, mas seria, Se não fosse o olhar dela Olhar de todo os dias?” Tirou o lenço gosmento Do bolso esquerdo da roupa E desnublou bem os olhos Sentindo que estava louca - Ou mesmo que estava oca, Pelo pedaço tirado Da cabeça antes pendida Nos sins de toda uma vida. Não sabia a faxineira - Tendo por todo sempre Limpado a mesma sujeira -, Que um dia acordaria. De repente ela enxergou Aquilo que não devia, Pois olhar escravizado Acaba pedindo alforria. A faxineira assustada Com tanta revelação Resolveu - fato incomum – Trocar o sim pelo não: Torceu um bigode austero Com a vassoura de pelo, Fez dos trapos um vestido Que era pura invenção! Subiu na janela de vidro Montada no velho escovão. E assim fantasiada, Dançou a rodo, sozinha, Presa ao prédio por um fio. Até que à meia-noite, Escorregou no vazio.
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